No competitivo mercado de sobremesas congeladas, a capacidade de antecipar desejos tornou-se o principal motor de crescimento das marcas brasileiras. O lançamento recente de sabores sofisticados, como o Spéculoos e o Leitinho com Pistache na linha de self-service da cearense Frosty, ilustra esse movimento de sofisticação do consumidor. Segundo Christian Borges, diretor de marketing da marca, a introdução dessas novidades atende a pedidos expressos do público, integrando o sorvete a uma jornada de experiências sensoriais e momentos de indulgência cotidiana.
“São dois sabores pedidos pelo público e que a gente entende que eles podem fazer parte da jornada de experiências, de alegria e de novos sabores”, destaca Christian Borges.
O lançamento desses produtos funciona como o abre-alas de uma engrenagem econômica muito maior, ancorada em um mercado nacional que se consolida pela forte gourmetização.
Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias e do Setor de Sorvetes (ABIS), o mercado nacional de gelados comestíveis movimenta entre R$ 14 bilhões e R$ 15 bilhões por ano. Trata-se de um ecossistema de alta relevância, composto por cerca de 11 mil empresas que dão suporte a aproximadamente 100 mil empregos diretos e 200 mil indiretos.
A Frosty apresentou as novidades da empresa para jornalistas, blogueiros e influenciadores digitais, nesta terça-feira (18/08) na loja localizada no Reserva Mall, em Fortaleza.
O dado mais intrigante para analistas reside na disparidade de crescimento entre os nichos de produtos. Enquanto o mercado tradicional de sorvetes avança a taxas moderadas de 4% a 5% ao ano, o segmento de gelados premium experimenta uma expansão muito mais agressiva, variando entre 8% e 12% anuais. Esse dinamismo é sustentado por um público disposto a pagar um tíquete médio superior por ingredientes nobres.
Essa mudança profunda de hábito ajuda a explicar a verdadeira febre nacional em torno de insumos nobres como o pistache e o speculoos.
Como o Brasil não produz pistache, a totalidade do grão consumido é importada de países como Irã, Turquia, Argentina e EUA. Dados do MDIC revelam que, em 2023, o Brasil importou 601.062 quilos de pistache, o dobro da média dos cinco anos anteriores (de 340.333 quilos por ano).
A busca por essa semente e pelo speculoos caramelizado — que protagonizam os novos lançamentos da Frosty — transformou insumos outrora restritos a gelaterias de luxo em componentes indispensáveis para marcas de larga escala que buscam agregar valor ao portfólio.
“A gente tem desde o picolé e do sorvete, que já são conhecidos por muitos de vocês, até polpa de fruta, morango congelado, gelo saborizado, petit gâteau e brownie, além do mix que compõe com o sorvete, como a cobertura e a casquinha. E nós temos a intenção de lançar muito mais produtos em novas categorias durante os próximos anos”, antecipa Christian
A própria trajetória da Sorvetes Frosty reflete a maturidade de uma indústria que soube se profissionalizar nas últimas décadas. Fundada em 1990 em Fortaleza, Ceará, a Frosty começou como um negócio familiar caseiro na garagem de uma residência no bairro de Aldeota, sob a condução de Mariana Rocha e Affonso Taboza.
VIRADA DE CHAVE
O ponto de virada estrutural ocorreu em 2006, quando a marca foi adquirida pelo empresário Edgard Segantini Júnior, que iniciou um forte processo de modernização e expansão regional. Sob sua direção, a empresa cresceu impressionantes 120 vezes — um salto de 11.900% —, adquirindo marcas importantes do segmento, como Marujinho e Barbaresco, e criando as bases para a liderança no Nordeste.
Atualmente gerida pelo CEO Edgard Filipe Segantini, a Sorvetes Frosty ostenta a marca de maior vendedora de sorvetes do Nordeste, sustentando um market share de 70% em seu estado natal, o Ceará, e registrando um faturamento anual estimado na casa dos R$ 300 milhões. Essa escalada financeira foi pavimentada por uma expansão física vertiginosa: a companhia saltou de 80 lojas no final de 2023 para mais de 140 unidades próprias e pontos de venda em 2026, cobrindo seis estados brasileiros (Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco). Essa robusta capilaridade permitiu a consolidação regional da marca e o fortalecimento de sua logística de distribuição própria.
Hugo Costa, diretor de Expansão da Frosty, detalhou os próximos passos do plano de crescimento, que abrange novas praças no Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí.
"Estamos com 140 lojas e pretendemos abrir mais 12 este ano. Esse ritmo depende do andamento das obras e da abertura dos centros comerciais, mas já temos conquistas imediatas: a terceira loja em Mossoró está pronta para inaugurar. Em Aquiraz, na divisa com o Eusébio, a obra finaliza nesta semana para abrirmos em breve. Também já iniciamos as obras da loja no bairro Porto Alegre e receberemos no começo do mês a nossa quarta unidade em Caucaia", explicou Hugo Costa.
A estratégia de expansão da marca engloba também a modernização da rede existente, visando melhorar o fluxo e a capacidade operacional das lojas de alta performance. Paralelamente às aberturas, a empresa investiu em reestruturações.
“Vamos iniciar o relocation da loja da Francisco Sá, dobrando o seu tamanho no mesmo mall, e faremos a ampliação da loja Kennedy, em Teresina, aumentando a área de estoque para suportar o volume de vendas. A meta até o fim do ano é entregar 12 novas lojas e realizar pelo menos três grandes reformas", conclui o diretor de expansão.
No cerne dessa escalada está uma estratégia eficaz contra a sazonalidade, principal desafio do setor. Para evitar flutuações drásticas de receita nos meses de menor calor, a Frosty expandiu radicalmente o seu portfólio, acumulando um mix que ultrapassa 200 produtos.
Como detalhado pelo diretor de marketing, Christian, a empresa disponibiliza polpas de frutas, morango congelado, gelo saborizado, coberturas, casquinhas e itens de confeitaria congelada, como brownies e petit gâteau. Essa diversificação foi acelerada a partir de 2020 com a criação de um departamento de P&D dedicado, viabilizando lançamentos inovadores como a linha Gold de picolés especiais e a linha Pura Fruta para restrições alimentares.
APOSTA NA REGIONALIDADE
A aposta na regionalidade é outro pilar mercadológico que confere à empresa uma vantagem nítida frente a gigantes nacionais.
A viabilidade econômica e operacional de sustentar tal portfólio exige uma engenharia fabril de alta precisão. Na sede da indústria, em Maracanaú (CE), a Frosty opera em uma planta de mais de 14.200 metros quadrados, com capacidade produtiva diária de 150 toneladas de sorvete, 550 mil unidades de picolés, 12 toneladas de açaí e 9 toneladas de polpas de frutas. Para suportar a expansão física e a demanda por produtos premium, a empresa investiu R$ 40 milhões em modernização, adquirindo um maquinário automatizado importado da China por R$ 4 milhões. Essa máquina elevou a produtividade de picolés em 250%, gerando até 20 mil picolés por hora com 95% de automação.
O jornalista e blogueiro Lauriberto Braga conversou com Christian Borges, diretor de marketing da marca Frosty
A inovação estende-se também a processos que antes dependiam de metodologias tradicionais. Na produção de polpas de frutas, a Frosty adotou uma tecnologia de congelamento rápido e 100% natural, executado sem adição de líquido. Enquanto as metodologias de concorrentes exigem até 48 horas para a solidificação, o processo patenteado pela marca cearense congela a polpa em apenas 40 minutos, criando uma textura semelhante a um 'picolé sem palito' e preservando as propriedades originais da fruta. Essa agilidade técnica é complementada pelo fortalecimento da logística de gelados, suprindo uma lacuna mercadológica imposta pelo alto custo de transporte especializado na região.
Por fim, o sucesso da expansão repousa sobre seu modelo comercial democrático: o formato híbrido de varejo e atacado. Ao permitir que o consumidor adquira qualquer produto a preço de atacado a partir de cinco unidades, a marca estimula o tíquete médio e atrai diferentes públicos. Esse modelo provou sua força em Pernambuco — hoje o segundo maior mercado da marca — e na Paraíba, onde a rede projeta expansão contínua.
Christian reforça que os lançamentos como o Spéculoos e o Leitinho com Pistache são apenas o prenúncio de um plano de longo prazo que prevê a inserção em categorias de alimentos inéditas nos próximos anos. Assim, a Frosty consolida sua trajetória de 36 anos como uma das maiores referências industriais de gelados e inovação no país.
Confira o vídeo com Christian Borges, diretor de Marketing da Frosty:


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