Jornalista Catharina Queiroz
Tenho vivido numa correria exaustiva... E a todo instante me deparo com pessoas próximas vivendo nesse mesmo compasso... Bateu a reflexão:
A correria virou status
Pergunte a alguém como está a vida e, muito provavelmente, a resposta virá pronta: "Tudo bem, só na correria". Como se estar ocupado fosse sinônimo de importância. Como se a falta de tempo fosse um troféu que carregamos para mostrar ao mundo que estamos produzindo, entregando, resolvendo e sobrevivendo.
Mas, no meio dessa corrida, o que estamos deixando para trás?
É a mensagem que fica sem resposta. É a ligação para um amigo que vai sendo adiada para amanhã, depois para a próxima semana, depois para quando houver tempo. É a visita aos pais que nunca acontece. É a viagem que fica para o próximo ano. É o almoço sem pressa que não cabe mais na agenda.
A correria tem ocupado tanto espaço que, muitas vezes, ela deixou de ser uma circunstância para se tornar uma prioridade. E talvez seja aí que mora a pergunta mais importante: nós realmente não temos tempo ou estamos escolhendo onde colocamos o nosso tempo?
Os dias passam numa velocidade assustadora. Meses viram anos. Crianças crescem. Pais envelhecem. Amigos se afastam. Oportunidades desaparecem. E seguimos repetindo que estamos sem tempo, como se a vida estivesse nos aguardando terminar a lista de tarefas para finalmente começar.
Mas e se ela já estiver acontecendo agora?
Talvez a grande ilusão seja acreditar que um dia a correria vai acabar. Que haverá uma semana mais tranquila, um mês mais leve, um momento perfeito para fazer tudo aquilo que estamos adiando. A verdade é que a vida dificilmente desacelera sozinha. Somos nós que precisamos decidir quando parar.
E será mesmo que uma pausa atrapalharia tanto assim? Será que aquela ligação mudaria o rumo do trabalho? Será que uma tarde livre comprometeria todos os resultados? Será que uma viagem, um café sem pressa ou uma conversa mais longa seriam tão prejudiciais quanto imaginamos?
No fim das contas, talvez o maior desafio não seja administrar o tempo. Talvez seja ter coragem de lembrar que viver também merece espaço na agenda..."
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