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Debate Jornalismo

UMA RAZÃO PRA VIVER
Os meios de comunicação tradicionais vivem um enorme dilema. Tive o privilégio de ter experimentado uma época - anterior ao surgimento do cosmo e do caos da era digital -em que talvez existisse um dilema latente, mas pouco percebido nas redações. Era, antes, muito mais uma omissão de posicionamento que se deixou passar quando o radio surgiu e, a posteriori, quando a TV nasceu. Esta última, que surge como linguagem como uma extensão do radio, foi certamente quem mais evoluiu em alguns aspectos. Mas negligenciaram sob o ponto de vista do papel de cada um e hoje paga-se um preço ainda mais caro por isso, penso.
Com o boom da era digital, das redes sociais, do eu-reporter, estão todos que conseguem sobreviver tentando se reinventar. É saudável que assim seja. É imperativo fazê-lo. A maioria de nós ainda é um ser analógico. E pensar, prospectar, imaginar e executar como seres digitais nos é muito caro. Os seres nascidos digitais carecem de muita coisa, notadamente experiência, alguma maturidade, feeling, sensibilidade. Essas coisas tão desprestigiadas ultimamente entre a novíssima geração que acha que por escrever textos, publicá-los, aparecer na TV, falar no radio, ter milhares de seguidores na internet, etc, etc, e eventualmente ganhar prêmios são irretocáveis. (Ah, Deus, quantas narrativas sofríveis...)
Na busca por um jornalismo colaborativo, interativo, de dados, que se comunique mais com o local e, sobretudo, que saiba usar as ferramentas tecnológicas que se renovam a cada dia, temos visto muitas tentativas de inovação. É preciso estar atento a tudo isso, analisar, testar essas experiências. As gerações precisam se reciclar, abrir os olhos para este novo cosmos que a internet nos jogou na cara abrindo dilemas e possibilidades.
Talvez aqui caiba uma pergunta: o guarda-chuva que guiará os novos ou remodelados meios de comunicação é o conteúdo ? Jornalismo é conteúdo. Todo conteúdo é jornalismo ?
Para além de dilemas que precisam ser encarados, acredito com convicção que o que valem são as boas histórias, as boas narrativas, a foto que dá um nó na goela, cenas lidas ou vistas que jamais sairão da memória e tornam-se imortais em cada um de nós. Essas são premissas universais e atemporais do (bom) jornalismo que nenhuma onda suplantará.
 
  • Luis Sergio Santos Muito boa pensata. Congrats.
    Curtir · Responder · 1 · 1 h
  • Luis Sergio Santos https://goo.gl/Jy8m9H
    Por Luis-Sergio Santos
    MEDIUM.COM|POR LUIS-SERGIO SANTOS
    Curtir · Responder · 1 h
  • Luis Sergio Santos O problema é que a internet, como meio de distribuição, desorganizou o monopolismo potencial das grandes redes globais ao empoderar [não gosto deste neologismo] cada usuário como emissor. E para aumentar o pânico o streaming — uma expressão que nos remete a T. Adorno em sua Dialética do Iluminismo — ganha força total com a ampliação da infraestrutura de broadband e o surgimento de novos competidores como Netflix e Amazon. A internet cresce exponencialmente no entretenimento e nas redes chamadas “mídias sociais”. Há uma pulverização da audiência é uma baixa credibilidade quando o site de informação não está ancorado em mídia consistente com algum suporte tangível ou com infraestrutura que permite uma distribuição em massa. Ao mesmo tempo, o volume caótico de mensagens de toda ordem é a babélia eficiente como estratégia de desinformação.

    Na sociedade das redes líquidas, credibilidade continua ancorada em suportes tangíveis. E quantidade de “curtidas” e “clics” não traduzem audiência qualitativa mas, inicialmente, um busca ansiosa e vazia. A credibilidade da mídia impressa, por exemplo, impulsiona redes digitais dos grandes meios globais. Sem o suporte física ou a referência espacial o impacto simbólico da perda afetará drasticamente a credibilidade.

    Com a internet, a opinião ficou cada vez mais reles. E a informação crível, cada vez mais cara e disputada. Não à-toa a quantidade de barrigadas on-line crescem rapidamente. Publicar lixo é fácil. O difícil é a triagem e a checagem porque elas exigem gente operando com discernimento.
    Curtir · Responder · 2 · 1 h
  • Isabela Lopes Martin Excelente analisa, Luis Sergio Santos LSS

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