Arimateia Azevedo carrega mais de cinco décadas de jornalismo no Piauí. Começou em 1971, no antigo Jornal O Estado, em uma época em que o estado sequer tinha curso de Comunicação Social. Passou pelo Jornal O Dia e trabalhou sete anos no jornal cearense O Povo, entre 1974 e 1981. Depois voltou ao Estado, onde consolidou sua marca de repórter incômodo para quem preferia o silêncio da imprensa.
O jornalismo investigativo virou sua marca registrada. Ele apurou o assassinato do jornalista Helder Feitosa, em 1987, e denunciou a tentativa do Governo da época de atribuir o crime a três jovens inocentes. Em 1988, expôs publicamente o então capitão Correia Lima em plena investida contra o crime organizado. Cada apuração vinha acompanhada de ameaças. Nenhuma o fez recuar.
No dia 1º de janeiro de 2000, Arimateia fundou o Portal AZ, o primeiro portal de notícias do Piauí. A motivação foi driblar a censura editorial que sofria como colunista. Antes do portal, ele já publicava sua coluna na íntegra em um site próprio, mesmo sem saber operar um computador, com o apoio de um digitador. O Portal AZ nasceu, assim, como resposta prática a um problema concreto: garantir que a informação chegasse ao leitor sem cortes de interesse político ou empresarial.
A trajetória de Arimateia acompanha a própria transição da imprensa piauiense do papel para o digital. Ele foi pioneiro nessa migração, em um momento em que o jornalismo online ainda buscava legitimidade e estrutura no estado. Construiu, ao longo de décadas, uma identidade editorial que permanece presente no debate público regional e marca o jornalismo de ontem e o de hoje.

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