Uma conferência-performance do artista visual Thyago Nunes simula ato público de reapropriação territorial, na Praça de Convivência do Banco do Nordeste Cultural de Fortaleza, nesta sexta-feira (14.agosto), às 19 horas. A manifestação artística questiona as desigualdades socioespaciais em Fortaleza (CE), considerando a construção do edifício mais alto da cidade, localizado no bairro Mucuripe, próximo à avenida Beira-mar. Por meio de imagens, dados e reflexões, a ação aborda conceitos como o racismo ambiental, segregação urbana e direito à cidade. Ao final, o público participa de um ato simbólico de reapropriação territorial, tornando-se proprietário de uma fração do arranha-céu.
- Trata-se de uma ação que se contrapõe à exclusão socioespacial e à lógica mercantilista intrinsecamente relacionada ao processo de modernização do Brasil”, explica o artista, acerca da ocupação desigual do território urbano da cidade, tomando como ponto de partida a construção do super prédio, símbolo das profundas disparidades entre áreas privilegiadas e territórios periféricos.
Segundo o artista, a negação da cidadania e práticas hegemônicas de poder reforçam a ideia de racismo ambiental, com base em assimetrias étnico-raciais. Nesse contexto, a reapropriação territorial é apresentada como um ato de insurgência, “um convite à subversão da ordem social e política vigente, em prol de uma distribuição mais igualitária da cidade”, enfatiza.
- Somos responsáveis pelas cidades em que vivemos e temos o direito e o dever de nos apropriar das discussões referentes à sua formação, história e desenvolvimento sociopolítico. Tais direitos se opõem às estruturas de opressão, símbolos que fortalecem a continuidade das supremacias e hierarquias sociais”, diz.
Thyago Nunes (1997) criou-se no bairro Moura Brasil (Fortaleza\CE) e atua como artista visual, pesquisador e arte-educador. É licenciando em Artes Visuais (IFCE). Realizou intercâmbio artístico no Centro de Arte Contemporânea de Huarte (2026, ES) e foi residente da 5ª edição do PRIS - HUB Cultural Porto Dragão (2025, BR). Membro fundador do jornal comunitário Rede Oitão e do coletivo artístico Cicloderiva, desenvolve pesquisas que atravessam território, identidade e direito à cidade, em produções artísticas que articulam performance, fotografia, videoarte e intervenções no espaço público, tensionando as dinâmicas de acesso, ocupação, fruição e edição das paisagens urbanas.
SERVIÇO
- Ato de reapropriação territorial
- Data: 14 de agosto (sexta)
- Horário: 19h
- Local: Banco do Nordeste Cultural Fortaleza (Rua Conde d'Eu, 560 - Centro
- Acesso gratuito
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