Em encontro com a imprensa esportiva cearense, o ex-secretário da Casa Civil, Chagas Vieira (foto), relata sua trajetória desde o rádio em Paracuru até a gestão de crises no Governo do Ceará, reforçando compromisso com a memória do rádio.
Em um discurso marcado pelo tom pessoal e de gratidão, o jornalista e ex-secretário da Casa Civil do Governo do Ceará, Chagas Vieira, reencontrou cronistas esportivos cearenses e relembrou os primeiros passos de sua trajetória profissional na comunicação. Afirmando "sentir-se em casa" entre os profissionais da imprensa, Chagas destacou que sua história de vida está profundamente conectada ao rádio e ao jornalismo esportivo.
Da Rádio Cultura de Paracuru à primeira matéria na TV
Durante a palestra, Chagas Vieira resgatou o início de sua carreira aos 15 anos de idade na Rádio Cultura de Paracuru, sua terra natal, e sua passagem pela Rádio Iracema, onde conviveu com nomes marcantes da crônica e do rádio cearense, como Oscélio, Miguelzinho, Ibernon e Anastácio de Castro.
Posteriormente, enquanto cursava o terceiro semestre de Comunicação Social na Universidade Federal do Ceará (UFC), ingressou como estagiário na TV Jangadeiro. Sob a coordenação de Marconi, fez sua primeira reportagem na televisão cobrindo o futebol local — oportunidade que conquistou após garantir (com uma sutil "mentira de estagiário") que já possuía experiência em reportagens de TV. Chagas contou ainda, de forma descontraída, que o apresentador e a coordenação da época chegaram a sugerir a troca de seu nome artístico para "Júlio Bianchi", apelido que recusou para manter seu nome de origem do rádio.
Experiência na iniciativa privada e gestão de crises no Governo
Após 20 anos na emissora, Chagas atuou como superintendente do SBT na Bahia por três anos e prestou consultoria ao Sistema Jornal do Commercio. Em 2014, assumiu a coordenação da campanha vitoriosa de Camilo Santana ao Governo do Estado do Ceará, tornando-se, a partir de 2015, o responsável pela comunicação governamental.
Em seu relato sobre a gestão pública, o ex-secretário enfatizou o enfrentamento de severas crises estaduais, como a seca prolongada por sete anos e os ataques de facções criminosas. Chagas destacou a resistência das forças de segurança e do governo durante os períodos de conflito e retaliação de grupos criminosos nos presídios, mantendo a firmeza das instituições estaduais.
Compromisso com a memória do rádio esportivo cearense
Ao finalizar sua fala, Chagas Vieira assumiu o compromisso de apoiar iniciativas que mantenham viva a história e a memória do rádio esportivo no Ceará. Ele ressaltou a parceria contínua com lideranças e profissionais do setor, citando nomes como Alano, Acilon, sua conterrânea Marta, Bruno e Carla.
Tenham em mim sempre esse parceiro. As instituições ajudaram e eu quero que essa memória fique viva no nosso rádio esportivo e no rádio como um todo.
Chagas Vieira.
A história de Chagas Vieira no rádio e a sua relação com esse meio de comunicação reuniu relatos desde os primeiros passos no interior até propostas de preservação da memória da imprensa esportiva cearense:
Início no Rádio Interiorano e Chegada à Capital
A trajetória de Chagas Vieira começou aos 15 anos de idade na Rádio Cultura de Paracuru, sua terra natal. Antes dos 18 anos, transferiu-se para Fortaleza para atuar na Rádio Iracema, onde trabalhou ao lado de nomes marcantes da comunicação local, como Oscélio, Miguelzinho, Ibernon e Anastácio de Castro.
O Rádio como Base para a Carreira na TV
Essa experiência inicial no rádio deu a ele a desenvoltura necessária para migrar para a televisão como estagiário na TV Jangadeiro. Logo em sua primeira reportagem de esporte, o coordenador Marconi sugeriu alterar seu nome artístico para "Júlio Bianchi", argumentando que "Chagas Vieira" parecia nome de locutor da TUF. No entanto, por conselho de sua mãe — de que "quem faz o nome é a pessoa" —, ele fez questão de manter o nome de origem do rádio. Anos mais tarde, após desempenhar diversas funções na TV Jangadeiro, tornou-se superintendente da TV e de cinco emissoras de rádio do grupo.
O "Veículo do Coração"
Mesmo acumulando quase duas décadas de atuação na televisão e ampla experiência com internet e gestão pública, Chagas destacou que o rádio é o veículo do seu coração e a sua essência. Ele ressaltou que o rádio se diferencia por permitir uma conversa direta com as pessoas e por ter sido a grande escola de sua vida.
Preservação da Memória do Rádio Esportivo Cearense
Durante visita à sede da Associação dos Cronistas Desportivos do Ceará (APCDEC) — instituição com 76 anos de história —, Chagas emocionou-se ao ver o acervo de aparelhos de rádio antigos e a estrutura de acolhimento oferecida aos radialistas do interior.
Para que essa trajetória não seja esquecida, ele propôs viabilizar uma exposição itinerante em shopping centers. O objetivo é exibir o acervo de rádios e fotos, mantendo viva a memória de ícones da crônica esportiva, como:
Sérgio Pinheiro
Carlos Fred
Sebastião Belmino
Júlio Sales
Alan Neto (a quem Chagas lembrou ter levado do rádio para a televisão, na TV Jangadeiro e na TVC)
A história por trás do nome artístico "Júlio Bianchi" é um dos episódios mais bem-humorados do início da carreira de Chagas Vieira na televisão, ocorrido durante seu estágio na TV Jangadeiro.
A mentira de estagiário: No terceiro semestre da faculdade de Comunicação Social na UFC, Chagas entrou como estagiário sob a coordenação de Marconi. Quando o então vice-presidente do Fortaleza surgiu para fazer uma denúncia e os repórteres titulares não estavam, Marconi perguntou se Chagas já tinha feito matéria de TV. Para não perder a chance, ele mentiu dizendo que fazia direto na faculdade. Desenrolado por conta da experiência no rádio, fez seis perguntas e a matéria ficou excelente.
A "criação" de Júlio Bianchi: Ao final da edição, Marconi perguntou o seu nome. Quando ele respondeu "Chagas Vieira", o coordenador disse que parecia "nome de locutor de TUF" e afirmou que ele não iria a lugar nenhum com aquele nome. Na hora, Marconi inventou o nome Júlio Bianchi, inspirando-se no Balé Hugo Bianchi, muito famoso na época, e colocou a entrevista no ar com essa assinatura.
Zoação na faculdade: Assim que a matéria foi ao ar, Chagas chegou à faculdade e virou motivo de piada entre os colegas, em uma mistura de inveja por ver o estudante de Paracuru na TV e zoação pelo nome inventado.
O conselho da mãe: Na reportagem seguinte, quando Marconi perguntou como ele queria assinar, Chagas recusou a mudança e lembrou de um ensinamento de sua mãe: "quem faz o nome é a pessoa". Ele pediu para manter Chagas Vieira, nome que permaneceu ao longo de toda a sua vida pública e profissional,

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