Pular para o conteúdo principal



Defensoria Pública inspeciona Centro de Convivência Antônio Justa

São 78 anos do Centro de Convivência Antônio Justa, em Maracanaú, que hoje luta pela preservação da memória e do patrimônio histórico que resistiu ao tempo.

Pavilhões, Convento, Farmácia, Cine-Teatro, Ruínas da Antiga Praça, Casas que permanecem com sua estrutura original preservada, destoam das novas ocupações e contam sozinhas a sua história.

O local cuida de pacientes em tratamento da HHanseníase desde uma época em que a Política de Internação Compulsória era obrigatória para quem era diagnosticado com a Doença.


Após receberem denúncias de possíveis violações de Direitos Humanos sofridas por pacientes que residem no local, o Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas (Ndhac) da Defensoria Pública e o Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar (EFTA) realizaram uma vistoria no Centro. Participaram da inspeção da defensora pública Mariana Lobo, supervisora do Ndhac, e as representantes do EFTA, Geovana Patrício e Cecília Paiva.

A situação de negligências foi comunicada à Defensoria Pública no início de agosto por meio de um ofício denunciando problemas no fornecimento de alimentação, falta de materiais de higiene, hospitalares e de profissionais para acompanhar os pacientes que ainda estão em tratamento lá, além de problemas na estrutura do prédio.

“Antes dos problemas estruturais, encontramos pacientes apavorados com a possibilidade de transferência para outro local. Todos são idosos e estão há décadas morando lá, por isso nosso primeiro apelo é que o Estado olhe para essas pessoas e preserve a memória de um local onde esses pacientes passaram uma vida inteira. Conhecemos a dona Raimunda, que chegou no Centro com 50 anos e hoje está aos 84 anos de idade. Ela chorava muito, angustiada, com medo de ser transferida”, conta a defensora Mariana Lobo, supervisora do Ndhac.

Em novembro de 2018, o Coletivo Antônio Justa fez um pedido de tombamento dos prédios históricos e prontuários à Secretaria de Cultura do Estado. Na inspeção, foi encontrado problemas estruturais no prédio, ausência de manutenção nas instalações elétricas e hidráulicas, além da falta de uma equipe multidisciplinar que pudesse realizar o acompanhamento dos idosos.

“Ouvimos das pessoas que trabalham lá que há falta de manutenção no prédio, não tem atendimento de psicólogo, de assistente social, e os enfermeiros só estavam indo uma vez por semana. Outra situação grave que constatamos é com relação aos horários das refeições, a última servida é às 16 horas e a próxima refeição é apenas às sete horas do dia seguinte. Durante todo esse intervalo de tempo, são os próprios pacientes ou os colaboradores que precisam fazer cotas e comprar alguma coisa para comer no turno da noite. Quando não tem o dinheiro, eles ficam sem comer. Temos relatos de idosos que passaram mal por conta disso”, revela Mariana Lobo.

O Núcleo de Direitos Humanos e Ações Coletivas da Defensoria Pública e o Escritório de Direitos Humanos e Assessoria Jurídica Popular Frei Tito de Alencar estão elaborando um relatório para ser encaminhado ao Governo do Ceará, solicitando a preservação do local, com necessidade urgente de manutenção e reforma do Centro, além da presença de uma equipe multidisciplinar, com atendimento constante aos idosos, e a distribuição de alimentos de forma equilibrada.

“Vamos continuar acompanhando porque isso nos preocupa bastante, haja vista que as pessoas passaram uma vida toda naquele mesmo ambiente de segregação da sociedade, e são pessoas já bastante idosas”, reitera Mariana Lobo.

Com informações e foto da Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública Geral do Ceará.

Comentários


Comentários

Para comentários públicos, favor utilizar campo ao final da notícia, logo acima da publicidade.

Notícias mais acessadas do mês