Sustentabilidade é ingrediente essencial na receita da Cozinha Bom Jardim
Conheça as iniciativas de uma das 317 cozinhas reconhecidas pelo Governo do Ceará com o prêmio Cozinha Transformadora Um ingrediente que não falta na receita da cozinha Associação Solidária para a Comercialização (Giro Social), localizada no Bom Jardim, em Fortaleza, é a sustentabilidade. No local, vidas são nutridas e transformadas, ao mesmo tempo em que iniciativas sustentáveis são desenvolvidas. A cozinha, que faz parte do programa Ceará Sem Fome desde agosto de 2023, é uma das 317 Unidades Sociais Produtoras de Refeição (USPRs) reconhecidas pelo Governo do Ceará com o prêmio Cozinha Transformadora – Ceará Sem Fome.
A primeira edição do prêmio celebra práticas inovadoras e o engajamento dos agentes populares de segurança alimentar — pessoas que atuam nas cozinhas — no combate à fome e fortalecimento das comunidades onde as unidades estão inseridas. Para isso, a premiação conta com três categorias: Qualificação e Renda; Sustentabilidade e Inovação; e Participação Social e Mobilização da Comunidade. |
|
A unidade do Bom Jardim funciona de segunda a sexta-feira, produzindo mais de 100 refeições para atender beneficiários do Ceará Sem Fome e pacientes encaminhados pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps). Maria Eurilene Maciel, presidente da Associação, e as cozinheiras Joana Paula e Regina Rodrigues tocam diretamente esse trabalho na cozinha, que foi premiada na categoria Sustentabilidade e Inovação.
Leia também: Ceará Sem Fome: cozinha transformadora é um abraço de solidariedade no Conjunto Palmeiras
O objetivo, defende Eurilene, é nutrir o indivíduo integralmente e minimizar o impacto das ações humanas no meio ambiente. “Não é só nutrir, é capacitar, pensando junto ao nosso grupo de mulheres empreendedoras como reutilizar os resíduos da cozinha. O ser humano é responsável por tudo que ele faz, incluindo o bem”. |
|
A cozinha tornou-se referência no aproveitamento integral dos insumos, reduzindo desperdícios e otimizando o preparo das refeições. “Fazemos o aproveitamento do alimento em seu todo. Também montamos uma pequena horta para os resíduos. As cascas dos legumes, principalmente cenoura e beterraba, que são riquíssimas em nutrientes, também são aproveitadas para fazer os sucos, e os outros resíduos voltam à panela para enriquecer o sabor “, explica a presidente da Associação.
A mente criativa de Eurilene já projeta os próximos passos para reduzir o impacto do descarte das marmitas de isopor. “Eu pesquisei e encontrei um produto que dissolve a marmita, transformando-a em um verniz. A gente testou e deu certo. A ideia é que o usuário devolva a marmita limpa, quebrada, para que ela passe por uma nova limpeza e seja transformada nesse verniz”, detalha. |
|
Empatia e conhecimento nutrem autoestima A presidente da Associação acredita que cada ideia ou conhecimento compartilhado carrega uma força vital para o desenvolvimento pleno do ser humano. Essa foi uma lição que ela aprendeu dentro de casa. “O meu pai não estudou, mas ele queria que a gente estudasse, então o amor dele era demonstrado nos livros que ele comprava. A minha mãe oferecia todos os anos, em dezembro, o almoço para os idosos do Bom Jardim, e depois a gente ficou oferecendo refeições em ações pontuais”, lembra Eurilene, que chegou ao bairro aos dois anos de idade.
Criada em 2012, a Associação promove ações com empreendedores e artesãos associados, bem como a comunidade no entorno, fomentando atividades produtivas. A chegada do Ceará Sem Fome, com as refeições e qualificação profissional, fortaleceu esse propósito. “Trouxemos cursos de cabeleireiro, costura, entre outros, para que essas pessoas que estão na pobreza tenham a visão de que podem ter renda, que são amadas e queridas”, enfatiza. |
|
O sorriso da costureira Tânia Nascimento, 40, expressa a autoestima resgatada a cada oportunidade abraçada. No Giro Social, ela conheceu iniciativas como o Ceará Sem Fome, o Ateliê de Corte, Costura e Modelagem, realizado em parceria com o Centro Cultural do Bom Jardim (CCBJ), e o programa Reciclocidades, da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece).
Ela começou como aluna bolsista do Ateliê do CCBJ. O valor da bolsa foi investido na compra das duas primeiras máquinas de costura. Com o Ceará Sem Fome, a costureira e o marido puderam enfrentar com mais tranquilidade o período em que ficaram desempregados. “Está com mais de um ano que eu deixei de ser beneficiária, mas foi uma oportunidade que eu também abracei”, registra. |
|
Hoje, Tânia tem orgulho em dizer que é especialista na produção de bolsas de material reciclado, figurando como destaque na comercialização dos produtos por meio do Reciclocidades. “Eu nunca me imaginava fazendo uma bolsa, e hoje em dia sou conhecida como a costureira de bolsas”, sorri.
Segundo ela, a próxima etapa é ampliar o negócio no digital e conquistar mais clientes e mercados. “Meu projeto para o futuro é fazer uma loja virtual para vender as bolsas que já faço, mas também outros modelos diferentes”, deseja.
Ceará Sem Fome O programa Ceará Sem Fome, criado em 2023, é uma política pública do Governo do Estado, com três frentes emergenciais: uma rede com mais de 1.300 cozinhas sociais, responsáveis por servir mais de 130 mil refeições diárias; o Cartão Ceará Sem Fome, no valor de R$ 300, que beneficia mais de 47 mil famílias; e campanhas solidárias que já arrecadaram mais de 500 toneladas de alimentos em grandes eventos.
O eixo Ceará Sem Fome +Qualificação e Renda, iniciado em 2024, tem como objetivo criar oportunidades de autonomia econômica e social para beneficiários e voluntários do programa. A iniciativa integra qualificação profissional, inserção no mercado de trabalho, empreendedorismo e crédito produtivo orientado, valorizando os saberes locais, fortalecendo o protagonismo comunitário e incentivando alternativas sustentáveis de geração de renda.
Mais de 20 mil pessoas foram capacitadas entre junho de 2024 e setembro de 2025, com cursos em áreas como Beleza, Empreendedorismo, Gastronomia, Serviços, Tecnologia da Informação, entre outras. A meta é formar 55 mil pessoas até o fim de 2026. O programa já inseriu quase 7 mil beneficiários no mercado de trabalho.
Larissa Falcão - Ascom Casa Civil - TextoHelene Santos - Casa Civil - Fotos Yuri Leonardo - Casa Civil - infográfico |
|
Comentários
Para comentários públicos, favor utilizar campo ao final da notícia, logo acima da publicidade.
Notícias mais acessadas do mês
Comentários
Postar um comentário