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Mãe e irmão de Ronaldo cobram indenização

Com lágrimas nos olhos e um forte aperto no coração, dona Rita Moreira de Oliveira, de 65 anos, relembra a alegria sempre constante do filho Ronaldo Oliveira dos Santos. Numa casa de três compartimentos (sala, quarto e cozinha), sem reboco, num beco sem saída, na localidade de Padre Júlio Maria (antiga Caiporas), em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, dona Rita cobra indenização do Corinthians, do consórcio Itaquerão e da Federação Internacional de Futebol (Fifa). Ronaldo foi um dos dois operários, que morreram na obra da Arena Itaquerão, em 27 de novembro do ano passado, na queda de um guindaste.
"Até agora ninguém veio aqui oferecer nada a gente. Nem Corinthians. Nem Consórcio Itaquerão. Nem Fifa. Estamos esperando. A única coisa, que fizeram foi trazer mil reais para o enterro. Nada mais", disse dona Rita, no início da tarde quente (mais de 35 graus) da última terça-feira (14), em sua casa dada por Ronaldo. "Sei que dinheiro não vai trazer o meu Ronaldo de volta. Mas se tenho direito por quê eles não pagam?", questiona ela, que depois da morte do filho aumentou a pressão arterial e o diabetes.
"Vivo aqui meu filho, como Deus quer. Deixei de receber a ajuda que Ronaldo mandava todos os meses", relata. Mas a maior queixa de dona Rita é que o consórcio Itaquerão não dá uma satisfação. O pior, segundo ela, foi como recebeu a notícia da morte do filho. "Foi um colega dele que telefonou secamente no dia da morte dizendo que Ronaldo tinha morrido. Ninguém me preparou para receber esta lamentável notícia. Nem no dia do enterro eles nos auxiliaram. Chegou aqui somente uma enfermeira e estes mil reais para pagar o enterro. Somente", lamenta.
Dona Rita durante mais de meia hora de conversa relembrou a vontade de viver de Ronaldo. "Ele trabalhava muito para dar sustento a mim e as filhas dele. Tinha trabalhado na construção da Arena Castelão, em Fortaleza e depois, em agosto de 2013 foi para construir a Arena Itaquerão. Ele deixou uma mãe, quatro irmãos e duas filhas menores. Tinha se separado da mulher dele há dois anos. Nunca mais vou vê-lo. É triste. É muito triste. Ele morreu pouco menos de um mês para completar 44 anos, pois ele nasceu no dia 21 de dezembro de 1969", conta dona Rita, segurando a foto do filho.
Na casa, onde mora com o filho Paulo Renato Oliveira dos Santos, de 38 anos, dona Rita denuncia que até hoje não teve assistência de nada. E ela cobra ainda uma explicação para a morte de Ronaldo. "Até hoje não sei como ele morreu. Eles dizem, que ele estava dormindo no refertório. Mas os colegas deles disseram que não. Que ele foi atingido pelo guindaste, quando estava voltando para o trabalho após o almoço. Então até hoje não sei como meu filho morreu. Ninguém sabe e este inquérito policial ainda foi prorrogado por mais um mês. É muito sofrimento, pois é mais de mil conversas e ninguém descobre como Ronaldo realmente morreu. Falta esta explicação".
O irmão de Ronaldo, Paulo Renato, que também trabalhou na Arena Castelão e foi convidado para construir a Arena Itaquerão, é o mais revoltado da família. "O que fazem com a gente é desumano. Nos largaram aqui sem assistência nenhuma. Contratamos um advogado, que está vendo esta questão. E pelo que sei de conversa com a família do outro operário, que morreu noItaquerão, o Fábio Luiz Pereira, lá de Limeira, a situação dos familiares deles é a mesma nossa. A sobrinha desse outro rapaz que morreu lá com Ronaldo ligou para mim nesta semana para saber da nossa situação. E eu disse: minha filha até agora nada. E ela disse 'pois meu filho, aqui estamos no mesmo jeito. Para dizer que não deram assistência no dia da morte de Ronaldo deram uma ligação para uma tia minha e só. Nada mais até hoje", informa Paulo Renato que ficou responsável pelo sustento da mãe após a morte de Ronaldo. Ele trabalha na Prefeitura e faz alguns biscates de pedreiro.
Paulo Renato está descrente que a indenização saia sem a família entrar na Justiça. “Se não ligaram no dia da morte, o senhor acha que eles vão ligar oferecendo a indenização depois de quase dois meses? Se no dia mandaram foi um pião dar a notícia. Eu não nada contra pião. Eu sou um pião. Mas um pião dar a notícia é muito sem jeito deles responsáveis pela obra. O pião deu a notícia de supetão. Era o Marquinhos que trabalho mais nós no Castelão. Eu acho, no meu entender, que a minha revolta todinha é essa. Por que se era um consórcio de firmas contrata-se uma assistente social e uma psicóloga e manda para o Ceará para preparar a mãe desse cidadão aqui e não do jeito que foi. Porque essa enfermeira que mandaram, nem chegou perto da mãe para perguntar como ela estava”.
O irmão de Ronaldo diz ainda que “nós não estamos nem interessado em dinheiro não. É porque do jeito que foi feito foi ruim. Se a minha velha morre do coração? Sozinha dentro dessa casa quando recebeu a notícia. Acho que faltou ética, não sei que diabo é. Nossa revolta é só essa”.
Paulo Renato lembra que “recebemos convite de ir para o Itaquerão, depois que a gente terminou a obra da Arena Castelão. Mas foi só o Ronaldo, pois eu não ia deixar minha só, já que ela é viúva. Tenho outro irmão de 34 anos que depois da Arena Castelão foi para a Arena Porto Alegre e de lá veio para Arena Dunas, em Natal, onde ainda está até hoje. É o Braz Abílio Oliveira dos Santos. Éramos cinco. Ficamos quatro", destacou Paulo Renato.
Dona Rita retomou a conversa e cobrou assistência também para as duas netas, filhas de Ronaldo. "São crianças de dezessete e doze anos que precisam de ajuda tanto financeira como de conforto. Ninguém da obra fez isso até agora", reclama a avó das meninas.
“Depois com a morte do meu menino a vida mais ruim ainda. Porque a gente fica lembrando da morte dele toda hora, todo instante e fica sem essa explicação e sem essa assistência”, afirma.
“A conversa deles lá em São Paulo era que estava dando assistência aqui e ninguém chegou aqui não. Apesar de só um telefonema depois de bem dois meses, querendo me levar para um psicólogo. O que é que vou fazer em, psicólogo? Quem vive em psicólogo é doído. Eu não estou nem com sistema de doidice para levar para um psicólogo. Vou nada”, diz resistente dona Rita.
Conforme ela “não chegou ninguém para me socorrer naquela hora, naqueles dias de sufoco. Só apareceu uma moça aqui tomando conta de mim e se perguntarem de onde ela veio que eu sei. Só sei que ela apareceu aqui depois, que o caixão chegou para tomar conta de mim. Era uma enfermeira que não sei de onde era”.
A mãe de Ronaldo disse que ele viajou para a obra do Itaquerão no dia dois de agosto do ano passado. “Ele estava morando aqui comigo e foi para lá no dia dois de agosto e não mais voltou vivo. Chegou o caixão todo fechado com meu filho todo quebrado...”
Dona Rita finaliza a entrevista dizendo: “até hoje eu estou por saber como foi a situação da morte dele. Disseram que ele tinha quebrado só o pescoço. Mas como foi que ele quebrou só o pescoço e o caixão chegou aqui lacrado?”.
Mas o irmão de Ronaldo tem a resposta: “andou aqui um garçom que trabalha lá no refeitório do Itaquerão. Sentou ai onde o senhor está e contou a história todinha. Ele disse que o Ronaldo não estava dormindo em canto nenhum. Quem estava dormindo era o motorista do guindaste. O Ronaldo normalmente almoçava mais tarde e nesse dia do acidente foi almoçar mais cedo. Almoçou alegre, satisfeito, brincando do jeito que era. Almoçou. Comeu a sobremesa e saiu do refertório para o canto de trabalho. No meio do caminho a desgraça aconteceu”.

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