Morreu hoje (8/maio/2026), aos 58 anos, em Fortaleza, a arquiteta Marcela Brasileiro (foto). Professora Denise Costa-Sai ontem (7/maio/2026) do hospital com o coração dilacerado. Segurei por meia hora na Unidade de Terapia Intensiva-UTI a mão dela fria e delicada, muito pálida. Aquele monte de tubos sustentavam uma vida física que não estava mais ali no sentido pleno. Me pareciam segurar o espírito dela que queria partir para outro plano mas não conseguia se desprender. Não tenho religião e nem ela dizia ter, mas somos ambas Gnósticas, ou seja, cremos em Deus de uma maneira diferente da maioria. Mesmo assim ela ia a missa quando podia. Segurei na mão dela e rezei o pai nosso repetidas vezes como um mantra para que o Espírito dela deixasse esse plano material onde ela estava sofrendo tanto e para onde nos viemos apenas para aprender e evoluir espiritualmente. Vou sentir muita falta da companhia dela, do jeito suave e leve de estar comigo nos momentos (de todos os tipos)nos quais estivemos juntas. Marcela não era arquiteta no sentido formal da profissão. Ela ia além e era poetisa e artista. Interpretava a alma e acolhia o jeito de ser de cada um na sua essência, na vida e no trabalho. Amiga irmã que a vida me deu. Vou sentir muitas saudades de você Marcela. Mas te guardo nas memórias, no afeto e no coração. Te amo! Que seu espírito seja acolhido em luz e paz. Você cumpriu com maestria e leveza sua missão na terra".Jornalista, cronista e professor Ronaldo Salgado: AMIZADE IN PARCO EXTREMIS
Jamais poderei afirmar que fomos amigos in pectore. Talvez tenha estado com Marcela Brasileiro cinco vezes, contadas na minha mão esquerda - mesmo locus que se atribui ao coração. Essas cinco vezes foram me presenteadas pelo amigo Daniel Gruber. Encontros circunstanciais; diria: mundanos, da vidinha besta de cada dia, aleatórios, despretenciosos, fugidios... Chame da forma que quiser. Mas eu prefiro dizer: Encontros com E grande. Um deles, Marcela, com sorriso infindo e luz maiúscula, já travava a batalha da vida. Com sorriso. Com dignidade. Com brilho nos olhos como se levasse a boca para gargalhar nas pupilas. Esteve uma vez no meu 1/4 de Bar - Terraço Poeta Sales, parte íntima do meu Jardim de Poesia, Saudade e Cerveja! Conversa de afeto. Palavra miúda para não fazer barulho, coisa que jamais combinou com o espírito dela. A arquitetura das palavras era reflexo da arquitetura da vida; e a vida da arquitetura que professava. Não fui um amigo longevo; fui amigo circunstancial cujo sentimento hoje agradece pelo simples fato de tê-la como amiga por instantes - instantes que definem o que é a vida! Em reverência, saudade, memória, oração e gratidão!




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