Jornalista Gilson Barbosa: Houve tempo, nesta cidade, em que, como repórter do Diário do Nordeste, a serviço da editoria e da página do Jornal dos Bairros (JdB), instituída por aquele periódico sob a inspiração do veterano jornalista Edmundo de Castro - ou, como ele preferia ser chamado e conhecido, Dedé de Castro - , eu saía à noite, ao lado de um repórter fotográfico e de um motorista, num veículo do jornal, para cobrir pautas dos mais diversos assuntos, nos mais diferentes pontos de Fortaleza. A cidade, à época - nesse período cronológico entre 1982 e 1985 e ainda por vários anos depois - , era mais tranquila, bem menor do que nestes tempos que ora correm. Embora sempre tenha existido, a criminalidade era menor e não enfrentávamos - como seria impraticável hoje - os problemas com as facções, que na atualidade infelizmente "lotearam" entre si os bairros da capital, impedindo muitas vezes o acesso livre dos cidadãos, de uma área para outra, notadamente nos bairros mais periféricos.
Naquele contexto, fui escalado diversas vezes, pelo próprio Dedé de Castro, para cumprir pautas em restaurantes e bares populares de toda esta cidade, indo de um bairro a outro, de um ponto a outro de Fortaleza. Aí estão, como testemunhas de minha atividade, alguns recortes do DN, que conservo com cuidado, e que comprovam minhas afirmações. Eram tempos em que nos deslocávamos fisicamente, ouvindo as pessoas, o povo, suas histórias, relatos, vivendo de perto experiências novas em contacto direto. Numa dessas vezes, em companhia do repórter fotográfico Hélder Freitas, fomos visitar o "Seu" Paraíba em seu pequeno e humilde comércio, já situado no bairro Farias Brito (ou Otávio Bonfim, como se tornou mais popularmente conhecido). Seu estabelecimento, atualmente localizado na Rua Dom Jerônimo, 256, funcionava então em outro imóvel, mas já no mesmo bairro, naquele tempo.
Macedo Saturnino Gomes era seu nome de batismo. Na época, fizemos longa e interessante entrevista com ele, bem informalmente, e, na ocasião, saboreamos o delicioso feijão com toucinho que ele já vendia à freguesia do bar, hoje denominado Feijão Maravilha O Paraíba. Narrou-nos sua história, suas origens, falou-nos de seus fregueses simples, dos amigos que conquistou por conta de sua simplicidade e simpatia. Muitos anos decorreram, de lá para cá. Fomos nos afastando gradativamente do jornal e, naturalmente, com o avanço das novas tecnologias, das redes sociais etc, a própria forma de coletar informações "no meio da rua", junto ao povo, como antes fazíamos, tudo se transformou. Sobre isto, escreverei em outra oportunidade.
Voltando ao "Seu" Paraíba - era seu apelido, pois Macedo Saturnino tinha a Paraíba como sua terra natal - , já o havia visitado em seu bar no dia 08/02/2025, um sábado, por volta do meio-dia. Por fim, visitei-o , pela última vez, também num sábado, 05/07/2025, num final de tarde, época em que ele ainda tinha 99 anos. Em ambas as visitas, registrei fotos ao seu lado, após saborear o tradicional e afamado prato de feijão com toucinho. O "Seu" Paraíba foi uma dessas figuras que marcaram a boêmia e a história dos bares populares desta cidade e foi bom conhecê-lo, conversar com ele em vários momentos. Chegou ao centenário. Partiu deste mundo na segunda-feira que passou, 02/02/2026. Viveu muito e deixou sua marca! Para ele, esta pequena e singela homenagem! (Texto: Gilson Barbosa).




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