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Fala Rogério Morais

Edilmar Norões
É verdade! Tudo que, nesse momento de muita tristeza diz-se sobre a personalidade do jornalista, radialista, Diretor de Programa e/ou Diretor Responsável, e colega Edilmar Norões, é pura verdade. Eu sinto a “obrigação” de também dar esse depoimento movido por um sentimento de civilidade, no sentido de afirmar que o “bom caráter”, nesse momento histórico do Brasil, deve-se também ser exaustivamente ressaltado - contraponto ao comum do momento - , infelizmente. No meio jornalístico – nas redações – é natural acusações de “mau-caráter”, principalmente quando se trata de chefia, nos confrontos de uma atividade difícil de ofício.
Em setembro de 1979, quando eu concluía o oitavo semestre do Curso de Comunicação Social – UFC – e ainda não havia cumprido o estágio obrigatório, como determinava o sistema curricular do curso, devido as minhas atividades no ME – Movimento Estudantil – a professora Adísia Sá, Coordenadora então do Curso, me indagou: “Meu filho, você não quer trabalhar no rádio? Eu respondi, - Posso, professora! A mestre completou: O rádio é bom... onde se aprende muito...
É outra verdade. Minha base jornalística não foi o curso de comunicação social, onde aprendi muito e me formei; foi a Rádio Verdes-Mares. Passei os melhores anos da minha profissão nessa emissora dirigida no dia a dia pelo jornalista Edilmar Norões. Foram quase 10 anos, antes de ir para a Rádio O Povo em 1988.
Entrei na empresa como “Repórter Estagiário”, fui admitido como “Noticiarista”, fui depois, - uma espécie de nomeação – “redator” e depois, sim, em três anos, nomeado a “Editor” e finalmente “Chefe de Jornalismo” , na voz do noticiarista/comunicador – Mardônio Sampaio, “Direção de Jornalismo Rogério Morais”. Uma grande honra. Todo esse processo sob a coordenação, direção e reconhecimento do Edilmar Norões. Todos os dias, pelo menos uma vez, me apresentava em seu gabinete. Nessa convivência aprendi muitas coisas boas como profissional e gente: Simplicidade, harmonia, ética, paciência, tolerância, compreensão e COMPANHEIRISMO! Sim, apesar da enorme distância que nos separava, em função e responsabilidade, ele era um companheiro. Sou muito grato ao Edilmar! Era assim que eu o travava: Edilmar! Meu melhor professor. Talvez pelo acolhimento na primeira vez em que eu fui ao seu gabinete: Um simples recém-formado, e o Diretor da Verdes Mares, Dr. Edilmar Norões. Senti-me em casa, apesar da timidez, como até hoje me sinto quando, preciso ir ao “Sistema”, na rádio, principalmente, quando ainda revejo alguns dos idos de 80: Dr. Tom, João, Paulo, Will, Farias, Serginho, alguns operadores e funcionários das antigas.
O Edilmar foi o maior Chefe de Jornalismo do Brasil nessa década. Comandava dezenas de profissionais do Rádio e TV. Todo dia e a qualquer hora tinha reunião. O rádio dos anos 1980 devolveu ao povo o serviço castrado pela censura do governo militar. O Edilmar soube, com muita competência, fazer a interseção, a mudança, entre a redação desconfiada e os novos talentos.
Nesse dia 20 de outubro de 2015, lembrando a convivência profissional com o Edilmar, nesse ensaio usando a memória, quero destacar o veículo: O rádio cearense, com um método que foi pioneiro no Brasil, ressurge com muita força. Em 1980, a rádio Verdes Mares, com a Direção do Edilmar, promove ampla reforma em sua estrutura jornalística. Até então, seus quadros eram formados por “antigos” profissionais de larga experiência vindos da fase anterior, período ou “anos de chumbo”. Narcélio Limaverde, Edson Silva, Mardônio Sampaio, Cireno Cordeiro, Newton Sales, Hilton Oliveira, Telma Costa, Catunda Pinho, Edmundo Maia, J. Ciro Saraiva, e o próprio, Edilmar Norões, Tom Barros, entre outros, além de Egídio Serpa e Nazareno Albuquerque, que atuavam também na TV Verdes-Mares.
Havia sim, um espaço que ficará congelado e que é retomado no clima das “liberdades democráticas”. A emissora – RÁDIO - sob a coordenação/direção do Edilmar Norões, se enquadra na nova era.
A programação vai deixando de ser tipicamente produzida previamente, como exigia a censura, e os enlatados oficiais e de emissoras semi-oficiais do eixo Rio de Janeiro-São Paulo e começa a ceder espaço para a fala do povo. O rádio sai do estúdio e vai aos bairros, às praças. O Programa Narcélio Limaverde se destacou nacionalmente, “fazia eco” na cidade. Os programas passam a ser jornalísticos, e os profissionais são agora locutores-apresentadores que entrevistam, comentam, criticam e orientam. Os noticiosos (jornais falados-fechados) que tinham horários definidos em sua programação, passam a ser prioridades na programação, ao vivo.
E aí os quadros da emissora vão ser revitalizados com talentos novos e formados pelo cursos de jornalismo da Universidade Federal do Ceará. José Maria Bezerra, Luis Sólon, Moacir Maia, Moreira Neto, Liduína Saraiva, Tertuliano Siqueira, Fenelon Rocha, Ariadine Araújo, Elza Ferreira, e muitos outros que vão atender à necessidade de produção de notícias, entrevistas gravadas e da organização da participação popular nos programas. São repórteres, redatores, editores e produtores que vão revitalizar o rádio cearense.
A reformulação valorizou o departamento e criaram-se as produções dos programas. Os “microfones abertos” para o ouvinte participar foi também encontrar a sociedade civil nas ruas, na reorganização das entidades de classe, sindicatos, micro e pequenos empresários, donas-de-casa, associação comunitária, estudantes, comerciários, operários, construção civil, professores e moradores de favelas. Repórteres do “Verdinho” nas ruas: Ely Aguiar, Marilena Lima, Cláudio Pinheiro, entre outros.
A experiência dos traquejados radialistas que conviveram com os dias de chumbo e o sangue novo dos recém-formados, deu a dimensão exata do contexto do momento oportuno. Nem sempre foi fácil repercutir a opinião do ouvinte e da a ele voz. Recados, avisos, comunicados, alertas, denúncias, protesto, reuniões, greves e negócios, são os ingredientes que passam a fazer o conteúdo do rádio cearense.
A Rádio Verdes Mares AM tinha três edições fechadas de 30 minutos do Rádio Noticias Verdes Mares (Manhã, meio dia e final da noite). Noticiários completos, com gravações editadas, flash ao vivo de vários repórteres setoristas inclusive de Brasília. Nesta época os ouvintes tinham o costume de ouvir os noticiários completos, com muita atenção ao áudio, como atualmente fazemos com a TV nos seus telejornais. Hoje a produção informativa do rádio é distribuída em toda a sua programação, através principalmente dos apresentadores, sem esquecer que ainda é forte a audiência do Rádio Notícias Verdes Mares das seis horas da manhã, com Tom Barros e Frank Rabelo, e o consagrado “Observador Político com Edilmar Norões”.

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