Pular para o conteúdo principal



Tese de Doutorado da Uece é a 1º do Brasil em Administração a abordar Economia Azul

 A Organização das Nações Unidas (ONU) decretou o período de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. 

Foi tendo em mente o desafio de atender ao chamado para uma Economia Azul que o professor e pesquisador Carlos Dias Chaym começou a pesquisar o tema em 2018 no seu doutorado, que resultou na defesa da tese intitulada 'Economia Azul no Brasil: proposta de framework analítico para mensuração da prontidão tecnológica da Inovação Azul'. 

Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA/Uece), a tese é a primeira em Administração no Brasil a abordar a Economia Azul, “como destacou o professor Marcos Ferasso, da Universidad de Lima-Peru, que esteve presente na Banca”, aponta Carlos Dias Chaym. O trabalho teve como orientador o professor Samuel Façanha Câmara, que também é o cientista-chefe de Inovação e coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Uece.

Economia Azul - A Economia Azul é entendida como a junção entre a Economia do Mar com a sustentabilidade. Atividades como Logística Portuária, Turismo Costeiro, Esportes Náuticos, produção de Energia Offshore ou na Costa, por exemplo, já estão estabelecidas ao redor do mundo, porém normalmente não estão comprometidas com a sustentabilidade. 

- Isso se torna um desafio para o Brasil e outros 191 países signatários da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU, que traz 17 objetivos e 169 metas a serem cumpridas. Para a entidade, desenvolvimento sustentável é quando se explora comercialmente ou industrialmente um determinado recurso sem comprometer a capacidade das gerações futuras de fazer o mesmo”, detalha o pesquisador Carlos Dias Chaym.

Considerando que as inovações tecnológicas são o caminho para a mudança da economia do mar clássica para a Economia Azul, a tese de Chaym procurou saber se é possível mensurar a evolução de produtos ou serviços inovadores sustentáveis, no que ele chama de Inovação Azul. 

Foi desenvolvida então uma escala de mensuração que une a Technology Readiness Level (TRL) – escala criada pela Nasa para classificar o nível de maturidade de uma tecnologia – com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A TRL vai de 1 a 9, sendo que 1 é o nível mais incipiente de uma tecnologia e 9 é quando a tecnologia está plenamente desenvolvida para ser comercializada. Já os ODS serviram como variável proxy para saber qual o impacto de uma tecnologia nas três principais dimensões da sustentabilidade: Ambiental, Social e Econômica.

A escala criada pela pesquisa foi denominada de Blue-Technology ReadinessLevel (B-TRL), já que tem como foco a Economia Azul e, mais especificamente, o ODS 14 (Vida na Água).

 - Assim, uma tecnologia é classificada como sendo B-TRL 1/1 quando ela está em estágio embrionário (1, de 9 possíveis) e impacta somente em uma dimensão da sustentabilidade (1, de 3 possíveis). No outro extremo da escala, uma tecnologia pode ser classificada como sendo B-TRL 9/3, quando ela atinge o nível máximo de maturidade e tem impacto direto nas dimensões econômica, social e ambiental simultaneamente”, esclarece Carlos Chaym.

Práticas Cearenses - Para validar a escala, foi aplicado um método Delphi, com 50 pessoas diretamente envolvidas em atividades da Economia Azul, catalogando projetos de todo o Brasil. No Ceará, uma das iniciativas estudadas foi a Rede Cearense de Turismo Comunitário (Rede Tucum), articulação formada em 2008 por grupos de comunidades da zona costeira que realizam o turismo de base comunitária. São 14 comunidades, onde tudo que é ofertado para o turista é produzido pela própria comunidade. 

- O turista fica hospedado na casa das pessoas, não existe pousada ou hotel. Há atividades em que o turista vai vivenciar, trabalhando na agricultura, bioconstrução, artesanato em bordados ou renda de bilros. Ele vai não só para descansar, mas para se integrar com a comunidade”, conta o pesquisador.

A tese classificou a iniciativa da Rede Tucum com a escala B-TRL 9/3, uma vez que se encontra avançada em termos de maturidade, por já estar estabelecida no mercado, e impacta simultaneamente nas três dimensões da sustentabilidade. 

- A Rede evita o êxodo dos filhos da comunidade em busca de trabalho; gera emprego em uma área onde não tem indústria; fomenta a agricultura e pesca sustentável; trabalha a educação ambiental nos turistas ao mesmo tempo em que preserva o Meio Ambiente”, conceitua o pesquisador. 

Carlos Chaym destaca que a experiência da Rede Tucum se sobressai diante de outras atividades de turismo no Nordeste, já bastante desenvolvidas, mas que nem sempre são praticadas de forma sustentável.

A B-TRL é uma escala que pode ser usada nos vários setores da Economia e em qualquer lugar do mundo, já que suas métricas são internacionalmente reconhecidas. Assim, se um determinado País ou Região aplicar massivamente a escala B-TRL para determinado setor da economia, terá como avaliar seu desempenho em relação ao cumprimento das metas estipuladas para a Economia Azul.

Com informações da Coordenadoria de Imprensa do Governo do Ceará.

Comentários


Comentários

Para comentários públicos, favor utilizar campo ao final da notícia, logo acima da publicidade.

Notícias mais acessadas do mês