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Os Pobres Diabos

O cineasta cearense Rosemberg Cariry está em Brasília para apresentar a ficção “Os Pobres Diabos”, seu novo longa-metragem, na 46ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. A exibição acontece hoje (18), às 21 horas, no Cine Brasília, com debate marcado para amanhã (19), às 11h30, no Salão Caxambu do Kubitschek Plaza Hotel. Além de Rosemberg, participarão do debate a produtora Bárbara Cariry, o diretor de fotografia Petrus Cariry e os atores Silvia Buarque, Chico Diaz, Everaldo Pontes, Gero Camilo e Georgina Castro.
Filmado no município de Aracati, a 140 km da capital cearense, “Os Pobres Diabos” é o 12º longa de Rosemberg Cariry, que este ano completou 60 anos de idade. Do processo de pré-produção à finalização, o longa durou cerca de sete meses para ficar pronto, o que demonstra o eficiente desenho de produção e de domínio técnico do cinema realizado no Nordeste. O filme marca o retorno do cineasta à ficção, após os documentários “Patativa do Assaré, Ave Poesia” (2007) e “Cego Aderaldo – O Cantador e o Mito” (2012).
A trama surgiu das memórias do próprio cineasta quando vivia no sertão do Ceará, onde era comum a presença de circos itinerantes que, embora muito pobres, eram cheios de magia e de atrações exóticas como as rumbeiras mexicanas e os personagens inspirados nos grandes filmes de aventuras. “Entre as atrações eu gostava muito dos artistas sertanejos que vestiam roupas extravagantes e tentavam parecer internacionais, falando em outros idiomas, de forma bastante estropiadas, para dar ar de importância. Tudo parecia um sonho, naquele mundo de ilusões, de faz de conta. As peças teatrais, retiradas das canções melodramáticas ou dos grandes sucessos da literatura de cordel, eram fantásticas, surreais – dramáticas e cômicas ao mesmo tempo”, conta o diretor.
A ficção sempre exerceu grande fascínio em Cariry. “Fiz algumas ficções, mas meu último grande filme do gênero, em termos de dramaturgia e de recursos de produção, foi ‘Corisco e Dadá’. Os outros sempre tiveram um pé no documentário, um cinema híbrido. Com esse filme, eu retomo para uma narrativa ficcional, sem deixar de lado os cuidados e o experimento estético”, afirma. A estreia no 46º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro torna-se bastante especial para o cineasta, que já participou do evento com “A Saga do Guerreiro Alumioso” (1993), “Corisco e Dadá” (1996), “Lua Cambará – Nas Escadarias do Palácio” (2002) e “Siri-Ará” (2008), conquistando alguns prêmios.
“Os Pobres Diabos” mostra a difícil jornada dos artistas e trabalhadores de um pequeno circo lutando pela sobrevivência, permeada de aventuras e desventuras dos anti-heróis picarescos inspirados nas artes populares. “Vemos que o espetáculo continua, apesar de todas as dificuldades. O filme tem um espírito bem humorado, mas esbarra em uma dura realidade que se encaminha, no final, para uma tragicomédia”, afirma o cineasta.
O trabalho com o elenco foi essencial para o filme. Essa é a terceira vez que Cariry trabalha com os experientes Chico Diaz (“Corisco e Dadá” e “Lua Cambará”), Everaldo Pontes (“Siri-Ará” e “Folia de Reis”). A veterana Zezita Matos, atriz paraibana de “Mãe e Filha”, dirigido por Petrus Cariry, também integra o elenco. As novidades na equipe ficam com Silvia Buarque, considerada uma grata surpresa no longa, e Gero Camilo, ator cearense, com reconhecido trabalho no teatro e no cinema.
Além dos atores convidados, os próprios artistas de circos mambembes do Ceará ganharam papéis importantes. “A interação do elenco foi muito positiva para todos. Algumas partes do roteiro nós escrevemos durante as filmagens, o que permitia o crescimento dos personagens à medida que a dramaturgia era desenvolvida. Contei muito com o elenco nesse jogo lúdico e criativo. Eles iam se descobrindo e eu ia fazendo falas para eles. O filme tomou sua cara no fazer - um cinema de desafios, de improvisos, como as cantorias dos repentistas de viola”, lembra.
Após o Festival de Brasília, o filme “Os Pobres Diabos” continuará no circuito de festivais nacionais e internacionais. O lançamento comercial está marcado para o segundo semestre de 2014.
Sobre “Os Pobres Diabos”
O “Gran Circo Teatro Americano” perambula por pequenas cidades dos sertões, até chegar à cidade de Aracati, onde monta uma peça teatral. No cotidiano do circo, acontecem aventuras, nas quais os personagens agem ao modo picaresco dos anti-heróis da literatura de cordel e do romanceiro popular. As dificuldades se acumulam, mas a arte ajuda a superar desventuras e tragédias. O espetáculo não pode parar. 
Sobre Rosemberg Cariry
Filósofo de formação, cineasta por vocação, Antônio Rosemberg de Moura, de nome artístico Rosemberg Cariry, nasceu em Farias Brito – Ceará, no ano de 1953. Realizou doze filmes de longa-metragem, entre eles “Corisco e Dadá” e “O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto”. Paralelamente à sua atividade de cineasta, Rosemberg Cariry desenvolveu todo um trabalho como escritor, poeta e pesquisador das culturas populares, tendo publicado vários livros.
Um traço marcante da obra de Rosemberg Cariry é a busca sempre renovada das fontes e dos encontros culturais: procura extrair o universal do particular, estabelecer ligações entre as diferenças culturais e, em particular, entre as formas eruditas e populares. Assim, o seu trabalho, profundamente imerso na cultura no Nordeste do Brasil, chega ao universal, por meio de uma dimensão essencialmente humanista.

Mais informações para a imprensa nacional sobre “Os Pobres Diabos”:
Diego Benevides (diegobenevidess@gmail.com)
(85) 9615.8505 ou (85) 8878.1405

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