- Pedro Gurjão está com Miguel Angelo Azevedo Nirez e outras 29 pessoas: O NOSSO JAZZ/BOSSA/BLUES E A CRÍTICA DO NOEL ROSA.
- I – LOTAÇÃO PRÉ-ESGOTADA-Nem bem começamos a divulgação do lançamento do nosso disco, de uma dia pro outro as cadeiras se esgotaram, só pelo efeito “boca-a-boca”. A confirmação das Acadêmicas Lourdinha Leite Barbosa e Regine Limaverde (ACL) totalizou a Lista de Presenças. Isso é bom e nem tanto: bom, porque é o êxito antecipado de todo evento artístico-cultural; e nem tanto, porque, ao menos desta vez, não há mais como obter lugares – e em assim sendo, não poderemos abraçar todos os amigos que gostaríamos de rever e receber.
- II – O LANÇAMENTO-Nesta quinta-feira (28/11/2024), às seis e meia (boquinha da noite), no auditório do BS Design (entrada pela Rua Desembargador Leite Albuquerque-Aldeota-Fortaleza-Ceará), lançaremos nosso Disco EP (extended play), com duas composições musicais inéditas. Estaremos acompanhados pelo arranjador e violonista ROGÉRIO LIMA (“Tocata”) e pelo pianista GUSTAVO JÚNIOR. Em nossa mais recente postagem, falamos do samba-canção “SIMPLESMENTE MARIA”, composto em parceria com o jornalista, radialista e publicitário HEITOR COSTA LIMA, cantada por mim. Hoje falamos do jazz/bossa/blues “DESFIBRILANDO O CORAÇÃO”, de nossa autoria, a ser interpretada pela cantora/atriz luso-alencarina JOANA ANGÉLICA. A melodia perpassa esses três ritmos, associados em suas origens e similitudes. A letra faz alusão a cinco composições do nosso maior sambista em sua crônica musical de costumes: a) Silêncio de Um Minuto; b) Feitio de Oração; c) Feitiço da Vila; d) O Xis do problema; e) Coração – Samba Anatômico. De quebra, remete ao dilema da “Conceição”, do Cauby (“Se subiu, ninguém sabe, ninguém viu”). Sobre seu conteúdo, solicitei a opinião do Musicólogo JOÃO DE PAULA e do Editor-Geral do Jornal Digital Segunda Opinião, jornalista OSVALDO ARAÚJO, cujo pai Olavo Euclides Araújo, foi Diretor do Jornal Gazeta de Notícias (1952-1956), onde conviveu com Heitor Costa Lima. Republico trechos de suas análises e comentários.
- III – FALA JOÃO DE PAULA-“Johann Sebastian BACH foi homenageado por Heitor Villa Lobos com nove BACHIANAS. “DESFIBRILANDO O CORAÇÃO” seria sua NOELIANA Nº 1 ? A cativante letra de DESFIBRILANDO O CORAÇÃO percorre temas e títulos do cancioneiro de Noel Rosa, parodiando seu estilo provocante, reavivando sua polêmica sobre o lugar de origem do samba, simulando seus embates com a malandragem, esgrimindo sua dialética afiada em instigantes conceitos existenciais e incursionando, inclusive, na fisiologia e na patologia cardíacas, como fizera em satírica composição quando estudante da Faculdade Nacional de Medicina. Quanto à tocante melodia de DESFIBRILANDO O CORAÇÃO, “não sei dizer, mas sei sentir”: se harmoniza sutil e fluentemente com o espírito buliçoso da letra. Sobre o “lançamento especial”, acho ótima a ideia. Aposto nesse projeto... imaginando aqueles conceitos e ingredientes dos “encontros na varanda com Ana Cristina e Pedro Gurjão”; e do lançamento do seu livro “... e por falares e cantares...”
- IV – FALA OSVALDO EUCLYDES-”Ouço a melodia sem me ocupar da letra, depois inverto, ouço a letra sem atenção com a melodia. Apreciei as duas experiências. E passo a ouvir os dois juntos, com nada além de prazer. Costumo dizer que uma bela música me aproxima do divino. É como a fé, eu apenas sinto. A interpretação da atriz-cantora-professora Joana Angélica compõe com o violão uma inquieta harmonia. A música ocupa o ambiente com o ar da leveza de um simples ensaio e com os cuidados caprichosos de dois profissionais afinados. E continuo a ouvir, repetindo. Lembro Elis Regina - será o timbre da cantora? Um violão pode transmitir mais do que uma banda (ou conjunto, como se dizia antigamente). Sim, porque em música o menos às vezes é mais - e os silêncios também cantam. Quando a letra fala em Vila, penso em Vila Isabel. E de lá caio nos versos de Noel, que você insinua entre suas rimas, homenageando-o de uma maneira que a sensibilidade dele aprovaria. Tenho a atenção roubada por palavras de muitas sílabas. Sempre achei que elas eram proibidas. Abandonei essa convicção quando Chico se atreveu a usar uma palavra de sete sílabas — paralelepípedo — e ficou perfeito. Pedro não se sente atrevido ao usar cinco palavras de cinco? No parágrafo anterior escrevo de propósito uma de seis — e assim me coloco entre duas pessoas que admiro. E agora me distraio com o seu jogo de imagens: morro e cidade, facilidade e dificuldade, realidade e fugacidade… O autor continua atrevido: vai falar de Zigmunt Balmam e modernidade líquida num breve samba-bossa? Nem precisa. Viajo na letra, embalado pela melodia. E observo agora que aderi (in)conscientemente a seus versos questionadores. Estou mais perguntando do que afirmando. Não revelo pra ninguém a cor da saudade e me recuso a resolver aqui e agora o X da questão. Minhas perguntas não esperam resposta, a função delas é outra. Se alguém quiser mesmo saber, ‘pergunte à Conceição’. Espero sua próxima canção”.
- V – METÁFORA DO COMPASSO CORDIAL-Na composição “Coração - Samba Anatômico”, Noel Rosa mistura ciência e poesia de maneira única. Recorre ao coração como metáfora central para musicalizar temas relacionados com amor, paixão, vida, condição humana. E ironiza a vaidade, a busca por status social, pelo “sangue azul” da nobreza, ainda que seja injetando nas veias Azul de Metileno. Nossa hipérbole (metáfora exagerada) poético musical: uma mistura-fina de jazz, bossa e blues, na fronteira musical New Orleans/Manhattan/Beco das Garrafas e Baixo Leblon, talvez possa descontrair e acertar a batida, o ritmo e o com-passo do nosso emocionado broken heart".
- Fotomontagem da Oficina Babo Criações (sobre o cartaz de Ciro Costa).
- Fotos dos músicos Gustavo Junior e Rogério Lima.


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