O Dia Internacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 7 de maio, reforça um alerta importante para a saúde feminina: a doença, ainda cercada por desinformação, afeta milhões de mulheres e tem registrado aumento significativo na procura por diagnóstico
Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o número de atendimentos relacionados à endometriose no Sistema Único de Saúde (SUS) segue em crescimento. Em 2025, já foram registrados mais de 145 mil atendimentos, um aumento de mais de 70% nos últimos três anos, indicando maior busca por diagnóstico e tratamento no país.
A doença, que é inflamatória e crônica, atinge entre 5% e 15% das mulheres em idade reprodutiva, podendo causar dores intensas, alterações no ciclo menstrual e até infertilidade. Estima-se que cerca de 7 a 8 milhões de mulheres convivam com a condição, muitas vezes sem diagnóstico.
Mesmo com alta prevalência, especialistas apontam que o diagnóstico ainda pode levar anos, o que agrava os impactos na qualidade de vida, saúde emocional e produtividade feminina.
Segundo o ginecologista especialista em reprodução humana, doutor Evangelista Torquato (foto), um dos principais desafios ainda é a naturalização da dor.
“A dor intensa não é normal. Muitas mulheres passam anos convivendo com sintomas sem investigação adequada. A endometriose é uma doença que pode impactar diretamente a fertilidade e a qualidade de vida, por isso o diagnóstico precoce é fundamental”, explica.
O especialista destaca que o aumento no número de atendimentos também reflete maior conscientização, mas ainda há um longo caminho na educação em saúde
“Hoje existe mais informação e acesso ao diagnóstico, mas ainda precisamos quebrar o tabu de que cólica forte é algo comum. Quanto antes a mulher busca ajuda, maiores são as chances de controle da doença e preservação da fertilidade”, ressalta
Além dos sintomas físicos, a endometriose também pode afetar aspectos emocionais e sociais, interferindo na rotina, nas relações pessoais e até na vida profissional das pacientes
Neste cenário, a data reforça a importância da informação como ferramenta de prevenção. Para especialistas, ampliar o debate sobre a doença é essencial para reduzir o tempo de diagnóstico e garantir mais qualidade de vida para milhões de mulheres.

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