Empresas passam a ser responsáveis pela prevenção do adoecimento mental, alerta nova NR-1.
Uma mudança silenciosa nas normas trabalhistas brasileiras deve provocar um impacto significativo na forma como as empresas lidam com seus colaboradores. A nova versão da NR-1 (Norma Regulamentadora nº 1), publicada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece que as organizações agora são legalmente responsáveis pela prevenção do adoecimento mental de seus funcionários.
Na prática, isso significa que, além das medidas já exigidas para proteger a integridade física dos trabalhadores, os empregadores devem também identificar, avaliar e controlar os riscos psicossociais, como sobrecarga de trabalho, assédio, estresse, falta de reconhecimento e desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.
A nova NR-1 ainda determina que a saúde mental seja incorporada aos treinamentos obrigatórios de segurança do trabalho, com conteúdos atualizados, rastreáveis e contínuos. As empresas também devem manter registros e evidências de que atuam na prevenção desses riscos, inclusive com terceirizados.
Segundo especialistas, essa atualização representa uma transformação profunda na cultura corporativa brasileira.
- A Saúde Mental deixou de ser um tema subjetivo e passou a ser uma obrigação regulatória. A nova NR-1 impõe que as empresas reconheçam os riscos psicossociais, avaliem seus impactos e adotem medidas práticas para preveni-los”, explica Pedro Junior, CEO da CUIDARH, consultoria especializada em gestão de pessoas e benefícios corporativos.
A negligência com a nova NR-1 pode trazer consequências sérias. Além de multas e autuações, o não cumprimento pode fortalecer ações trabalhistas, especialmente em casos de afastamentos por causas emocionais. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior índice de transtornos de ansiedade no mundo, e está entre os primeiros colocados em registros de burnout e depressão relacionados ao trabalho.
- Se antes saúde mental era tratada como algo abstrato, hoje ela está na planilha de riscos da empresa. Prevenir adoecimento não é mais uma escolha, é uma responsabilidade. As organizações que investirem em ambientes saudáveis e capacitação humanizada vão liderar não só pela conformidade, mas pela consciência”, reforça Pedro Junior.
Para ele, empresas que se anteciparem à fiscalização e adotarem uma cultura de cuidado ativo com seus colaboradores, por meio de treinamentos bem estruturados, diálogo aberto e ambientes de trabalho mais empáticos, estarão mais preparadas para os desafios do Mercado atual.

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