A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), foi selecionada para integrar a iniciativa internacional Global Zero Waste Districts (Distritos Lixo Zero), que reúne cidades de diferentes países para desenvolver soluções sustentáveis de gestão de resíduos. A participação da Capital foi anunciada em setembro deste ano, durante a Climate Week NYC, evento internacional sobre mudanças climáticas realizado em Nova Iorque, nos Estados Unidos.
A proposta apresentada coloca Fortaleza entre as cidades brasileiras participantes da iniciativa, ao lado do Rio de Janeiro. O programa também reúne cidades da Malásia, do Chile e do Quênia, com o objetivo de transformar bairros e comunidades em exemplos de redução de resíduos, reciclagem e aproveitamento de materiais que normalmente seriam destinados aos aterros sanitários.
Na Capital cearense, o projeto será desenvolvido inicialmente no bairro Sapiranga, escolhido como território prioritário para a implantação do projeto-piloto. Com aproximadamente 29,2 mil habitantes, o bairro deverá receber ações integradas de coleta seletiva, separação de resíduos, compostagem, educação ambiental e incentivo à participação da comunidade.
O projeto apresentado pela Coordenadoria Especial de Limpeza Urbana (Colimp) tem como base o BIOFOR – Gestão Sustentável de Resíduos Orgânicos e Produção de Biometano, iniciativa coordenada pela SCSP que busca reduzir a quantidade de resíduos orgânicos enviada aos aterros e estimular o aproveitamento desses materiais.
Uma das principais propostas é utilizar a estrutura do Ecoponto Sapiranga II e da Horta Social Sapiranga para criar um espaço integrado de recebimento, separação e tratamento de resíduos. Na prática, restos de alimentos e outros materiais orgânicos poderão ser transformados em adubo por meio da compostagem e aproveitados no cultivo de alimentos na própria Horta Social.
A iniciativa também pretende integrar programas municipais já existentes, como o Re-ciclo, que realiza a coleta seletiva com a participação de catadores utilizando triciclos elétricos, o Recicla Mais Fortaleza, voltado à coleta seletiva em condomínios, e a rede de Ecopontos. A proposta é ampliar o reaproveitamento de materiais, fortalecer a geração de renda para catadores e estimular hábitos sustentáveis entre moradores e comerciantes.
Para o secretário municipal da Conservação e Serviços Públicos, Abreu Machado, a participação de Fortaleza na iniciativa representa uma oportunidade de fortalecer as políticas ambientais da cidade.
- A participação de Fortaleza em uma iniciativa internacional como essa demonstra que estamos avançando na construção de soluções mais sustentáveis para a gestão dos resíduos. Queremos aproveitar estruturas e programas que já existem na cidade, ampliar a reciclagem, reduzir o volume de materiais enviados aos aterros e envolver cada vez mais a população nesse processo. A proposta é transformar a Sapiranga em uma referência que possa, no futuro, ser levada para outros bairros da Capital”, destaca o secretário.
Metas internacionais e próximos passos
A iniciativa Global Zero Waste Districts é coordenada pela Zero Waste Foundation, com articulação internacional voltada à preparação para a COP31, conferência mundial do clima. O programa estabelece como referência a meta de reduzir em 70%, até 2030, a quantidade de resíduos destinados aos aterros sanitários nos distritos participantes, avançando para 100% até 2040. Um dos principais objetivos é diminuir as emissões de metano, gás que contribui para o aquecimento global.
Com a seleção de Fortaleza, a Prefeitura participará das próximas etapas de estruturação da iniciativa, que incluem estudos técnicos no bairro Sapiranga, identificação dos resíduos gerados na região, planejamento da infraestrutura necessária, definição das parcerias e avaliação das possibilidades de financiamento.
A expectativa é que o projeto contribua para transformar a Sapiranga em um modelo de bairro mais sustentável, com maior participação dos moradores na separação dos resíduos e no aproveitamento de materiais. A experiência também poderá servir de referência para ampliar as ações de economia circular em outras regiões de Fortaleza.

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