Pular para o conteúdo principal



DN Dengue

 

Nesta edição extra da newsletter do Diário do Nordeste, o editor de DN Ceará do Diário do Nordeste, Nícolas Paulino, conta os bastidores do especial “Dengue - 40 anos”, que relembra os primeiros casos da arbovirose que já infectou mais de 885 mil pessoas no Ceará, investiga por que o mosquito ainda é uma ameaça à saúde pública e quais são as tecnologias disponíveis para combater a doença.

Boa leitura!
Jornalistas de saúde do Ceará são acostumados a cobrir o tema dengue, seja pelo aumento repentino de casos ou pela aparente calmaria nos registros da doença, em determinados períodos. Uma das principais fontes de dados para essas análises são os boletins epidemiológicos da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), que há anos trazem uma informação quase sempre despercebida: os primeiros casos no Estado datam de agosto de 1986, há exatos 40 anos.

Ainda em julho, propus à equipe fazer um retrospecto de tudo o que se aprendeu em termos de combate, prevenção e tecnologia contra a dengue e seu mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Restava ainda descobrir como a arbovirose “chegou” e ganhou tanto espaço na saúde pública e no noticiário local. 

Ao longo de três semanas, vasculhamos boletins, informes, notas técnicas, reportagens antigas no arquivo do Diário do Nordeste e uma série de estudos acadêmicos sobre a doença. Além disso, contatamos e entrevistamos um time de especialistas na doença:
🔬 LCarlile Lavor: sanitarista, duas vezes Secretário da Saúde do Ceará e ex-coordenador do escritório da Fiocruz no Ceará; 

🔬 Antonio Silva Lima Neto, o "Tanta": epidemiologista e secretário executivo de Vigilância em Saúde da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa);

🔬 Luciano Pamplona: biólogo, superintendente da Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP);

🔬 Ivo Castelo Branco: médico infectologista, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical (NMT) da UFC;

🔬 Josete Malheiro Tavares: coordenador de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza (SMS) e ex-presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems-CE);

🔬 Izabel Florindo: professora da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e coordenadora do projeto da vacina cearense contra a dengue;

🔬 José Policarpo de Araújo Barbosa: sanitarista, pesquisador e professor ligado à área de Saúde Pública que já atuava em 1986.
Das pesquisas, a maior surpresa foi descobrir que os primeiros casos estariam ligados a turistas do Rio de Janeiro que visitaram praias de Aracati e Fortaleza, naquele período. Porém, por mais que tenhamos tentado, não conseguimos registros conhecidos do paciente zero da doença. 

O que mais se aproximou foi a história de Ilza Santos do Nascimento, de 29 anos, que em maio de 1986 apresentou sinais compatíveis com a sintomatologia clássica. O Ceará ainda não fazia o teste sorológico de confirmação, por isso o sangue dela foi enviado até um laboratório de referência em Belém do Pará. As autoridades alardearam na imprensa que era uma “forte suspeita”, mas, no fim das contas, o caso foi descartado.

Fato é que o mosquito transportou o vírus por vários bairros de Fortaleza, até chegar às imediações da rodoviária — uma hipótese para a doença ter se espalhado pelo interior do Estado, pouco tempo depois. A partir daí, como diz o ditado, “o resto é história”
Por que não vencemos a dengue? 

Em quatro décadas, o Aedes aegypti ganhou e manteve força no Ceará pela facilidade em se adaptar aos ambientes urbanos e à dificuldade em eliminar todos os possíveis criadouros, muitas vezes inalcançáveis para os agentes de endemias. O acúmulo de água em residências, típico de regiões com carência de abastecimento, também facilitou a multiplicação dos criadouros do mosquito.

Por isso mesmo, a possibilidade de novos surtos é permanente e mantém toda a rede de vigilância em alerta constante. Um fator complicador, que atrapalha a produção de vacinas eficazes, é a existência de quatro sorotipos do vírus. Como cada pessoa pode ser infectada até quatro vezes, grande parte da população cearense está vulnerável. Prova disso é que, tirando o editor que escreve esse relato, todos os seis repórteres envolvidos no especial já tiveram dengue, inclusive a forma mais grave da doença.

Todos os especialistas consultados foram unânimes em avaliar que a dengue não vai desaparecer, especialmente no contexto das mudanças climáticas que o Ceará, o Brasil e o mundo atravessam. A enfermidade já está na Argentina, nos Estados Unidos e na Europa, e nenhum método ou tecnologia funciona isoladamente para combatê-la.

Desde a escola, muitos de nós aprenderam o básico: na guerra contra a dengue, é essencial limpar quintais e esvaziar depósitos que possam acumular água parada. Como as campanhas de educação mais recentes comunicam, basta reservar 10 minutos da semana para fazer essa tarefa. Resta saber quantos de nós estão dispostos a realizá-la
LEIA TODAS AS REPORTAGENS DESTA SÉRIE:
DENGUE - 40 ANOS

Dengue chega aos 40 anos no Ceará com quase 900 mil casos e 680 mortes
DENGUE - 40 ANOS

Importada do Rio de Janeiro, como a dengue se espalhou pelo Ceará?
DENGUE - 40 ANOS
 
DENGUE - 40 ANOS

Do fumacê ao ‘exército’ de mosquitos, como o combate à dengue evoluiu no CE
DENGUE - 40 ANOS

Por que criar uma vacina contra a dengue é tão difícil e como está sua produção no CE?
Nícolas Paulino Editor de DN Ceará| Karine Zaranza Coordenadora de Jornalismo | Gustavo Bortoli Diretor de Jornalismo | Ívila Bessa Gerente de Jornalismo
InstagramInstagram
YouTubeYouTube
XX
FacebookFacebook
Enviado por: GEQ
Praça da Imprensa Chanceler Edson Queiroz, Bairro Dionísio Torres, Fortaleza, Ceará, 60135-690 BR

Comentários


Comentários

Para comentários públicos, favor utilizar campo ao final da notícia, logo acima da publicidade.

Notícias mais acessadas do mês

Morre jornalista Sarah Resende

 Morre a jornalista Sarah Resende, da Globo News. Foi editora sênior, roteirista e produtora de Podcast. Trabalhou também na Folha de São Paulo.

Loja Havan Fortaleza será a maior do Brasil

O dono e vendedor das Lojas Havan, Luciano Hang anuncia, que a loja Fortaleza será a de número 200 da Rede. A previsão é que a Loja Havan Fortaleza seja inaugurada até final de 2026, oferecendo 200 empregos diretos, totalizando na Rede 25 mil vendedores. A localização da Havan Fortaleza ainda não foi anunciada oficialmente, mas fontes extraoficiais indicam, que será na Avenida Washington Soares-Messejana. Uma coisa é certa: será a maior loja Havan do Brasil.

Ônix, Prisma, HB20 e Ka enfrentam escassez de peças originais

Líderes de roubo no país, Chevrolet Ônix e Prisma, Hyundai HB20 e Ford Ka enfrentam escassez de peças originais. Por dominarem ainda o setor automotivo, os furtos de carros a combustão ainda são superiores aos elétricos, embora estes últimos também estejam na mira do mercado ilegal de desmanches pelo valor da bateria, a peça mais valiosa e que pode atingir entre 50% e 80% do valor total do bem. Segundo o especialista Leonardo Mendonça, as peças mais visadas no Chevrolet Ônix e Prisma, Hyndai HB20 e Ford Ka são o catalisador, estepe, faróis, lanternas, baterias e módulos de injeção, além das rodas e pneus. Com o mercado de venda de automóveis usados em alta, com um crescimento de 10,7% em julho, totalizando 1.754.785 unidades, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a expectativa é que o ano de 2026 encerre superior aos 18,5 milhões de transferências realizadas no ano passado. O acumulado neste ano já é de 10,8 milhões de u...

V NM2B

  A 5ª edição do NM2B - Nosso Meio to Business está confirmada para o dia 12 de agosto, no La Maison, em Fortaleza. Com o tema "A força do que é real", o evento é promovido pelo Nosso Meio e deve reunir cerca de 700 participantes, entre executivos, empreendedores, gestores e lideranças do Mercado Nacional.  Desde 2022, o NM2B consolidou-se como um dos principais encontros do setor de negócios do Nordeste, reunindo profissionais de marcas como Bradesco, Samsung, Carrefour, Banco do Nordeste, LinkedIn, VISA, Grupo 3corações, TikTok e M. Dias Branco. A nova edição chega em um momento em que autenticidade e consistência ganham peso nas conversas sobre marca, liderança e estratégia. - Vivemos um momento em que todo mundo fala muito e poucos entregam de verdade. O NM2B sempre existiu para dar palco a quem constrói com consistência, e nesta edição isso fica ainda mais claro. Vamos reforçar que ser genuíno sustenta a confiança entre marcas, pessoas e mercado", afirma Tamires So...

Fala João Pedro Castro

 

Postagens mais visitadas deste blog

Morre jornalista Sarah Resende

 Morre a jornalista Sarah Resende, da Globo News. Foi editora sênior, roteirista e produtora de Podcast. Trabalhou também na Folha de São Paulo.

Loja Havan Fortaleza será a maior do Brasil

O dono e vendedor das Lojas Havan, Luciano Hang anuncia, que a loja Fortaleza será a de número 200 da Rede. A previsão é que a Loja Havan Fortaleza seja inaugurada até final de 2026, oferecendo 200 empregos diretos, totalizando na Rede 25 mil vendedores. A localização da Havan Fortaleza ainda não foi anunciada oficialmente, mas fontes extraoficiais indicam, que será na Avenida Washington Soares-Messejana. Uma coisa é certa: será a maior loja Havan do Brasil.

Ônix, Prisma, HB20 e Ka enfrentam escassez de peças originais

Líderes de roubo no país, Chevrolet Ônix e Prisma, Hyundai HB20 e Ford Ka enfrentam escassez de peças originais. Por dominarem ainda o setor automotivo, os furtos de carros a combustão ainda são superiores aos elétricos, embora estes últimos também estejam na mira do mercado ilegal de desmanches pelo valor da bateria, a peça mais valiosa e que pode atingir entre 50% e 80% do valor total do bem. Segundo o especialista Leonardo Mendonça, as peças mais visadas no Chevrolet Ônix e Prisma, Hyndai HB20 e Ford Ka são o catalisador, estepe, faróis, lanternas, baterias e módulos de injeção, além das rodas e pneus. Com o mercado de venda de automóveis usados em alta, com um crescimento de 10,7% em julho, totalizando 1.754.785 unidades, segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), a expectativa é que o ano de 2026 encerre superior aos 18,5 milhões de transferências realizadas no ano passado. O acumulado neste ano já é de 10,8 milhões de u...

V NM2B

  A 5ª edição do NM2B - Nosso Meio to Business está confirmada para o dia 12 de agosto, no La Maison, em Fortaleza. Com o tema "A força do que é real", o evento é promovido pelo Nosso Meio e deve reunir cerca de 700 participantes, entre executivos, empreendedores, gestores e lideranças do Mercado Nacional.  Desde 2022, o NM2B consolidou-se como um dos principais encontros do setor de negócios do Nordeste, reunindo profissionais de marcas como Bradesco, Samsung, Carrefour, Banco do Nordeste, LinkedIn, VISA, Grupo 3corações, TikTok e M. Dias Branco. A nova edição chega em um momento em que autenticidade e consistência ganham peso nas conversas sobre marca, liderança e estratégia. - Vivemos um momento em que todo mundo fala muito e poucos entregam de verdade. O NM2B sempre existiu para dar palco a quem constrói com consistência, e nesta edição isso fica ainda mais claro. Vamos reforçar que ser genuíno sustenta a confiança entre marcas, pessoas e mercado", afirma Tamires So...

Fala João Pedro Castro