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Protagonismo Negro no Mundo dos Vinhos

Sommelier resgata o Protagonismo Negro no Mundo dos Vinhos.

Afrotinto é um projeto audiovisual de Carol Souzah e Ravena Maia, que valoriza a presença preta no Mundo dos Vinhos.

Trazer as pessoas pretas para conhecer o melhor do Vinho! Esta passou a ser uma certa obsessão da sommelier, jornalista e colunista de Vinhos Carol Souzah, depois de observar por um bom tempo o entra e sai de clientes nas noites do então wine bar, o Terroir Bar, localizado no Rio Vermelho, e de sua propriedade. "Onde estavam as pessoas pretas, que não vinham conhecer os Vinhos?"

Carol percebeu, que havia uma lacuna voltada para a Cultura do Vvinho entre as pessoas pretas. A sommelier tentou de todas as formas aproximar os negros de uma Cultura, que, para eles, era algo muito distante e quase impossível.

- O povo preto não bebe Vinho. As pessoas pretas ainda consomem pouco Vinho. Eu fui dona de um bar de Vinhos em Salvador e, durante todo esse tempo, lutei para trazer pessoas pretas para esse consumo do Vinho. Sair de casa para beber Vinho, entrar em uma adega”, conta a sommelier.

Carol enfatiza a surpresa em se deparar com essa realidade e diz que vai contribuir para mudar esse cenário. O trabalho árduo da empresária para tentar despertar a curiosidade do povo preto passou por alguns processos dentro e fora do Terroir Bar.

- Eu me deparei com muitas pessoas, inclusive em ascensão financeira, professores universitários, dentistas, com um poder aquisitivo maior e que não entravam na Terroir porque achavam, que era muito chique, também porque achavam, que não entendiam de Vinho, se sentiam envergonhados. Existe uma coisa interessante e triste. A gente vê as pessoas brancas comemorando, brindando com espumante, mas as pessoas pretas não. As pessoas pretas do Brasil não têm a Cultura do Vinho. Mas agora a gente quer mudar isso”.

A empresária enxergou o racismo em torno da Cultura do Vinho em Salvador e a necessidade de esclarecer e cuidar para que um importante setor da gastronomia e enologia pudesse alcançar a todos. Foi neste processo de reflexão, que ela, em parceria com Ravena Maia, diretora de audiovisual, criou o Afrotinto, projeto lançado na última terça-feira (20/5), disponível no YouTube para o videocast, e no Spotify com o podcast, sem imagem.

- O Afrotinto é um projeto audiovisual feito através de edital da Lei Paulo Gustavo e Governo da Bahia e passa muito pela minha visão do Vinho e das coisas, que eu, como mulher preta, sommelier de Vinhos, vivo, vivi, acredito. Lutei muito, e luto ainda, durante toda a minha vida profissional na área, para trazer pessoas pretas ao consumo do Vinho, cada vez mais. Também a sustentabilidade, com os Vinhos Naturais e Orgânicos.”, esclarece.

A sommelier explica um pouco do que pode ser encontrado no audiovisual com dicas e histórias, sempre trazendo reflexões sociais, além do prazer, que a bebida universal pode proporcionar.

Uma das curiosidades, que Carol apresenta é a certeza de que os pretos deveriam se orgulhar da sua ancestralidade, inclusive com relação à cultura do Vinho. Ela conta, que:

- Existem evidências de que a África já cultivava uvas, aprimorava técnicas avançadas de vinificação. Os Vinhos também eram produzidos de maneira profissional no Egito e de forma refinada, evoluída para a sua época. Outras civilizações só passaram a utilizar essas técnicas depois”.

Ela diz, que a cultura dos Vinhos, por meio do povo egípcio, sofreu um apagamento histórico.

- O povo sofreu um epistemicídio, que é o apagamento histórico do saber de um povo e que resulta [neste caso específico] na compreensão incompleta das origens da produção do Vinho e da viticultura, achando, que começou na Europa, mas não. Os 'keméticos', derivado do termo 'Kemet' (ou 'Kmt' em egípcio antigo), que era o nome, que os próprios egípcios davam ao seu país, foram os primeiros a sistematizar o conteúdo, o conhecimento, na verdade, sobre a cultura das videiras e realizar a produção do Vinho. Eles foram pioneiros”.

Carol continua a nos presentear com a curiosa História da Cultura do Vinho Africano, contando as evidências encontradas e devidamente apontadas na Arqueologia.

- Essas evidências são encontradas em ânforas no antigo Egito, onde se encontrou, inclusive, vestígios de Vinho Branco, rosé e tinto, coisa, que passou a ser feita muito tempo depois, o Vinho rosé, no caso. É também importante falar, que as primeiras civilizações a fazerem Vinho, cinco mil anos antes de Cristo, seis mil, foram a Geórgia, o Irã, a Armênia e a África. Mas isso pouco se fala”, esclarece.

A empresária afirma, que o saber comum acredita, que foi na Europa, que nasceu o Vinho, “mas foi no Kemet, no antigo Egito — que significa povo preto. Inclusive, nas milhares de imagens das iconografias, existem, claramente, nas pinturas, evidências de que o povo era preto. Isso já deixa bem claro por que [o nome] Afrotinto, né? Porque o Vinho também passa pelo berço da civilização egípcia, que foi a primeira em tantos outros saberes, como astronomia, matemática e milhares de outros”, destaca, ao explicar por que escolheu o nome Afrotinto para o seu trabalho.

Ela enfatiza: 

- Kemet, Egito, África, estão entre as primeiras civilizações a fazer Vinho e foram a primeira civilização a produzir Vinho de maneira profissional. Existem vários Estudos Arqueológicos, que demonstram isso".

Carol explica, que os Vinhos Africanos na atualidade têm origem na África do Sul, atualmente um dos países mais respeitados na produção da bebida.

- Nos últimos 370 anos de História, a África do Sul, não mais o Egito, passa a iniciar o seu processo produtivo de vinho novamente, depois de dificuldades causadas por pragas, guerras, restrições comerciais, o próprio apartheid [...] a África do Sul passou a ser o nono maior produtor de Vinho do Mundo e a concorrer com países como Austrália, Califórnia, Alemanha e também países europeus. Hoje, a África do Sul é conhecida entre os primeiros dez países onde se produz os melhores Vinhos”.

A sommelier dá dicas das melhores uvas produzidas no país africano: "as duas uvas mais famosas da África do Sul no Vinho são a Pinotage (um cruzamento entre Pinot Noir e Cinsault), autóctone da África do Sul, que produz Vinhos Tintos, e a Chenin Blanc, uma uva francesa, que encontrou na África do Sul o seu território mais favorável para o plantio, que produz Vinhos Brancos".

E, para fechar, vamos aprender uma receitinha de drink de uma das uvas da África do Sul para celebrar o projeto Afrotinto, muito bem-vindo para se entender desse universo encantador de uma das bebidas mais universais do mundo!

- Um drink solar, refrescante, leve, cítrico e com toque de fim de tarde na Cidade do Cabo", enfatiza Carol, sobre a receita.

Ingredientes:

  • 90 ml de Vinho Branco Sulafricano (Sauvignon Blanc ou Chenin Blanc)
  • 30 ml de licor de Laranja (tipo Cointreau)
  • 15 ml de suco de Limão
  • Água com Gás
  • Rodela de Laranja ou toranja para decorar
  • Gelo

Preparo-Em uma taça de Vinho, adicione o gelo, o Vinho, o licor e o suco de limão. Complete com água com gás, mexa delicadamente e finalize com a rodela de laranja. Um brinde ao verão do Cabo!

Com informações de Isabel Oliveira.

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