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Morre Zuenir Ventura


Morreu, nesta terça-feira (22/9/2026), aos 95 anos, o escritor e jornalista Zuenir Ventura (foto). Mineiro de nascimento em 1/6/1931, Zuenir Ventura é destaque no Jornalismo e na Literartura.

Sétimo ocupante da Cadeira 32 da Ac ademia Brasileira de Letras (ABL), Zuenir Ventura foi eleito em 30/10/2014, na sucessão do acadêmico Ariano Suassuna, e recebido em 6/3/2015, pela acadêmica Cleonice Berardinelli.

Bacharel e licenciado em Letras Neolatinas, Zuenir Ventura é jornalista, ex-professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola Superior de Desenho Industrial, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Colunista do jornal O Globo, ingressou no Jornalismo como arquivista, em 1956. Nos anos 1960/1961 conquistou bolsa de estudos para o Centro de Formação dos Jornalistas de Paris. De 1963 a 1969, exerceu vários cargos em diversos veículos: foi editor internacional do Correio da Manhã, diretor de Redação da revista Fatos & Fotos, chefe de Reportagem da revista O Cruzeiro, editor-chefe da sucursal-Rio da revista Visão-Rio.

No fim de 1969, realizou para a Editora Abril uma série de 12 reportagens sobre “Os anos 60 – a década que mudou tudo”, posteriormente publicada em livro. Em 1971, voltou para a revista Visão, permanecendo como chefe de Redação da sucursal-Rio até 1977, quando se transferiu para a revista Veja, exercendo o mesmo cargo. Em 1981, transferiu-se para a revista IstoÉ, como diretor da sucursal. Em 1985, foi convidado a reformular a revistaDomingo, do Jornal do Brasil, onde ocupou depois outras funções de chefia.

Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro 1968 - o ano que não terminou, cujas 48 edições já venderam mais de 400 mil exemplares. O livro serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.

Em 1989, publicou no Jornal do Brasil a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo e o Prêmio Vladimir Herzog. Em 1994, lançou Cidade partida, um livro-reportagem sobre a violência no Rio de Janeiro, traduzido na Itália, com o qual ganhou o Prêmio Jabuti de Reportagem. Em fins de 1998, publicou O Rio de J. Carlos e Inveja – Mal Secreto, que foi lançado depois em Portugal e na Itália. Já vendeu cerca de 150 mil exemplares. Em 2003, lançou Chico Mendes – Crime e Castigo. Seus livros seguintes foram Crônicas de um fim de século e 70/80 Cultura em trânsito – da repressão à abertura, com Heloísa Buarque e Elio Gaspari. No cinema, codirigiu o documentário Um dia qualquer e foi roteirista de outro, Paulinho da Viola: meu tempo é hoje, de Izabel Jaguaribe. Suas obras mais recentes são Minhas histórias dos outros, 1968 – o que fizemos de nós eConversa sobre o tempo, com Luis Fernando Verissimo. Seu livro mais recente é o romance Sagrada Família.

Em 2008, Zuenir Ventura recebeu da Organização das Nações Unidas (ONU) um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”. Em 2010, foi eleito “O jornalista do ano” pela Associação dos Correspondentes Estrangeiros.

Ao comentar sua série de reportagens sobre Chico Mendes e a Amazônia, The New York Review of Books classificou o autor como “um dos maiores jornalistas do Brasil”. A revista inglesa The Economist definiu-o como “um dos jornalistas que melhor observam o Brasil”.

Outras opiniões sobre o jornalista: “Ele nunca foi visto do lado errado. Foi sempre um tremendo batalhador. E só se torna amigo de um político depois que ele deixa o poder” (Elio Gaspari); “Ele tem uma tendência inata a renovar, a reformular o que não está bom” (Amílcar de Castro); “Um dos renovadores da linguagem e da feição gráfica do jornalismo brasileiro” (Luis Carlos Barreto).

Sobre o livro 1968, o ano que não terminou: “É um clássico” (Antonio Houaiss); “É muito bom o livro de Zuenir Ventura. O texto é cuidadíssimo, quem escreve sabe que aquilo que lá está foi reescrito ‘n’ vezes. É a melhor coisa que Zuenir já escreveu” (Paulo Francis); Sobre o livro Inveja – Mal Secreto: “Zuenir criou uma obra original, emocionante e invejável” (Maurício Stycer); “Nesse corajoso livro de Ventura, o eu também dá lugar aos outros (...) Resultou numa obra surpreendente” (Marcelo Pen); “...O jornalista Zuenir Ventura prova que domina a arte de prender o leitor, da primeira à última linha, o que já se sabia desde seus trabalhos anteriores” (Luiz Zanin Oricchio).

Zuenir Ventura tinha 95 anos de idade e  63 anos de casado com Mary Ventura, com quem teve dois filhos: Elisa e Mauro.


Perfil do Acadêmico

  • Sétimo ocupante da Cadeira 32, Zuenir Ventura foi eleito em 30/10/2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna, e recebido em 6/3/2015, pela Acadêmica Cleonice Berardinelli
  • Data de nascimento: 1/6/1931.
  • Naturalidade:Além Paraíba - MG
  • Data de Eleição para ABL: 30/10/2014
  • Data de Posse na ABL: 6/3/2015.
Jornalista Ronaldo Salgado:  CORAÇÃO PARTIDO, CIDADE PARTIDA-Não faço parte de nenhuma seção de Obituário de quaisquer jornais brasileiros - e devo lembrar de que isso, o Obituário, é uma tradição do jornalismo norte-americano. Mas hoje fui surpreendido com a pesada notícia da viagem pra Eternidade do jornalista Zuenir Ventura. Jornalista, cronista e professor dos grandões no universo da docência, da literatura e do jornalismo. Se algum jornalista faz ou sente o jornalismo como fundamental para a vida em sociedade, é tributário de Zuenir Ventura. Isso não é jogar confetes. É reconhecimento. É respeito. É reverência. É admiração pelo que Zuenir Ventura é como repórter. E como cronista de coisas graúdas e miúdas: o cotidiano, os bastidores, o palco principal, as esferas de poder e polícia... Zuenir, tal qual João do Rio do início do século XX, era repórter croniqueiro ou cronista reporteiro que fazia dos ofícios a letra mesclada do jornalismo e da literatura. De todas as reportagens jornalísticas brasileiras, a morte do líder ambientalista e seringueiro Chico Mendes, em 1987, e a Chacina da Candelária, no Rio de Janeiro, nos inícios dos anos 1990, são fundamentais para denunciar as mazelas que fraturam o Brasil como país. Melhor: são habitats literários e jornalísticos que o colocam num patamar incomensurável na literatura e no jornalismo do país. RIP Zuenir Ventura! Sangue ferve e pulsa em minhas veias!

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