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Futricas Papais

Radialista Cláudio Teran: EU, O RÁDIO E O PAPA-Em 2 de Abril de 2005 participei de uma
cobertura notável e histórica da morte de "João Paulo II", na Rádio Cidade AM. Será, que alguém lembra? Na emissora certamente não. Os envolvidos naquela tarde - quase todos não estão mais lá.
E memórias, no Radio, quem guarda é o radialista e seus ouvintes, mas aquele foi um dia especial de esforço coletivo. João Paulo II estava no limite de suas forças. A Globo e as emissoras mundiais
estavam no Vaticano. O Santo Padre se esvaía depois de longa enfermidade. Eu apresentava o Cidade em Movimento, na Cidade AM. E era diário. Uma hora de duração. Política e cidadania na pauta.
Quando comecei veio a notícia. Morreu o Papa. Paramos tudo para cobrir, e não havia nada programado. A Cidade toda arrendada não tinha um Departamento de Jornalismo, mas de repente quem se encontrava lá decidiu ajudar a fazer. O saudoso Flávio Moreira mobilizou a turma do Esporte. Meu programa tinha o Lúcio Filho de repórter. Liliane Rocha nos telefones, Ileuda Silva operadora. Mas viramos gigantes! Quem escutou deve ter achado, que a riqueza de fatos e informações estavam programadas e planejadas. Nada! Foi tudo na hora. Viramos uma CNN. Todos os colegas da emissora se somaram, companheiros da TV Cidade deram sua cota, e traziam gente pra falar, ligavam e entravam ao vivo. Contavam o que se passava. Colegas de outras Rádios pediam para falar e a gente colocava no ar na hora. Viramos hard News aliando improviso e profissionalismo durante várias horas. De pessoas comuns ao arcebispo, a voz foi dada a quem queria falar. E ouvimos autoridades, políticos, padres, pastores, fizemos valer a diversidade no ar.
A cobertura empolgou de tal forma, que os que tinham programas após o Cidade em Movimento abriram mão e fiquei ao microfone para além das 6 da noite, num tom de cearensidade para tratar da morte do Papa. Foram tantos pontos altos, mas eu guardo o melhor deles, a entrevista com os padres, que compuseram a canção 'Obrigado João Paulo'. Os padres Gotardo e Tula estavam
em algum lugar e ouviram o que a gente estava fazendo. Ligaram para contar, que fizeram a Música de um dia para o outro. E Gonzagão fez a gravação quase de improviso com a ordem de toca-la ao vivo para o Papa na visita ao Ceará em 1980. Nesta segunda (21/4) vendo e ouvindo a cobertura da morte de Francisco, me veio a mente aquele dia de notável e improvisada cobertura. Histórica.
Esquecida na poeira do descaso, mas segura e firme nas minhas memórias...

Papa João Paulo II fez de Francisco, cardeal (2001)


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