Prefeitura de Fortaleza promove Encontro com Famílias Doadoras de Órgãos.
É 13º Encontro promovido pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (CIHDOTT) do IJF.
O evento reuniu 40 famílias na Casa Barão de Camocim, entre as que autorizaram a doação e pessoas transplantadas. Também participaram profissionais e colaboradores do IJF, que fortalecem a rede de solidariedade em torno desse ato, que salva vidas todos os dias.
A doação de órgãos é um ato de solidariedade e empatia. Além de salvar vidas, traz conforto às famílias, que encontram alívio ao saber que a perda de um ente querido ajudou outras pessoas a continuar vivendo. Mais do que prolongar a vida, o gesto transforma a despedida em esperança, permitindo, que outros possam recomeçar.
Com esse propósito, o Instituto José Frota (IJF), hospital da Prefeitura de Fortaleza, promoveu, nesta terça-feira (23/9/2025), o 13º Encontro de Famílias Doadoras de Órgãos. A iniciativa integra as ações do Setembro Verde, mês de conscientização e incentivo à doação de órgãos e tecidos.
O evento reuniu 40 famílias na Casa Barão de Camocim, entre as que autorizaram a doação e pessoas transplantadas. Também participaram profissionais e colaboradores do IJF, que fortalecem a rede de solidariedade em torno desse ato, que salva vidas todos os dias.
O brasiliense Altair Almeida (foto) precisou se mudar para Fortaleza por conta da referência do IJF e do Hospital de Messejana em captação de órgãos e transplantes; e em março deste ano, conseguiu um novo pulmão
O IJF é referência na assistência a vítimas de traumas de alta complexidade e se destaca por sua contribuição ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Diógenes Lima é uma das pessoas, que passaram pelo processo de captação do IJF e, graças ao transplante de coração, conquistou, em suas palavras, uma nova vida.
- Em 2007, eu era obeso, por minha responsabilidade, e acabei sofrendo um infarto. Fui socorrido no IJF, onde fui estabilizado, e depois encaminhado para o Hospital de Messejana. Quinze dias depois, tive um AVC e precisei voltar ao IJF. Na época, ainda era possível receber o transplante ali, então iniciei o tratamento”, relembrou.
- Consegui me recuperar do AVC e segui em acompanhamento de 2007 até 2016. No meio de julho de 2016, meu quadro piorou e precisei me internar. Fiquei dependente de medicação, aguardando por um coração. O primeiro órgão disponível não foi doado pela família; o segundo não pôde ser utilizado. No terceiro, no dia 2 de agosto, o coração foi oferecido a outro paciente, mas não deu certo. Então, no dia 24 de agosto, chegou o meu coração. Eu disse: ‘Pode dar, porque estou preparado. Vamos em frente’”, contou.
Quem também precisou de transplante foi o brasiliense Altair Almeida. Ele relatou, que precisou se mudar para Fortaleza por conta da referência do IJF e do Hospital de Messejana em captação de órgãos e transplantes e, finalmente, em março deste ano, conseguiu um novo pulmão.
- Fui diagnosticado com fibrose pulmonar idiopática em 2018, quando ainda morava em Brasília. É uma doença progressiva e, até 2023, consegui conviver com ela. O transplante era uma possibilidade distante. Mas, em 2023, meu quadro se agravou muito. Já não conseguia mais respirar e passei a depender de oxigênio 24 horas por dia”, comentou.
- Até que, em março de 2025, graças a Deus e a uma família, que disse ‘sim’ em meio à dor, chegou o meu pulmão. O órgão estava em boas condições e a cirurgia pôde ser realizada. Desde então, tenho vivido uma nova vida. A importância da doação de órgãos é indiscutível. Eu, como transplantado, sei o quanto significa. Cada ‘sim’ salva vidas. Por isso, hoje também me envolvo nessa causa, tentando conscientizar outras famílias. Entendemos a dor da perda, ninguém julga. Mas é preciso lembrar: naquele instante de despedida, alguém pode estar recebendo uma nova chance de viver”, reforçou.
Já Elisangela Rodrigues (foto) era tia-mãe de Valdenia Maria, que faleceu em 2024, tendo cuidado dela desde o nascimento. Para Elisangela, a doação foi a melhor escolha, que a família poderia ter feito após a tristeza da perda.
- Na hora, acredito que foi a melhor decisão da família. Quando foi comunicado, meu coração disse sim, mas a decisão ficou a cargo da mãe dela e da irmã e, graças a Deus, elas também disseram sim. Hoje é gratificante saber, que tem um pedacinho dela fazendo pessoas felizes. Tenho certeza de que a decisão dela também seria essa, pois era uma pessoa, que só fazia o bem”.
Referência nacional: Elisangela Rodrigues era tia-mãe de Valdenia Maria, que faleceu em 2024. Para ela, a doação foi a melhor escolha, que a família poderia ter feito após a tristeza da perda
Atualmente, o IJF é responsável por 38% das doações de órgãos disponibilizados para transplantes no Ceará. De janeiro a agosto de 2025, já foram realizadas 108 captações de órgãos e tecidos no hospital. Em 2024, foram 197 procedimentos no ano todo. No mesmo ano, a taxa de aceite familiar foi de 84%, enquanto a média nacional é de 54%.
João Gilberto, superintendente do IJF, reforçou os bons resultados do hospital e afirmou, que eventos como o Encontro de Famílias Doadoras auxiliam a aumentar o número de transplantes.
- Eventos como este ajudam a aumentar nossa taxa de efetividade na doação. Hoje, o IJF tem uma taxa de aceitação em torno de 84%, enquanto a média nacional é de cerca de 54%. Isso mostra, que nossa equipe está preparada para acolher as famílias, esclarecer dúvidas e oferecer segurança nesse processo”, afirmou.
Aline Alves, coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos do IJF, comentou sobre o processo de doação e o trabalho de acolhimento realizado pela instituição para famílias de potenciais doadores após o falecimento.
- O processo começa com a identificação de possíveis doadores nas unidades de terapia intensiva ou nas emergências. Quando a equipe assistencial identifica um paciente neurocrítico e é realizado o diagnóstico de morte encefálica, a comissão de doação passa a acompanhar a família”.
- Nesse momento, nosso trabalho vai além da parte técnica: oferecemos apoio emocional com acolhimento, respeito e empatia. Procuramos esclarecer todas as dúvidas sobre o processo. Após a confirmação da morte encefálica, apresentamos à família a oportunidade da doação. Se houver consentimento, é preenchido o termo de autorização, que é encaminhado à Central de Transplantes. A central, então, seleciona os receptores compatíveis”, reforçou.
A forma mais importante de se tornar doador de órgãos é manifestar o desejo em vida e comunicar à família. Embora seja possível registrar a intenção em documentos pessoais, como carteira de identidade ou CNH, a decisão cabe aos familiares no momento da morte encefálica. Por isso, conversar com eles é fundamental.
Após a confirmação de morte encefálica, órgãos como coração, pulmão, fígado, rins e pâncreas, além de tecidos como córneas, ossos e pele, podem ser doados. A equipe médica realiza exames rigorosos e, em seguida, conversa com a família para obter autorização.
Com fotos de Tainá Cavalcante.



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