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Morre Altamiro


O Estado de S.Paulo
O flautista Altamiro Carrilho tinha 87 anos - Reprodução
Reprodução
O flautista Altamiro Carrilho tinha 87 anos
O flautista Altamiro Carrilho morreu hoje de manhã no Rio, aos 87 anos. Ele tinha câncer e havia passado 17 dias hospitalizado mês passado. Essa semana voltou a passar mal e foi internado mais uma vez.

Vida e obra. Benedito Lacerda já era grande quando ligou na rádio Tamoio para ouvir seus choros de todos os dias. Flautista sem concorrência por aqueles anos 1940 e 1950 do Rio de Janeiro, ouviu alguém tocando um tema muito parecido com o que ele fazia. Sem se lembrar de quando havia gravado aquilo, chamou a mulher para tirar as dúvidas. "Ôndina, quando foi mesmo que eu gravei esta música que está tocando aí no rádio?" A mulher não se enganou. Quem estava tocando não era o marido, mas um garoto chamado Altamiro alguma coisa. "Vocês acabaram de ouvir a flauta de Altamiro Carrilho", disse o locutor no final. Benedito não se conteve. Vestiu as roupas e seguiu às pressas para a Rádio Tamoio a fim de conhecer aquele menino prodígio.

Altamiro Aquino Carrilho deixou muita gente de queixo caído desde que deixou Santo Antônio de Pádua, sua terra natal, e saiu pelo mundo com uma flauta transversal e uma infalível escolha de repertório. Muito antes de ser chamado pelo prestigiado flautista francês Jean Pierre Rampal como "o melhor do mundo", Altamiro precisou justificar cada nota que tocava, a começar pelos pais. Filho de família musical desde os tataravôs, passando por bisavôs, tios e primos, Altamiro teve algo parecido com uma flauta aos 5 anos de idade, quando Papai Noel lhe deu uma peça de lata com furos que lembrava um instrumento de sopro. Organizando as notas com sentido rítmico e melódico, o menino começou a fazer o pai perceber que daquele mato saía cachorro.

Aos 9 anos, Altamiro foi admitido para tocar caixa em uma fanfarra ao mesmo tempo em que se tornava um exímio construtor de flautas. Sua técnica consistia em serrar perto do ombro do bambu e furá-lo com ferro quente. A cada buraco que fazia, tocava para testar os sons. A cada teste, treinava os ouvidos e a embocadura. Até que um carteiro passou por sua casa e ouviu o som. "Quem está tocando?", perguntou para sua mãe. "É a flautinha de bambu do meu filho", respondeu Dona Carrilho. Altamiro saiu na porta e provou, aos 11 anos, que a mãe não estava brincando.

O carteiro, que também era apaixonado por flautas, ficou besta e decidiu dar aulas de graça para o garoto, emprestando sua própria flauta e ensinando teoria musical. Em pouco tempo, tudo o que era choro já saía daquele instrumento. Para comprar uma flauta de verdade, foi trabalhar com o tio em uma farmácia até juntar o dinheiro que precisava. De degrau em degrau, venceu o primeiro prêmio no programa de rádio Calouros em Desfile, de Ary Barroso, e começou a fazer seu nome. Forte nos improvisos, vigoroso no choro, Altamiro começou a gravar com quem lhe batesse à porta. E eles foram muitos. Seu primeiro disco solo veio em 1949, chamado Flauteando na Chacrinha. 

Quando veio 1951, o mesmo Benedito Lacerda que o escultou na rádio de queixo caído saiu do conjunto regional de Garoto, da Rádio Mayrink Veiga, para ser substituído por Altamiro. Francisco Alves, Orlando Silva e Vicente Celestino eram acompanhados por sua flauta. Na década de 1960, Altamiro saiu para shows pela Europa beneficiado por movimentos de redescoberta do choro. Aos 87 anos, Altamiro contabilizava mais de 100 discos gravados, cerca de 200 músicas compostas e o título de um dos maiores e mais talentosos embaixadores com o qual a música brasileira contou.

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