Incêndio de grandes proporções destruiu hoje (25.12.2025) a Sucata Chico Alves, no início da Avenida Sargento Hermínio-Jacarecanga, em Fortaleza. Quatro bombeiros sairam feridos. O incêndio foi debelado após o trabalho de 50 bombeiros,que utilizaram 450 mil de água para apagar as chamas. A suspeita é que o incêndio foi provocado por dois adolescentes que lançaram um bomba caseira em um carro da Sucata, que pegou fogo...
Toda estrutura do prédio ficou compretida e deve ser interditada pela Defesa Civil de Fortaleza. A Sucata existia há 55 anos. A área está sem Energia Elétrica. Seu Chico Alves, de 84 anos, chegou em Fortaleza no começo da década de 1970, vindo de Mossoró-RN. Logo em seguida montou a Sucata, que já tinha sofrido um incêndio menor.

Jornalista Nerilson Moreira: Nossa Fortaleza amanheceu diferente hoje, dia 25 de dezembro de 2025. Havia algo no ar — além do cheiro persistente de fumaça — que denunciava a ausência de algo. Era como se a cidade tivesse perdido um parente antigo, desses que fazem parte da família mesmo sem laços de sangue. O fogo, que ontem levou embora a Sucata do Chico Alves, levou também um pedaço da minha própria história. Cresci em Fortaleza vindo de um Tabuleiro vendo aquele lugar de Fortaleza pulsar. Pois a Sucata não era apenas um comércio; era um ponto de encontro, de conversa, de trabalho e de esperança. Ali, o tempo parecia se olhar no espelho. Nas décadas de 1980 e 1990, quando manter um carro era quase um ato de resistência, encontrei naquele espaço peças raras, usadas, mas de boa qualidade — verdadeiros achados numa época em que as lojas não tinham o que muitas precisávamos e pedir uma peça pelos Correios de São Paulo era uma aposta incerta e complexa. Na manhã de hoje pós ao incêndio, caminhei com o olhar pesado até o que restava. Cinzas no chão. Silêncio onde antes havia vozes, motores, negociações, risadas. Vi moradores parados, tristes, observando o vazio, como quem tenta reconhecer um rosto querido que já não está ali. Pareciam órfãos — e talvez fossem. Eu também me senti assim. Pois a Sucata do Chico Alves não servia apenas aos donos de carros. Servia ao bairro Monte Castelo. Servia à cidade. Muitos jovens deram ali os primeiros passos no trabalho, aprenderam um ofício, ganharam dignidade. A Sucata estava entranhada no sangue do Bairro Monte Castelo. Durante mais de 55 anos, aquele lugar foi referência, cultura, sobrevivência...As labaredas da Sucata puderam ser vistas de longe, de outros bairros. Mas o que mais doeu foi o que não se viu: a memória ardendo. Assim como aconteceu recentemente com o incêndio no Hospital César Cals, o fogo voltou a nos lembrar da fragilidade das nossas referências. Ele não queimou só paredes; queimou histórias. Mas nada é eterno — dizem. Talvez seja verdade. Mas há lugares que deveriam durar para sempre, nem que fosse apenas na paisagem da memória coletiva. O fogo se foi, mas deixou uma tristeza que ainda caminha pelas ruas do Monte Castelo. Hoje, quando passei por ali, sinto que Fortaleza ficou um pouco menor. E eu também. Porque perder a Sucata do Chico Alves foi perder um pedaço do ontem, que ajudou a construir quem sou, e a quem somos. E isso, nenhuma reconstrução material devolve. A vida segue. Vamos em frente. Saudações do amigo Nerilson Moreira".
Fortaleza Antiga: E O FOGO LEVOU... A Sucata Chico Alves foi um clássico e um marco histórico em Fortaleza, fundada em 1970 pelo paraibano Francisco Alves de Oliveira, que transformou um negócio de ferro-velho em um gigantesco "tesouro urbano" de peças e relíquias, funcionando por mais de 50 anos na Avenida Sargento Hermínio, mas no dia 25 de dezembro de 2025, foi destruída por um incêndio de grandes proporções, sendo um símbolo da história e da criatividade cearense.
CENTRO: Uma loja de material escolar foi incendiada hoje (25.12), na esquina das ruas Floriano Peixoto e Senador Alencar-Centro-Fortaleza. Ninguém saiu ferido. Danos materiais foram verificados. Os bombeiros já debelaram as chamas. A área ficou sem energia elétrica.
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