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Artistas dialogam saberes populares e memória de cura

Da expressão popular que se refere à mancha deixada por algumas frutas nasce a inspiração para o projeto artístico “Noda: cidades que germinam”. Por meio de intervenções urbanas e ações performativas na cidade, a ação busca dialogar questões sobre memória e resistência nas comunidades a partir dos saberes ancestrais de cura através das plantas.

- Noda, enquanto projeto artístico, vem da compreensão de que esses processos de memória e saberes populares são valiosos a ponto de surgir uma necessidade de tocar o outro com o que para nós é cotidiano, íntimo e antigo”, explica Amanda Aristides. Ela, junto com Maruska Ribeiro e Marjory Garcia (Marzô), são as artistas-idealizadoras do projeto.

A proposta, fomentada pela Lei Aldir Blanc por meio da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza, consiste na instalação de lambe-lambes que trazem colagens manuais em referência a algumas plantas medicinais como: hibisco, aroeira, colônia, babosa, alecrim, alfavaca, eucalipto, entre outras.

Os lambes, encarados pelas artistas-criadoras como “nodas” - ou seja, como marcas que persistem - refletem o ato de resistir em espaços urbanos a partir da preservação de conhecimentos passados de geração em geração por meio da oralidade, da experiência.

- Em nossas casas com nossas mães, tias e avós nos foram repassados os conhecimentos medicinais das plantas através de seus chás, lambedores, banhos de assentos e outros”, conta Maruska, “cuidados esses proporcionados pelas plantas e que fazem parte do nosso cotidiano, a cada geração”.

Sendo assim, a criação do projeto se deu a partir de conversas entre as artistas sobre suas relações pessoais com as plantas, bem como do desejo de comunicar, de trocar sobre. Esse desejo, como revela Amanda, “foi norteador para o processo de rememorar nossa história, pensar nas práticas de nosso cotidiano e elaborar com cuidado um material artístico que transpassasse o que temos no íntimo.”

Experiência multissensorial - Unindo arte, tecnologia e cultura popular, as intervenções urbanas - que podem ser vistas nos bairros Jangurussu, Itaperi, Serrinha, Centro e Joaquim Távora - também proporcionam ao público uma experiência sonora. Por meio de QR Codes, os transeuntes podem acessar um material de áudio com textos poéticos e audiodescrições das obras visuais.

Marjory considera que essa imersão potencializa a experiência de quem deseja se aprofundar nas raízes desse projeto composto por sonoridades e imagens poéticas. “Pensamos que navegar através dos sentidos pudesse ser uma ferramenta interessante, então adaptamos para o espaço urbano, no formato de lambe-lambes, acompanhados de QR Codes que dão acesso ao espaço sonoro Soundcloud, com as audiodescrições de cada colagem, junto a duas músicas feitas a partir das receitas e textos poéticos escritos e escolhidos por nós”, detalha.

Além disso, o público pode conferir o registro das intervenções urbanas e ações performativas a partir de um vídeo-arte educativo, disponível no canal do Youtube da Noda. 

- É um material de registro e uma maneira de difundir nosso projeto. A partir dele ampliaremos nossa rede de debates com foco em sensibilizar nosso público aos saberes e às práticas relacionadas às plantas”, pontua Amanda.

Segundo a artista, a proposta é que esse material possa alcançar diferentes lugares como “escolas, bibliotecas comunitárias, praças, como também a sala de casa. Nosso objetivo é criar aproximação pela experiência estética, além de ser um conteúdo de fácil acesso que ilustra nosso processo como um todo: as colagens manuais, a narração de textos poéticos e as ações das instalações dos lambes-sonoros pelas ruas”, explica.

Os materiais de áudio contam com sonoplastia de Roberta Kaya, os registros audiovisuais são de Matheus Falcão e as fotografias de Flávia Almeida.

Ampliação do Projeto - A ideia das artistas é aprofundar o trabalho iniciado, ampliando as ações, levando-as para outros espaços, conforme conta Maruska “nossa proposta além do lambes sonoros, que desejamos levar para vários bairros de Fortaleza, é realizar outros projetos com a Noda que vai além dos lambes. Propor partilhas e trocas com as comunidades, com mulheres que têm a sabedoria e a prática de cura com as plantas”.

- Iremos projetar as ações da Noda no sentido do ciclo formativo”, acrescenta Marjory, “queremos retornar às benzedeiras e às rezadeiras que plantaram essas sementes em vida, externalizar nossas inquietações e alongar nossas raízes para que assim possamos organizar e debater sobre esse ponto comum existente na sabedoria popular por trás do poder das plantas.”

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