Pular para o conteúdo principal



Iphan informa

Com o objetivo de garantir maior proteção às atividades de compra e venda de obras de arte e antiguidades, a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa, assinou ontem, a Portaria nº 396/2015, que regula os procedimentos a serem observados pelas pessoas físicas ou jurídicas que comercializem esses bens. A norma fortalece os mecanismos de controle sobre essas operações, por parte do Poder Público, e esclarece aos comerciantes e leiloeiros quais situações são consideradas indícios de envolvimento com atividades ilegais. A portaria foi apresentada durante a reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada na sede do Iphan, em Brasília. Estiveram presentes o presidente do Conselho de Controle de Atividades, Financeiras (COAF), Antônio Gustavo Rodrigues, e o desembargador do Tribunal Regional Federal da 3º Região, juiz Fausto Martin De Sanctis.
A medida complementa as atribuições previstas no Decreto-Lei nº25 de 1937, principal marco legal relativo à preservação do patrimônio cultural no país, e vem regulamentar a Lei nº 9.613 de 1998, que dispõe sobre os crimes de "lavagem" ou ocultação de bens, direitos e valores, e cria o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). A elaboração da portaria contou com a participação da sociedade por meio de consulta pública realizada pelo Iphan entre junho e julho deste ano.
Obrigações dos comerciantes
De acordo com a norma, os comerciantes e leiloeiros de obras de arte e antiguidades, além de se inscreverem no Cadastro Nacional de Negociantes de Obras de Arte e Antiguidades (CNART), do Iphan, devem estabelecer métodos de controle interno voltados à prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. Também estão obrigados a manter registro próprio com os dados das operações em valores superiores a R$10 mil e dos respectivos clientes envolvidos. A norma determina, além disso, que comuniquem ao COAF, por meio do Sistema de Controle de Atividades Financeiras (SISCOAF), as operações feitas em dinheiro vivo (em espécie) acima de R$10 mil, bem como as operações que sejam por eles consideradas suspeitas. Uma novidade trazida pela portaria é a necessidade de declaração anual de não-ocorrência ao Iphan, obrigatória para todos os negociantes que não declararem nenhuma ocorrência ao COAF durante o ano.
Os comerciantes e leiloeiros deverão estar atentos às situações descritas na portaria que são sinais de alerta e devem ser analisadas cuidadosamente, como repetidas operações em dinheiro próximas do valor limite para registro; operações em que seja proposto pagamento por meio de transferência de recursos entre contas no exterior; proposta de superfaturamento ou subfaturamento; proposta de não fazer registro das operações ou dos clientes; entre outras.
O prazo de cadastramento para quem ainda não está no CNART é até 31 de dezembro de 2016. Já a primeira comunicação de não-ocorrência será em relação ao ano calendário de 2017 e deverá ocorrer em janeiro de 2018. As sanções para os comerciantes que não fizerem as declarações serão definidas em portaria própria, que também detalhará os procedimentos de fiscalização a serem realizados pelo Iphan.
Público-Alvo
A norma amplia o público-alvo que deve se cadastrar no CNART. A partir de agora, para fins da prevenção à lavagem de dinheiro, devem se cadastrar no CNART todas as pessoas físicas ou jurídicas que comercializem objetos de antiguidades ou obras de arte de qualquer natureza, de forma direta ou indireta, inclusive mediante recebimento ou cessão em consignação, importação ou exportação, posse em depósito, intermediação de compra ou venda, comércio eletrônico, leilão, feiras ou mercados informais, em caráter permanente ou eventual, de forma principal ou acessória, cumulativamente ou não. Os negociantes de antiguidades, de obras de arte de qualquer natureza, de manuscritos e livros antigos ou raros já eram obrigados a se cadastrar no Iphan, por força do Decreto-Lei nº25 de 1937, artigos 26 e 27. Porém, a Instrução Normativa nº 01/2007 do Iphan delimitava esse grupo a pessoas que lidassem com bens cujo valor cultural estivesse dentro do escopo de proteção do Iphan. 
As obrigações previstas na Instrução Normativa nº 01/2007 continuam válidas, ou seja, os comerciantes e leiloeiros de obras de arte e antiguidades que se enquadram nos critérios previstos no artigo 3º da IN continuam obrigados a comunicar semestralmente ao Iphan a relação descritiva dos objetos disponíveis para comercialização, em estoque ou reserva para o período, atendendo ao que determina o Decreto-Lei nº 25/1937.
Contexto Internacional
A medida vem reforçar as ações do governo brasileiro no sentido de combater a lavagem de dinheiro, o financiamento do terrorismo e o comércio ilegal de obras de arte e antiguidades. A utilização desses bens para dissimular ou esconder a origem ilícita de determinados ativos financeiros é comum, em virtude da dificuldade de mensuração do seu valor econômico. Já o tráfico de bens culturais é apontado como a terceira forma de comércio ilegal mais praticada em todo o mundo, atrás apenas do contrabando de armas e drogas.
No âmbito internacional, a prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo vem ganhando progressivo destaque nas agendas dos governos, tendo como marco a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, realizada em Viena, em 1988. Como resultado da convenção, pela primeira vez o tráfico de drogas foi caracterizado em sua dimensão transacional e a ocultação de bens e valores a ele relacionados foi singularizada como crime. Em 2015, foram deliberadas duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, de nº 2199/2015 e nº 2253/2015, que cobram dos países-membros da ONU o estabelecimento de medidas para restringir e controlar as fontes de financiamento do terrorismo internacional.
Atuação do Iphan
O Iphan atua na prevenção à lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo como instituição reguladora e fiscalizadora de maneira acessória, pois define os sinais de alerta, aplica sanções em caso de omissão e fiscaliza a realização do cadastro por parte dos comerciantes e leiloeiros do setor. Porém, isso não faz do Iphan o órgão regulador de todo o mercado de arte. O Instituto tampouco se manifesta quanto ao valor econômico dos bens em comércio - o que é função do mercado - nem investiga atividades consideradas suspeitas, sendo essa uma responsabilidade dos órgãos e entidades de persecução penal.

Comentários


Comentários

Para comentários públicos, favor utilizar campo ao final da notícia, logo acima da publicidade.

Notícias mais acessadas do mês

Comunica 085-160

  Informativo Diário da Prefeitura de Fortaleza Edição 160 27 de janeiro de 2026 FORtaleCE: Fortaleza recebe R$ 250 milhões do BNDES para obras contra alagamentos e enchentes As obras de infraestrutura devem beneficiar mais de meio milhão de pessoas FORtaleCE: Prefeitura de Fortaleza e Governo do Ceará lançam Projeto Abrigo Amigo para tornar pontos de ônibus mais acolhedores à noite   Moradia Habitafor inicia recebimento de documentos dos candidatos ao Residencial Santa Mônica Mobilidade AMC realiza mudanças na circulação na Av. Domingos Olímpio para montagem das arquibancadas do Carnaval Ordenamento Secretaria Regional 4 realiza segunda chamada do sorteio para ocupação dos boxes da Lagoa do Opaia Esporte Supercopas Rede Cuca tem início em 30 de janeiro e reúne cerca de 1.500 atletas em Fortaleza PAÇO MUNICIPAL Rua São José, 01 - Centro Fortaleza-CE - CEP: 60060-170

Chove 125 milímetros em Fortaleza ☔️

Uma grande chuva de 125 milímetros (mm) com ventania banha Fortaleza desde a madrugada desta terça-feira (27/1/2026).

Felicidades-30.janeiro

Felicidades do Blog do Lauriberto, nesta sexta-feira (30/1/2026), para: Jornalista  Kyany Lima  (foto entre professores Lauriberto Braga e Reginaldo Gurgel) 40 anos da jornalista Bebel Medal  (foto) 77 anos de Delania Benevides Remigio 73 anos de Mauro Meireles Filgueiras Lima 64 anos de Ranilce Maria Barbosa Silvia 56 anos de Ednardo Alves 51 anos de Antonio Dias 47 anos de Jairo Mendes 42 anos de Fred Dias Catarina Tereza Farias de Olieveira Sandoval Roque Rodrigues Almeida

Futricas Carnavalescas-Meruoca

Jornalista Haroldo Holanda: Vem aí o Bloco "AÍ Dento", pra sacudir a Serra da Meruoca-Ceará, neste Carnaval 2026. Não dá pra resistir. E tome, tome som!!!

Quilombo Boqueirão Arara é Ponto de Cultura

Memória afro-brasileira e economia criativa: Quilombo Boqueirão da Arara se torna Ponto de Cultura. Certificação impulsiona juventude quilombola em Caucaia. O Quilombo Boqueirão da Arara, em Caucaia, foi certificado como Ponto de Cultura, marcando uma conquista histórica que fortalece a preservação da memória ancestral afro-brasileira. Localizado a cerca de 37 km de Fortaleza, o quilombo ocupa uma área de aproximadamente 718,6 hectares. A conquista foi possível por meio do Edital de Chamamento Público 09/2024 da Rede Estadual de Pontos e Pontes de Cultura do Ceará, transformando a Associação de Associação dos Remanescentes de Quilombo da Comunidade Povoado Boqueirão da Arara em Ponto de Cultura. Atualmente, a entidade é presidida por Madalena Barbosa Prata. O projeto foca na preservação da memória coletiva, capacitação de artesãos e geração de renda por meio de oficinas e eventos culturais. As principais atividades incluem formações em design decolonial, confecção de colheres em madeir...

Postagens mais visitadas deste blog

Comunica 085-160

  Informativo Diário da Prefeitura de Fortaleza Edição 160 27 de janeiro de 2026 FORtaleCE: Fortaleza recebe R$ 250 milhões do BNDES para obras contra alagamentos e enchentes As obras de infraestrutura devem beneficiar mais de meio milhão de pessoas FORtaleCE: Prefeitura de Fortaleza e Governo do Ceará lançam Projeto Abrigo Amigo para tornar pontos de ônibus mais acolhedores à noite   Moradia Habitafor inicia recebimento de documentos dos candidatos ao Residencial Santa Mônica Mobilidade AMC realiza mudanças na circulação na Av. Domingos Olímpio para montagem das arquibancadas do Carnaval Ordenamento Secretaria Regional 4 realiza segunda chamada do sorteio para ocupação dos boxes da Lagoa do Opaia Esporte Supercopas Rede Cuca tem início em 30 de janeiro e reúne cerca de 1.500 atletas em Fortaleza PAÇO MUNICIPAL Rua São José, 01 - Centro Fortaleza-CE - CEP: 60060-170

Chove 125 milímetros em Fortaleza ☔️

Uma grande chuva de 125 milímetros (mm) com ventania banha Fortaleza desde a madrugada desta terça-feira (27/1/2026).

Felicidades-30.janeiro

Felicidades do Blog do Lauriberto, nesta sexta-feira (30/1/2026), para: Jornalista  Kyany Lima  (foto entre professores Lauriberto Braga e Reginaldo Gurgel) 40 anos da jornalista Bebel Medal  (foto) 77 anos de Delania Benevides Remigio 73 anos de Mauro Meireles Filgueiras Lima 64 anos de Ranilce Maria Barbosa Silvia 56 anos de Ednardo Alves 51 anos de Antonio Dias 47 anos de Jairo Mendes 42 anos de Fred Dias Catarina Tereza Farias de Olieveira Sandoval Roque Rodrigues Almeida

Futricas Carnavalescas-Meruoca

Jornalista Haroldo Holanda: Vem aí o Bloco "AÍ Dento", pra sacudir a Serra da Meruoca-Ceará, neste Carnaval 2026. Não dá pra resistir. E tome, tome som!!!

Quilombo Boqueirão Arara é Ponto de Cultura

Memória afro-brasileira e economia criativa: Quilombo Boqueirão da Arara se torna Ponto de Cultura. Certificação impulsiona juventude quilombola em Caucaia. O Quilombo Boqueirão da Arara, em Caucaia, foi certificado como Ponto de Cultura, marcando uma conquista histórica que fortalece a preservação da memória ancestral afro-brasileira. Localizado a cerca de 37 km de Fortaleza, o quilombo ocupa uma área de aproximadamente 718,6 hectares. A conquista foi possível por meio do Edital de Chamamento Público 09/2024 da Rede Estadual de Pontos e Pontes de Cultura do Ceará, transformando a Associação de Associação dos Remanescentes de Quilombo da Comunidade Povoado Boqueirão da Arara em Ponto de Cultura. Atualmente, a entidade é presidida por Madalena Barbosa Prata. O projeto foca na preservação da memória coletiva, capacitação de artesãos e geração de renda por meio de oficinas e eventos culturais. As principais atividades incluem formações em design decolonial, confecção de colheres em madeir...