Escócia, Gales e Irlanda do Norte assinam pacto em Cardiff pelo fim do Reino Unido e volta à União Europeia
ANÁLISE - Por Carmen Pompeu
A manchete que parecia teoria da conspiração virou documento oficial. Segundo a Jovem Pan News com base no The Telegraph, nesta segunda-feira (14) em Cardiff, no País de Gales, os primeiros-ministros da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte vão assinar o primeiro memorando formal de cooperação para a dissolução do Reino Unido.
Não é mais só uma reunião. É um pacto com 4 eixos que muda tudo.
O QUE DIZ O DOCUMENTO QUE SERÁ ASSINADO:
- Economia e Energia: Vão criar um mercado comum próprio. Traduzindo: a Escócia tem 90% do petróleo e gás do Mar do Norte e energia eólica. País de Gales e Irlanda do Norte querem garantir que Londres não fique com tudo.
- Relações com a Europa: É a vingança do Brexit. O documento defende abertamente que Escócia e País de Gales independentes entrem na União Europeia como países novos.
- Autodeterminação: O ponto mais explosivo. Eles defendem o direito legal de cada nação fazer seu próprio referendo de independência, sem precisar da autorização de Londres. Hoje, a lei britânica obriga Londres a autorizar.
- O caso da Irlanda do Norte: Diferente dos outros dois, ela não viraria um país novo. Ela se reunificaria com a República da Irlanda e, por esse caminho, voltaria automaticamente para a União Europeia.
MINHA ANÁLISE - O QUE ISSO REALMENTE REPRESENTA:
É o fim do Acordo de 1707. Quando a Inglaterra e a Escócia se uniram para criar a Grã-Bretanha, foi por dinheiro. A Escócia estava falida. Hoje, a Escócia acha que fica mais rica sozinha com o petróleo e com a UE.
É um xadrez contra Londres. O governo trabalhista de Londres disse que um novo referendo na Escócia está "fora de questão". Ao assinarem juntos, os três criam uma crise constitucional. Londres teria que dizer NÃO para três povos ao mesmo tempo - e isso pega muito mal internacionalmente.
As implicações para o Ceará e para o Brasil são diretas:
a) Dinheiro: O Reino Unido é o 6º maior parceiro do Porto do Pecém em energia eólica. Empresas escocesas como a SSE são gigantes eólicas. Se a Escócia entrar em crise de independência, esses investimentos travam. A libra já caiu 0,8% só com o vazamento da notícia.
b) Precedente perigoso para a Espanha e para a Europa: Se o Reino Unido deixa 3 países fazerem referendo, a Espanha não tem mais como dizer não para a Catalunha. É o efeito dominó que Bruxelas mais teme.
c) Lição para nós: Aqui no Brasil a Constituição proíbe separação. Lá, eles têm um caminho legal para votar e sair. Esse memorando de Cardiff é justamente para criar esse caminho legal. É federalismo levado ao extremo.
O Blog apurou que a reunião será às 10h de Cardiff (6h da manhã em Fortaleza) e o documento deve ser publicado na íntegra às 14h locais.
É a maior crise territorial da Europa desde o Brexit. E começou com uma reunião que o Telegraph tratou como "planejamento do fim".

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