Enquanto o metro quadrado em Fortaleza atinge R$ 16 mil, condomínios na Região Metropolitana oferecem espaços horizontais por menos da metade.
O abismo de preços entre a capital cearense e os municípios vizinhos redesenhou o mercado imobiliário local. Com o metro quadrado de um apartamento na Aldeota alcançando a marca de R$ 16 mil, a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) consolidou-se como um forte polo de atração para moradia horizontal. Lá, condomínios de casas registram valores entre R$ 6 mil e R$ 7 mil o metro quadrado — uma diferença que permite ao comprador adquirir imóveis com mais do que o dobro do tamanho pelo mesmo montante investido.
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| Sérgio Macedo, diretor de estatística do Sinduscon-CE |
O panorama desse contraste econômico e das novas tendências do setor imobiliário cearense foi detalhado por Sérgio Macedo, diretor de estatística do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), em entrevista ao Blog do Lauriberto.
Falta de braços para recorde de obras
De acordo com ele, Fortaleza vive um patamar histórico de atividade construtiva, superando marcas de vendas e lançamentos analisadas desde 2006. No entanto, a velocidade de crescimento expôs um gargalo crítico: a escassez de mão de obra para dar conta de tantos canteiros ativos. "Hoje nós estamos batendo recordes de empregabilidade... está faltando gente suficiente para construir o que nós estamos fazendo", aponta Macedo.
A força inevitável da verticalização
A necessidade de adensamento urbano nas áreas consolidadas e o elevado preço da terra tornaram a verticalização um caminho obrigatório nas áreas nobres. Na Beira-Mar, região de maior valorização da capital, hotéis tradicionais foram demolidos para dar lugar a grandes arranha-céus.
De acordo com o diretor do Sinduscon-CE, esse movimento construtivo de alto padrão e custo elevado deve se concentrar majoritariamente na Beira-Mar nos próximos anos, uma vez que outras regiões da cidade dificilmente conseguiriam absorver o preço desse padrão de construção e das outorgas onerosas pagas à prefeitura.
Classe média migra para plantas compactas
Enquanto o segmento econômico (Minha Casa, Minha Vida) encontra-se blindado por ser uma política de Estado estabilizada, o comprador de classe média sofre os impactos das altas taxas de juros (Selic) e do sufocamento da renda familiar.
Diante da perda de poder de compra, o mercado se adaptou: a preferência por apartamentos amplos de 100 m² a 150 m² deu espaço a plantas compactas de 50 m² a 60 m². Para compensar a redução das áreas privativas, os residenciais agora apostam em completas estruturas de lazer compartilhado, incluindo piscinas. Essa centralização do lazer é uma forte demanda em Fortaleza, justificada tanto pela busca por segurança quanto pelas altas temperaturas do clima local, que reduzem o hábito de caminhar pelas ruas.
Segurança jurídica atrai capital externo
A expansão imobiliária ocorre sob forte estabilidade regulatória. O Sinduscon-CE destaca que o volume de obras paradas ou suspensas na cidade é insignificante, sem qualquer peso na dinâmica do mercado local. As grandes e médias construtoras em atividade atuam de forma regularizada, quase em sua totalidade respaldadas pelo selo de incorporação do sindicato.
Essa solidez tem posicionado o Ceará no radar de investidores de outras regiões do país, atraindo capital de estados como São Paulo e de praças da Região Norte, como Manaus, Pará e Rondônia. Esses compradores de fora, que contam também com a presença de marcas de atuação nacional, miram prioritariamente imóveis de padrão elevado voltados para investimento ou segunda moradia.

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