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Um dia no acampamento #LulaLivre em Fortaleza


Com a permissão da jornalista formada no Centro Universitário Estácio do Ceará, Nina Valente, publicamos um artigo dela sobre o acampamento #LulaLivre na Praça Murilo Borges, em Fortaleza (foto Nina Valente):

"Esse não é um texto jornalístico.

Mas posso afirmar que nele tem mais verdades por linha escrita que muitos que vocês podem encontrar nos grandes jornalões. 

Pensei até em não escrever, postar as fotos e deixar à vontade levar quem as visse a provar o sabor de luta que hoje senti. 

Porém, cada pequeno detalhe que vivi, entre um traço de linha e outro de bordado, vale a pena demais para guardar somente em minha memória.
Vou ter de dividir, mesmo que sem atenção ao lide, sem o cuidado dos nomes registrados, sem os depoimentos entre tantas aspas ou avaliações oficialistas de um renomado professor a analisar os fatores sociais e históricos.
Foi entre o traçado de uma linha e outra, enquanto bordava um retalho para compor uma colcha que será entregue pelo Movimento Mulheres com Dilma ao presidente Lula, que pude me deliciar com a visão de um movimento popular que dava gosto e renovava a alma.
Na minha frente, minha filha, ainda nos seus 19 anos de idade e nas descobertas da vida universitária, bordava com carinho outro trecho. Enquanto a observava, estudante de Enfermagem, jovem envolvida no feminismo e herdeira de minha militância na União da Juventude Socialista (UJS), refletia o quanto esses tempos tenebrosos, haviam contribuído no despertar de uma moçada.
Ao longe, batucadas do Levante, aparelhos de som com músicas de luta, algumas mais antigas que a minha luta outras tão novas quanto esses meninos e meninas. E eles parecem tão mais aguerridos e igualmente sonhadores.
Entre nós, tantas mulheres. Cada uma dando o melhor de si. "O que importa é o carinho que vai junto", solidarizavam-se, quando um ponto parecia não estar à altura da perfeição desejada. E logo após, colocavam-se a imaginar a reação do presidente amado ao receber o presente em sua Prisão Política.
Por vezes, verificavam os espaços devidos para a construção da colcha que elas pretendem que o aqueça além do corpo o coração. "Vou colocar o nome da Marisa, que é para ele por pertinho do rosto e dar um cheirinho", dizia uma.

Outra alertava, "não esqueçam os nomes, ele vai saber quem fez, e quem sabe alguém liga para dizer como ele recebeu".
Enquanto isso, histórias de vida e de militância iam sendo contadas. E a cada retalho terminado uma celebração conjunta era feita. Tinha muito amor ali para se comemorar.
Quando acabei já era noite. Minha filha tinha tido tempo para escrever também uma carta a Lula e circulado por aquele espaço, tão seguro e tão organizado, no meio do Centro da Cidade.

Mérito do Movimento Sem Terra (MST). Ao contrário do que fala o preconceito, os (as) "cabras" são de uma disciplina que falta em muito desses tais "cidadãos de bem", nada deles é feito sem uma organização exemplar e sem a colaboração mútua (entre eles e os que chegam para somar). 

Foi nesse minuto que a janta passou a ser servida e pude observar o festejo dessa gente. Festejo de luta e amorosidade. Estavam todos, cada qual com seu pratinho, numa fila esperando o alimento produzido ao longo dia, feito com os produtos que eles produzem e com as doações que chegavam, vindas de muitas mãos, um pouquinho aqui outro acolá, para compor um outro tipo de colcha, formada de generosidade.
Junto deles, estavam muitos moradores de rua da região, que encontraram no acampamento, um pedacinho de cidadania, onde antes dormiam acompanhados apenas pelas incertezas da vida.

Minha querida amiga Regiane então comentou: "eles estão aqui e recebem do mesmo alimento que todo mundo, e ajudam também, me disseram que eles estão colaborando de toda forma, recolhem até o lixo e ajudam no varrer".

Reflito, sobre os privilégios que tenho e imagino como deve ser bom para cada um deles fazer parte de algo, ser gente, ser enxergado.
Vendo a Regiane, prolongo meu olhar para tantos camaradas que tanto lutam ao meu lado. Gente das juventudes da minha época, gente que já era referência de luta para juventude da minha época e toda aquela gente nova. Deu saudade. Nostalgia até. "Eita" companheiro Lula, você precisava ver isso aqui!
Chega então Alice, dirigente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e dos bancários, ela radiante afirma que a gente é muito lindo, pois todo mundo colabora, cada um com seu talento, uns bordando, outros cantando, e todo mundo é solidário. Afirmo, que nós temos fraternidade, e que bom seria que todo mundo tivesse. Imagina se aqueles que tanto odeiam tivessem um pouco disso? Não estaríamos onde estamos.
Minha filha se aproxima, e inicia um trançar do meu cabelo, me entrego ao carinho doce, enquanto Daniel Pearl chega para entrevistar a amiga Teresinha Braga, médica e militante de uma quantidade enorme de coisas.
Me distraio do assunto, e me concentro em quanto o movimento tem feito bem a minha "pequena", a descoberta das tranças e da liberdade para seus cabelos cacheados foi uma delas.
Daniel então se dirige a mim, tento me aprumar um pouco para atendê-lo. Nós dois, assim como Paulo Holanda, já fizemos muitas vezes essa árdua tarefa de cobrir o movimento sindical. Mas como quase sempre estamos destinados a ser ferramenta da luta, ninguém costuma nos perguntar o que pensamos ou sonhamos. É a primeira vez que ele me entrevista. Achei gentil de sua parte. 

Pergunta justamente sobre Comunicação e o poder dos grandes meios. Queria mesmo, agora confesso, dizer que eles fazem isso pois são uns merdas de golpistas, mas me contentei em dizer que eles são patrocinadores do golpe, pois oficializaram a opressão que já faziam a minha categoria. Espero ter ajudado.

Me levanto com as trancinhas e me arrisco a tirar umas fotos. Quero guardar em imagem o momento.

Esdras, meu marido, inicia uma longa conversa com Luís Carlos, presidente do PCdoB, sobre tudo um pouco: Guerra, Economia, Cuba e Crise do Capital.

Nunca pensei que pensamentos tão profundos pudessem caber em um bate papo de praça. Mas, não duvidem, que para os atenciosos ouvintes aquilo ali era uma verdadeira aula.

No meio disso, chega Andreia, militante do partido desde a época do Fora Collor, pede que eu fale no microfone. Mas eu não quero. Hoje eu queria mesmo ouvir, e foi o que fiz, declinando talvez " pelegamente" da tarefa solicitada.
A conversa entre o Luis e o Esdras é interrompida por alguém que veio saudar o presidente. Aproveito a deixa para deixar falar o cansaço e digo que já é hora de partir.
Saímos então da praça, com uma certeza dessas 'as paixões que vem de dentro', de que não se matam mesmo as ideias".


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