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Laudo pericial constata excesso de peso na boia que matou o turista Ricardo Hill no 'Vainkará' há 4 meses

Quatro meses após a morte do radialista Ricardo Hill (José Ricardo Hilário da Silva), no brinquedo 'Vainkará' (foto Felipe Panfili), do Beach Park, em Aquiraz, a Perícia Forense do Ceará divulga laudo, que constatou excesso de peso na boia, que levava quatro pessoas incluindo o acidentado fatalmente e distribuição irregular dos participantes brincantes. O 'Vainkará' desde o acidente está fechado e sem previsão de retorno às atividades.


O acidente aconteceu em 16 de julho passado. Com base no laudo, a família de Ricardo Hill contratou o advogado João Leitão, que promete acionar um perito particular para abrir um processo de indenização contra o Beach Park.

Para Perícia Forense os quatro estavam na boia acidentada usaram corretamente o 'Vainkará', cumprindo todas as normas de segurança para se manter na posição correta na boia. A boia virou na reta final do brinquedo jogando os participantes para fora. Ricardo Hill acabou batendo com a cabeça na estrutura do brinquedo e teve morte instantânea com traumatismo craniano.

O peso limite da boia é de 320 quilos e estava com 390 quilos com os quatro brincantes. Setenta quilos de excesso.

O LAUDO PERICIAL - O laudo pericial destaca:

"Fatores associados ao excesso de peso e a distribuição irregular dos ocupantes na boia são de responsabilidade do operador/parque, tanto de avaliar o peso total como distribuição dos ocupantes na boia. 

O excesso de peso e distribuição de peso das quatro pessoas fazem com que o sistema boia-usuários descreve uma trajetória anormal, principalmente no percurso final, onde está compreendida a parte de correção do sistema ou região de frenagem.

excesso de peso faz com que o sistema (as pessoas na boia) suba a barreira de contenção (borda lateral) próximo ao túnel de saída (local do acidente), caracterizando um comportamento não esperado, proporcionando o tombamento do sistema, sendo estes os fatores determinantes para o sinistro (acidente).

Essa dinâmica [que levou ao acidente] não depende diretamente do posicionamento ou ações dos usuários ou de um deles especificamente, desde que eles estejam em suas posições originais no momento do evento.

Os quatro participantes da descida não tiveram responsabilidade no acidente, mas é inconclusivo ao apontar um culpado. Os peritos destacam que para avaliar a responsabilidade da empresa fabricante do toboágua é preciso que a ProSlide compartilhe informações sobre o desenvolvimento e montagem do Vainkará, contudo, embora tenham sido realizadas solicitações formais, tais projetos não foram apresentados até a conclusão da Perícia.

A responsabilidade do usuário se restringe ao posicionamento correto e em manter a posição adequada no veículo de escorregamento durante o percurso. A energia adquirida no momento do tombamento poderia causar lesões fatais ao usuário localizado no ponto mais crítico da boia, posição onde estava Ricardo José.

É oportuno mencionar que a análise do critério de risco é de fundamental importância para saber se o comportamento descrito (anormal) que foi observado na prática teria sido previsto no momento do projeto, ou se houve falha de previsão desse comportamento, ou se houve determinação equivocada do coeficiente de segurança, finaliza o laudo pericial.

Composta por três peritos criminais do Perícia Forense Cearense, a equipe testou a descida do 'Vainkará' com pesos somando entre 350 e 425 quilos, concluindo que era de 390 quilos o total somado pelos quatro participantes envolvidos no acidente.

DEFESA - O advogado João Vicente Leitão informa, que até esta quarta-feira (14), o Beach Park não apresentou após quatro meses nenhuma proposta de indenização pela morte de Ricardo Hill.

"A conclusão do laudo não deixa dúvidas de que houve uma série de falhas por parte do estabelecimento. Dentre elas, ausência da verificação dos pesos dos quatro ocupantes da boia. Na placa da entrada do brinquedo falava que o limite era de 320 quilos. A cada descida teria que haver essa pesagem. Se os pesos dos quatro não ultrapassaria. Isso não foi feito. Também deveriam intercalar pesos entre os mais leves e os mais pesados. Não aconteceu esse trabalho de prevenção por parte Beach Park. O laudo é bem técnico. A família irá contratar um perito também e vamos tomar caminhos jurídicos", frisa João Leitão.

NOTA DO BEACH PARK - Eis na integra a Nota do Beach Park sobre o laudo pericial:

"Diante do laudo apresentado pela Coordenadoria de Perícia Criminal do Estado do Ceará, o Beach Park esclarece que durante seus 33 anos de existência sempre cumpriu rigorosamente todos os procedimentos de acordo com as normas de segurança em parques aquáticos e as regras estipuladas pelo fabricante de cada atração.

O Beach Park realizou diversos testes no período posterior ao acidente com o acompanhamento do engenheiro especialista em segurança na área de entretenimento e membro do comitê de segurança da Associação Internacional de Parques de Diversões e Atrações, Francisco Donatiello. Ficou comprovado que o peso não é fator de risco. Caso fosse, o fabricante seria obrigado a indicar, no manual de operações, equipamento determinado para a medição do peso durante a operação.

O próprio laudo da perícia apresenta uma incoerência em sua conclusão. Confirma os testes realizados pelo Beach Park ao afirmar que nos ensaios realizados com “400 kg regular (Carga Equilibrada) e 400 kg irregular (Carga Desequilibrada), foi constatada uma descida regular sem muitas oscilações no final do brinquedo”. O laudo, portanto, confirma que nem o peso, nem a distribuição na boia são fatores decisivos para o acidente.

Além disso, os peritos afirmam que o laudo é inconclusivo por não conter a análise do projeto do brinquedo, que não foi enviado pelo fabricante. Inclusive, inúmeros testes realizados pelo Beach Park mostraram uma descida irregular e instável mesmo com pesos de 320 kg e 310 kg, o que pode revelar a existência de falhas estruturais, de projeto, ainda não explicadas pela fabricante ProSlide nem investigadas pela perícia oficial.

O Beach Park informa que o Vainkará permanecerá fechado por tempo indeterminado.

O parque informa também que entrou em contato com os advogados da família de Ricardo José Hilário Silva e que não obteve retorno.

Todos que fazem o Beach Park ainda sentem profundamente o ocorrido que certamente nunca mais sairá de nossa memória e será base para melhorias de procedimentos em todas as áreas da empresa".

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