Professor e escritor Batista Lima- A Poesia de Caio Quinderé nasce em íntima consonância com a música. Há ritmo, cadência e um léxico que revela familiaridade com o universo musical, conferindo aos poemas um lirismo fiel às origens clássicas do gênero, herdadas da própria lira. Outra presença marcante é a água, elemento recorrente na tessitura poética. A Mulher, quando surge, é quase sempre líquida: ora turva e misteriosa, ora clara, emancipada e consciente de si. A memória também estrutura essa escrita. O presente poético só se realiza ancorado em um patrimônio ancestral, que dá sentido e densidade aos versos. Mesmo quando há dispersão temática, ela pode ser compreendida como jorro criativo de um autor que possui talento evidente e imaginação fértil. Caio domina o fio frasal e o enovela numa escrita em que o tempo — não corrosivo, mas revelador — atua como mensageiro das musas. Cronista sensível de sua geração, dialoga com a contemporaneidade sem romper com a tr...