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África na Bienal do Livro

Com pique total, hoje pela manhã, foi de programação cheia na XI Bienal Internacional do Livro. No terceiro dia de evento, a sala 3 do Mezanino 2, no Centro de Eventos do Ceará, recebeu um convidado internacional. O encontro CPLP-Unilab promovido pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira realizou a mesa-debate “Literatura e História - Imagens do colonizado e do colonizador” com a participação do escritor moçambicano Ungulani Ba Kha Kosa. A conversa teve a mediação da professora Denise Rocha e presença de alunos da Unilab.
Utilizando o livro “Ualalapi” (romance de 1987) de Ungulani Ba como mote da conversa, o bate-papo girou em torno da importância de divulgar a história africana valorizando os personagens africanos, indo de encontro à visão da historiografia “oficial” que traz os fatos sob a visão do europeu colonizador.
Segundo Ungulani, contar a história africana contribui para a preservação dos mitos e aspectos culturais das tribos e sociedades africanas, muitos deles perdidos com o processo de colonização. “É a unidade dentro da diversidade. Seremos um encontro de tudo isso: a matriz branca, a africana, a ocidental”, destaca. 
Denise Rocha definiu a obra de Ungulani como uma novela de tradição oral que a deixou sem dormir. A professora elogiou a abordagem utilizada pelo autor que criou uma narrativa humanizada do personagem principal do livro: o imperador Ngungunhane, que aparece como um tirano e herói. O livro ambienta-se no fim do Século XIX em um contexto de conflito entre Portugal e Inglaterra, que estavam em processo de colonização da África. Os dois países lutavam pelo território de Moçambique. Ungulani afirmou que, para ele, “a literatura tem o poder de mostrar esse lado humano e valorizar essa faceta das pessoas”.
Steampunk - Parte da programação do Espaço da Juventude no Mezanino 2, na sala 8, foi uma palestra sobre steampunk. O encontro teve a participação de dois membros do Conselho Steampunk - Loja Ceará, Natasha Lins e Michel Vespasiano, e o quadrinista convidado Zé Wellington. Subgênero literário da ficção científica, o steampunk ficou conhecido na década de 80 e aborda um cenário distópico ambientado na Inglaterra da Era Vitoriana (período do reinado da Rainha Vitória, de 1837 a 1901). As narrativas costumam trazer elementos da tecnologia da época, por exemplo, máquinas movidas a vapor e histórias cujas temáticas tratam de críticas da situação precária de trabalho dos operários das indústrias da época.
A Bienal segue até o próximo domingo (14), das nove da manhã às dez da noite, no Centro de Eventos do Ceará.

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