Paracuru estará em festa, neste sábado (20/junho/2026) com a inauguração da Rua Jornaliista Ivonete Maia (foto). Uma iniciativa da Associação Cearense de Imprensa (ACI) em parceria com a Câmara de Vereadores e Prefeitura de Paracuru, a Rua homenageia a professora, jornalista e radialista Ivonete Maia, que além de dar aulas no Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) foi presidente da ACI e do Sindicato dos Jornalistas do Ceará. Ivonete Maia sempre esteve a frente em defesa do bom Jornalismo. Chegou a dirigir com brilhantismo a Rádio Universitária FM 107.5. Seu legado é enorme para Comunicação Brasileira. Maria Ivonete Moreira Maia nasceu em Jaguaruana, em 4 de outubro de 1938 e morreu em Fortaleza, em 14 de fevereiro de 2012).
Como jornalista, atuou nos jornais O Nordeste, Gazeta de Notícias, O Povo e nas rádios Assunção Cearense e Verdes Mares, além de ter sido Diretora da Rádio Universitária FM..
Foi também professora e coordenadora do curso de Comunicação social, pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e chefe do então Departamento de Comunicação Social e Biblioteconomia. Posteriormente foi assessora do então Reitor Walter de Moura Cantídio e ouvidoria institucional, cargo que ocupou até julho de 2011.
Ivonete Maia foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Ceará (SINDJORCE), entre 1981 e 1986. Presidiu também, de 1989 a 1992 e de 2008 a 2012 a Associação Cearense de Imprensa (ACI).
Natural de Jaguaruana (a 180 quilômetros de Fortaleza), Maria Ivonete Moreira Maia era irmã de mais 14 mulheres e homens, filha de seu Carlos e dona Maria Maia, neta de Ana de Carvalho Moreira, “mulher valente”. Com infância vivida no interior do Estado, a avó materna lhe encaminhou a Fortaleza, para realizar os Estudos.
Ivonete formou-se em Letras (Faculdade Católica de Filosofia) e em Jornalismo (na 1ª turma do curso da Universidade Federal do Ceará, de 1969). Trabalhou nos jornais O Nordeste, Gazeta de Notícias e O Povo e nas rádios Assunção e Verdes Mares.
Foi professora do Curso de Comunicação Social da UFC e ocupou cargos de gestão também na Rádio Universitária e nas Edições UFC. Em sua trajetória, foi a primeira mulher a presidir um Sindicato de Jornalistas no Brasil (1981-1986) – o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a assumir a presidência da Associação Cearense de Imprensa (1989-1992 e 2008-2012).
Trajetória na ACI
Sua atuação na Associação Cearense de Imprensa foi expressiva, tendo sido eleita presidente da entidade por três mandatos. O primeiro deles foi em 1989, ano de grande ebulição no cenário político nacional, com a retomada das eleições para a Presidência da República, após a Redemocratização Brasileira que se consolidara em 1985.
A segunda gestão de Ivonete se deu no mais dramático momento contemporâneo da história da ACI. Em 22 de janeiro de 2008, ela assumiu a presidência da Associação, acompanhada de Wilame Moura (1º vice-presidente) e Izabel Pinheiro (2ª vice-presidente). Os cargos estavam vagos, por perda de mandatos, nos dois primeiros, e por renúncia, no segundo.
Tudo se dava após um dramático episódio, que levou associados a se desfiliarem da ACI e exigiu das diretorias subsequentes um trabalho de resgate da credibilidade da entidade, que prosseguiu nas gestões que a sucederam: Emília Augusta Bedê (2012), Nilton Almeida (2012-2013), Adísia Sá (2013-2016) e Salomão de Castro (2016-2019 e 2019-2022).
Desafios no segundo e terceiro mandatos
Conforme depoimento de Ivonete no livro “Associação Cearense de Imprensa – 85 anos na pauta do Ceará”, de Angela Barros Leal, a eleição de 22 de janeiro de 2008, que a levou ao segundo mandato, foi atípica, “fora de época com a qual foi encerrado um período tumultuado vivido pela entidade”.
Ainda em declarações registradas no livro, Ivonete apontou como primeira tarefa a reconquista da credibilidade dos Prêmios Anuais de Jornalismo, na sua 40ª edição, em 2008. “O que ocorrera no ano anterior (fraude nos resultados do prêmio para Jornalismo Impresso), cujos pormenores foram largamente divulgados na imprensa local e apurados em comissão de sindicância interna, estava superado e passava a se constituir em lastimável episódio da história da entidade”, afirmou.
O segundo mandato de Ivonete obteve ampla aprovação entre os sócios e, no dia 6 de agosto de 2010, a Assembleia Eleitoral a reelegeu para o terceiro mandato, por um placar dilatado: sua chapa obteve 172 votos, contra 16 da chapa concorrente. Neste mandato, foi realizada ampla reforma no edifício-sede da entidade, que contou com atuação conjunta do Governo do Estado (por meio do então secretário de Cultura, Auto Filho) e da Prefeitura de Fortaleza.
“Em julho de 2010, tínhamos, do quarto andar ao Terraço, uma nova ACI. Só vendo para crer. O investimento do Governo do Estado, parcela assegurada pela Prefeitura de Fortaleza para finalização de alguns serviços, prepararam a ACI para a busca de novos caminhos e realizações”, avaliou Ivonete também em depoimento a Angela Barros Leal, destacando na ocasião que faltavam 14 anos para o centenário da entidade, a transcorrer em 14 de julho de 2025. “Desde já, benvindo centenário”, afirmou à época.
Sintonia com causas sociais
Ainda em depoimento a Angela Barros Leal, a então presidente da Associação fez um balanço da atuação da entidade no que se refere à defesa de causas sociais. “A ACI esteve presente nos grandes momentos da história do Ceará. Apoiamos o movimento contra a pena de morte. Temos cedido o auditório para comitês em defesa das estatais, temos dado apoio a movimentos populares, sem comprometimentos partidários, e a ACI continua aberta a movimentos que venham dos segmentos organizados da população”, pontuou.
Ainda em declarações registradas no livro, Ivonete manifestou a convicção de que a Associação estava preservada, por ter quem a defensa e esteja atento aos fatos a ela relacionados. “O essencial para a ACI hoje é alguém que queira assumir os cuidados de uma entidade que não deve morrer”, enfatizou, sendo ouvida pelas gestões que a sucederam, bem como pelo conjunto de sócios que compõem a entidade.
Dez anos após sua passagem para o plano espiritual, a jornalista jaguaruanense tem seu legado mantido vivo pela atual Diretoria Executiva e sócios da ACI. Por isso, na data de 14 de fevereiro de 2022, dizemos, em alto e bom som: “IVONETE MAIA, PRESENTE”.



Comentários
Postar um comentário