- O Ceará não precisa disputar com os grandes estados agrícolas brasileiros quem planta mais hectares. A oportunidade está em outra direção: produzir mais valor em um território marcado pela irregularidade das chuvas, pela limitação dos recursos hídricos e por condições que exigem eficiência para transformar adversidades em vantagens competitivas.
Os números recentes ajudam a mostrar esse caminho. No primeiro semestre de 2026, as exportações cearenses de frutas cresceram 32,4% e alcançaram US$ 62 milhões. Melão, melancia, banana, manga e mamão estão entre os produtos que levam a produção do Estado ao mercado internacional. O Ceará já responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de frutas.
Esse resultado é consequência de uma agricultura que incorporou irrigação, tecnologia, gestão e visão de mercado. É justamente aí que está uma das principais possibilidades de avanço do agro cearense.
Durante décadas, o desempenho da agricultura local esteve fortemente associado à qualidade da quadra chuvosa. Essa dependência ainda existe e pesa especialmente sobre culturas como milho e feijão. Ao mesmo tempo, experiências desenvolvidas no próprio Ceará, do início dos anos 2000, mostram que é possível construir uma economia rural menos vulnerável às oscilações climáticas.
O Ceará precisa voltar a tratar a agricultura irrigada como política de desenvolvimento regional, recuperar a capacidade produtiva dos perímetros irrigados e criar condições para que inovação e tecnologia cheguem também ao pequeno e ao médio produtor. Irrigação de precisão, reúso de água, monitoramento do solo, energia renovável e gestão profissional já não são diferenciais: são requisitos para produzir com competitividade no semiárido.
O Ceará não precisa copiar o agro de Goiás, Mato Grosso ou Paraná. Precisa desenvolver, com coragem, o agro que suas condições permitem liderar: mais tecnológico, mais eficiente no uso da água, mais integrado à agroindústria e capaz de gerar riqueza onde ela mais faz diferença, no interior.
Não é necessário plantar mais por plantar. É necessário produzir melhor, industrializar mais e fazer a riqueza permanecer no Ceará.
Carlos Matos
Os números recentes ajudam a mostrar esse caminho. No primeiro semestre de 2026, as exportações cearenses de frutas cresceram 32,4% e alcançaram US$ 62 milhões. Melão, melancia, banana, manga e mamão estão entre os produtos que levam a produção do Estado ao mercado internacional. O Ceará já responde por cerca de 10% das exportações brasileiras de frutas.
Esse resultado é consequência de uma agricultura que incorporou irrigação, tecnologia, gestão e visão de mercado. É justamente aí que está uma das principais possibilidades de avanço do agro cearense.
Durante décadas, o desempenho da agricultura local esteve fortemente associado à qualidade da quadra chuvosa. Essa dependência ainda existe e pesa especialmente sobre culturas como milho e feijão. Ao mesmo tempo, experiências desenvolvidas no próprio Ceará, do início dos anos 2000, mostram que é possível construir uma economia rural menos vulnerável às oscilações climáticas.
O Ceará precisa voltar a tratar a agricultura irrigada como política de desenvolvimento regional, recuperar a capacidade produtiva dos perímetros irrigados e criar condições para que inovação e tecnologia cheguem também ao pequeno e ao médio produtor. Irrigação de precisão, reúso de água, monitoramento do solo, energia renovável e gestão profissional já não são diferenciais: são requisitos para produzir com competitividade no semiárido.
O Ceará não precisa copiar o agro de Goiás, Mato Grosso ou Paraná. Precisa desenvolver, com coragem, o agro que suas condições permitem liderar: mais tecnológico, mais eficiente no uso da água, mais integrado à agroindústria e capaz de gerar riqueza onde ela mais faz diferença, no interior.
Não é necessário plantar mais por plantar. É necessário produzir melhor, industrializar mais e fazer a riqueza permanecer no Ceará.
Carlos Matos
- CEO da Sallto Empresarial.
- Ex-secretário da Agricultura do Ceará.
- Especialista em Desenvolvimento Regional

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