Pompeo Macário Batista - A primeira vez que entrei num avião corria 1958. Voei de “saco” a bordo do PP-RJS, o avião, do aeroclube de Sobral. Era piloto, do alto dos seus 17 quase 18 anos, o comandante Ariston Pessoa de Araújo, instrutor e presidente do Aeroclube sobralense. Levado pelas mãos do Padre Palhano e de dom José Tupinambá da Frota, Ariston começou ali uma carreira brilhante que um dia alinharia na cabeceira da pista da TAF Táxi Aéreo, depois da TAF Linhas Aéreas, por fim a TAF-Cargo. Foram 60 anos de avião. Recentemente pilotou um de seus brinquedos preferidos, um dos pequenos aviões que fez como uma espécie de memórias de tudo o que pilotou na vida. Decolou, pousou, ficou feliz, alegre. Era o dia em que eu iria visitá-lo e saber como ia a saúde abalada. Estava em Cascavel, sua terra natal, e decolara da pista que construiu para animar a cidade. Esta manhã (ontem), por falta de aviador no céu, Ariston recebeu de Deus asas para voar sozinho, sem avião. Foi juntar-se a velhos companheiros que, como ele, lutaram e venceram sozinhos, sem ajuda, sem apoio, muitas vezes, incompreendidos e até postos de lado da vida profissional em suas moradas. Pararam os motores que impulsionavam a vida e o coração do comandante Ariston que deixa um buraco enorme em nossos corações. Perco o irmão que não tive, mas que adotei desde aquele distante 1958. Acompanhei sua vida inteira. Voei com ele a vida inteira. Sofri e participei de sua vida pessoal e profissional por todo o tempo. Escrevi sobre sua vida, obra e feitos. Hoje, escrevo sobre sua partida e a saudade enorme que fica. Que o aeroporto de Deus esteja com todas as luzes acesas, todas as cabeceiras enfeitadas, ILSs em funcionamento, rádio, bússola, sextante, tudo ligado para receber no céu um homem, que dignificou a vida e honrou, como raros, a profissão que carregou nos ombros e que deixa um legado de amor pelo o que fazia. Meu amigo velho, parar de viver não é morrer, mas deixar dito nos céus que um dia você passou por aqui.
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