Jornalista Gilson Barbosa: Era manhã do dia 8 de junho de 1982, uma terça-feira. Acordava-me para mais um dia rotineiro de trabalho, como repórter ainda iniciante do também ainda muito jovem Diário do Nordeste. Enquanto escovava os dentes, o telefone da casa tocou e minha mãe chamou-me para atender a ligação. Naquele momento, todos os jornalistas da Redação estavam sendo imediatamente convocados para a cobertura de um triste fato: a aeronave Boeing 727-200, da Viação Aérea São Paulo (VASP), de matrícula PP-SRK, que realizava o voo 168, procedente do Aeroporto de Congonhas, com escala no Rio de Janeiro, espatifara-se contra a Serra da Aratanha, em Pacatuba, município da região metropolitana de Fortaleza, por volta das 2h45, enquanto fazia a manobra de aproximação para pousar no Aeroporto Pinto Martins. Morreram todos os seus 137 ocupantes, entre passageiros e tripulantes .Rapidamente um veículo do jornal veio e levou-me até a Redação. Lá, após receber as pautas a serem executadas, parti, como outros colegas do jornal e da imprensa local em geral, para o estádio de futebol de Pacatuba, de onde monótona e tristemente partiam e chegavam quatro helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB), que traziam, em enormes sacos de lona (listrados, de cores laranja e marrom, como recordo até hoje), os restos mortais, totalmente fragmentados, das vítimas da tragédia. Policiais militares e bombeiros já se encontravam no alto da montanha , exaustos, abrindo picadas para atingirem o local do acidente. No momento de minha chegada ao estádio, o acesso ao local já estava impedido aos jornalistas. Pouquíssimos chegaram até lá. Fiquei ali por horas e horas, durante meu turno de trabalho, juntamente com profissionais de imprensa de Fortaleza e de jornais e grandes redes de TV de todo o país, acompanhando e registrando os trabalhos de remoção dos corpos e do que era possível trazer da aeronave destroçada. Entre as vítimas estavam muitos (as) empresários (as) ligados (as) à indústria têxtil cearense, que retornavam da Feira Nacional da Indústria Têxtil (FENIT), em São Paulo; o industrial e empresário cearense Edson Queiroz, fundador, entre tantas empresas e instituições, do Diário do Nordeste; e o teatrólogo cearense José Carlos Matos. Durante vários dias o Diário do Nordeste, além de suas edições normais, publicou várias edições extras, atualizando seus leitores com relação ao trágico acidente, como a que ilustra este texto, de 10/06/1982, já abordando o cortejo e sepultamento das vítimas no Cemitério Parque da Paz, em jazigo coletivo, bem como a comoção generalizada no país e até no exterior, onde o fato teve grande repercussão. Faço o registro exatamente porque fui testemunha ocular de toda aquela movimentação decorrente do sinistro, que hoje , 8 de junho de 2026, completa exatos 44 anos.
Jornalista Gilson Barbosa: Era manhã do dia 8 de junho de 1982, uma terça-feira. Acordava-me para mais um dia rotineiro de trabalho, como repórter ainda iniciante do também ainda muito jovem Diário do Nordeste. Enquanto escovava os dentes, o telefone da casa tocou e minha mãe chamou-me para atender a ligação. Naquele momento, todos os jornalistas da Redação estavam sendo imediatamente convocados para a cobertura de um triste fato: a aeronave Boeing 727-200, da Viação Aérea São Paulo (VASP), de matrícula PP-SRK, que realizava o voo 168, procedente do Aeroporto de Congonhas, com escala no Rio de Janeiro, espatifara-se contra a Serra da Aratanha, em Pacatuba, município da região metropolitana de Fortaleza, por volta das 2h45, enquanto fazia a manobra de aproximação para pousar no Aeroporto Pinto Martins. Morreram todos os seus 137 ocupantes, entre passageiros e tripulantes .Rapidamente um veículo do jornal veio e levou-me até a Redação. Lá, após receber as pautas a serem executadas, parti, como outros colegas do jornal e da imprensa local em geral, para o estádio de futebol de Pacatuba, de onde monótona e tristemente partiam e chegavam quatro helicópteros da Força Aérea Brasileira (FAB), que traziam, em enormes sacos de lona (listrados, de cores laranja e marrom, como recordo até hoje), os restos mortais, totalmente fragmentados, das vítimas da tragédia. Policiais militares e bombeiros já se encontravam no alto da montanha , exaustos, abrindo picadas para atingirem o local do acidente. No momento de minha chegada ao estádio, o acesso ao local já estava impedido aos jornalistas. Pouquíssimos chegaram até lá. Fiquei ali por horas e horas, durante meu turno de trabalho, juntamente com profissionais de imprensa de Fortaleza e de jornais e grandes redes de TV de todo o país, acompanhando e registrando os trabalhos de remoção dos corpos e do que era possível trazer da aeronave destroçada. Entre as vítimas estavam muitos (as) empresários (as) ligados (as) à indústria têxtil cearense, que retornavam da Feira Nacional da Indústria Têxtil (FENIT), em São Paulo; o industrial e empresário cearense Edson Queiroz, fundador, entre tantas empresas e instituições, do Diário do Nordeste; e o teatrólogo cearense José Carlos Matos. Durante vários dias o Diário do Nordeste, além de suas edições normais, publicou várias edições extras, atualizando seus leitores com relação ao trágico acidente, como a que ilustra este texto, de 10/06/1982, já abordando o cortejo e sepultamento das vítimas no Cemitério Parque da Paz, em jazigo coletivo, bem como a comoção generalizada no país e até no exterior, onde o fato teve grande repercussão. Faço o registro exatamente porque fui testemunha ocular de toda aquela movimentação decorrente do sinistro, que hoje , 8 de junho de 2026, completa exatos 44 anos.

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