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| Audálio Dantas entre Ludenbergue Góes e José Paulo Kupfer (foto Eduardo Ribeiro). |
O Blog reproduz texto de Eduardo Cesário Ribeiro, do Jornalismo & Cia, em homenagem a Audálio:
"Companheiro de jornada de milhares de jornalistas de várias gerações, Audálio Dantas partiu na tarde desta quarta-feira, 30 de maio, algumas semanas antes de completar 89 anos de vida. Estava internado no Hospital Premier e já debilitado, nos deixou neste final de maio. Presto a ele uma singela homenagem, parceiro nosso que foi ao longo desses nossos quase 23 anos de jornada.
Audálio foi o primeiro assinante, em 1995, do então FaxMOAGEM. Desde ali, mesmo sem que fôssemos amigos pessoais, esteve de um modo ou outro ligado à história deste Jornalistas&Cia, que agora o reverencia por tudo o que fez e foi.
Quando foi convidado a reativar a Representação São Paulo da ABI, em 2006, após anos de descalabro, montou um Conselho Consultivo me chamando para integrá-lo.
Como esquecer a bela festa de posse realizada no Teatro São Pedro, com direito à participação do maestro João Carlos Martins? Deu um gás danado à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), naqueles anos, e um presente para a cidade de São Paulo:
O I Salão Nacional do Jornalista Escritor, me escalando para seu adjunto.
Levou multidões ao Memorial da América Latina em novembro daquele ano – em meio a um imenso feriado prolongado –, nos debates envolvendo jornalistas e escritores do naipe de Maurício de Sousa, Caco Barcellos, Luis Fernando Veríssimo, Antonio Torres, Juca Kfouri.
No ano seguinte, em 2008, novamente juntos, tive a oportunidade de participar da homenagem feita a ele pela Mega Brasil com o Prêmio Personalidade da Comunicação, tanto por sua atuação na ABI quanto por sua inigualável história de vida.
Ironia do destino, ele foi o terceiro personagem da série histórica Protagonistas da Imprensa Brasileira, organizada por este Jornalistas&Cia, a falecer em pouco mais de uma semana.
Os outros dois foram Alberto Dines e J. Háwilla.
Ironia do destino, Audálio foi nosso convidado especial na entrevista com J. Háwilla, em janeiro de 2008. Mas naquela entrevista já estávamos de olho nele e, em junho de 2010, foi a vez dele ser o Protagonista, a partir de uma longa entrevista feita por mim e pelo editor executivo Wilson Baroncelli.
Sempre muito próximos, escolheu a nós para com ele organizar o primeiro e único Encontro de Jornalistas de Tiradentes, em 2016, com participações marcantes de Miriam Leitão, Juca Kfouri, Josemar Gimenez, José Paulo Kupfer, Luís Nassif, Domingos Meirelles, Cida Damasco, Marcelo Beraba entre outras feras do jornalismo.
Inesquecível a viagem ao seu lado, de Vanira e de Mariana, sua caçula. Foram dias de muita doçura, carinho e amizade. Com direito a uma das mais engraçadas cenas que tive a oportunidade de presenciar e protagonizar e que conto em homenagem a ele, para que fique a imagem alegre de quem tanto fez pelo Brasil, pelo Jornalismo, pelos direitos humanos e pela democracia.
No Encontro de Tiradentes, organizado pelo então prefeito Ralph Justino, haveria também a entrega da Medalha Tiradentes aos jornalistas participantes do encontro.
Audálio não havia levado camisa social e perguntou se eu dispunha de alguma para emprestar. Como eu tinha levado uma camisa social preta a mais e não seria homenageado, disse que emprestaria sem problemas.
Passou o tempo e no dia seguinte, ainda sem uma definição sobre o uso da camisa, me liga o Juca Kfouri, perguntando sobre o traje da homenagem, pois também ele receberia a comenda. Eu não tive dúvidas. Falei: “Juca acho que vai ser uma coisa mais informal.
O próprio Audálio andou me assuntando sobre isso, mas acho que vai também esporte para a cerimônia. Passou alguns minutos e lá vem o Audálio me pedindo de novo a tal camisa preta, pois queria ir mais formal à solenidade. Aí já era tarde.
O Juca já havia se aprontado e estava a caminho da fazenda onde viveu Tiradentes, palco da tal homenagem. E não deu para avisá-lo a tempo.
O que se deu foi hilário: um Juca furioso conosco e totalmente esporte, numa solenidade com quase 50 pessoas em que só ele e mais um outro homenageado não estavam com trajes sociais. Furioso, soltando fogo pelas ventas. Audálio ria e Juca, por mais que quisesse, não conseguia transformar aquela comédia numa tragédia.
No final daquele dia, convidado a jantar conosco, limitou-se a dizer: “Não vou jantar com traíras”, e rimos todos a valer.
Dias depois, aparece o Audálio com a camisa preta lavada e engomada como nunca tinha sido na vida. Ganhei uma camisa praticamente nova e uma história para nunca mais esquecer.
Boa viagem Audálio. E a nossa solidariedade com Vanira e toda a família Dantas.
Eduardo Cesário Ribeiro".
O deputado federal e presidenciável pelo Solidariedade, Aldo Rebelo, comentou a morte de Audálio Dantas: "Nos deixa o grande jornalista Audalio Dantas, alagoano de Tanque D’arca, organizou o livro Quarto de Despejo de Carolina de Jesus".
O deputado federal e presidenciável pelo Solidariedade, Aldo Rebelo, comentou a morte de Audálio Dantas: "Nos deixa o grande jornalista Audalio Dantas, alagoano de Tanque D’arca, organizou o livro Quarto de Despejo de Carolina de Jesus".

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