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Futricas Gastronômicas Carnavalescas

Entre trios, sabores e histórias da Folia Baiana-De grandes personalidades aos foliões anônimos, o Carnaval Baiano celebra mais um evento, contando grandes histórias e homenageando o Axé Music.

Depois de conviver com grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) ainda na infância, mais especificamente da Bossa Nova, e depois de se refestelar nos Carnavais de Itabuna, concorrendo e triunfando como melhor fantasia, a então garotinha Suzana Bello (@subello) tomou gosto pelo Carnaval e acabou se transformando em backing vocal de grandes nomes da história do Carnaval Baiano e do Brasil.

Morais Moreira, com a participação luxuosa de Brown na então puxada de trio, quando o movimento Axé Music sequer existia e o único circuito era a conhecida Avenida Sete – do Corredor da Vitória até a Praça Castro Alves, retornando pela Carlos Gomes – eram as referências da jovem Suzana, que mandava ver nos trios elétricos da época, antes de Luiz Caldas pegar a guitarra e dedilhar seus primeiros acordes com o ritmo inovador do Axé Music.

- Existia em nós uma coisa de ingenuidade, era mais a arte pela arte. Não tinha essa coisa de todo mundo se preparar, que é algo bom, de terem um acompanhamento dentro do trio. Era cada um por si, com sua voz, com seu instrumento. Juntava-se a isso o prazer da gente estar em contato com essa alegria e com essa arte. Era algo muito menos técnico. Mas temos muitas, muitas, muitas coisas positivas que vieram para agregar e para a gente aprender”, conta Bello, que viu e viveu muitas histórias do Carnaval Baiano.

Com o Carnaval na veia, a menina Suzana soltava a voz e o corpo, saracoteava adoidado e, hoje, enveredando em outras propostas de trabalho, sai nas ruas que celebram o Axé Music como grande foliã e com maravilhosas lembranças no coração.

- Eu me lembro que morava no Rio e todo ano ia para Itabuna (Bahia). Eu amava Itabuna, ia para a casa dos meus avós, e lá tinha o Grapeúna Tênis Clube. Minha avó me fantasiava para eu ir aos bailes. Eu vivia o Carnaval em Itabuna, porque todas as férias eu estava lá. Eu ganhei concurso de melhor fantasia, sempre fui muito performática. Além de ser cantora, sou artista, gosto de fantasiar, dançar, performar mesmo".

Mas, além de Suzana, existe uma legião de foliões com suas histórias de Carnaval. Raimundo Dultra (@raidultra), folião típico de longas eras, que acredita ter ‘nascido’ na avenida do Carnaval, tem grandes causos para contar.

- Realmente, sou daqueles foliões de carteirinha, viu. Quando comecei a pular? Teria que perguntar à minha mãe, porque eu não lembro. Desde sempre gosto de Carnaval. Sempre pulei de pipoca, saí em vários blocos”, conta Raimundo.

Ele relembra com emoção grandes histórias que viveu e tantas outras das quais foi protagonista. Uma delas aconteceu em plena avenida, em meio à Folia, quando conheceu a esposa, Gialvana Gomes. Beijou muito, caiu na gandaia e se casou. Já são 36 anos de história, sempre pulando atrás do trio.

- Eu conheci minha esposa na avenida. A gente ficava anos e anos em uma turma, ficava no mesmo lugar. Eu passando na Avenida Sete, ela estava no lugar onde temos amigos em comum. Aí eu a encontrei ali... e de lá para cá a gente não se separou mais. Todo Carnaval estamos juntos, seja em bloco, camarote ou pipoca. O Carnaval deu sorte, e essa é uma experiência que eu realmente gostei”, conta, apaixonado.

Para ele, embora seja difícil escolher entre os milhares de momentos dessa jornada prazerosa, há uma passagem magistral: a apresentação da banda Furtacor, justamente quando ocorreu um dos maiores 'engarrafamentos' da história do Carnaval em plena avenida. À época, o Gandhy atravessou na frente do trio da banda Furtacor. O encerramento do Carnaval seria por volta da 1h da manhã, mas o trajeto do Gandhy cortando a avenida demorou 'séculos'. As apresentações dos inúmeros trios foram atrasando,

Raimundo conta que, desde os primeiros acordes daquele ano, Ademar Furtacor, líder da banda, avisou que haveria uma grande surpresa ao final da apresentação. Com o atraso dos trios, somente às 6h da manhã Ademar pôde apresentar a surpresa: o som do teclado e os instrumentos da banda invadiram a Praça Castro Alves ao som da “Ave Maria de Gounod”, arrepiando uma praça lotada e deixando uma grande marca inédita na história do Carnaval Baiano.

- Eu acho, que um fato marcante para mim no Carnaval foi esse da Ave Maria”, conta o eterno folião, que experimentou a grande evolução do Carnaval Baiano ao longo desses anos.

Para Suzana, cantar em cima do trio foi entender a experiência do folião, uma energia contagiante, e ela imprime em sua fala emocionada outra grande energia.

- Fui cantora de Carnaval e, na verdade, o que me fez gostar de ser foliã foi trabalhar em cima do trio elétrico e ver a alegria e a energia das pessoas pulando. Isso despertou em mim o desejo de entender essa felicidade que, de alguma forma, eu também transmitia. Eu fazia parte desse movimento, compartilhando essa energia para alegrar o público. Por isso, prefiro sair em blocos sem corda, como os Mascarados."

É no meio dessa história de conexão e troca de energia que a comida também entra em cena. Quem não pensa em se reabastecer durante a Folia Momesca? Ou melhor, quem não precisa armazenar e manter energia para aguentar horas seguidas saracoteando nos circuitos? Suzana, além de tudo, é cozinheira e adora alimentar sua trupe com o que mais ama: comida e música. Ambos garantem sustância em uma temporada deliciosa de comunhão e alegria.

- Amo cozinhar, amo, amo. Tem uma frase muito legal da Raísa Costa. A frase é a seguinte: ‘Alimentar quem eu amo de comida e música é um dos maiores prazeres da minha vida.’ Essa frase eu me identifiquei muito, muito, porque é isso. Eu faço os natais aqui na minha casa, adoro cozinhar, faço uma torta de nozes deliciosa, que é receita da minha avó – na verdade, da minha bisavó. Eu herdei a maquininha de moer as nozes”, conta, orgulhosa.

É com essa pegada cheia de energia que Suzana nos ensina um dos pratos, que prometem dar sustância a quem precisa em meio à alegria do Carnaval Baiano.

Couscous Marroquino Carnavalesco-Ingredientes

  • 1 xícara de sêmola de trigo própria para cuscuz marroquino (couscous)
  • 1 xícara de caldo de legumes ou camarão fervente
  • Meio limão siciliano (raspas e sumo)
  • Sal a gosto
  • Pimenta-do-reino branca a gosto
  • ½ cebola média picada
  • 1 punhado de nozes picadas
  • 300 a 400 g de camarão temperado com sal, pimenta-do-reino branca e limão
  • Azeite de oliva extra virgem
  • 1 cenoura em cubinhos pequenos cozida al dente
  • ½ pimentão vermelho picado
  • ½ pimentão amarelo picado
  • 1 abobrinha cortada em cubinhos
  • Coentro e cebolinha a gosto
  • Dica: Para uma versão alternativa, o camarão pode ser substituído por frango desfiado.
  • Vantagem: Pode ser servido quente ou frio.

Modo de Preparo

1. Refogar os vegetais: Aqueça o azeite e refogue a cebola até ficar transparente. Adicione os pimentões, a abobrinha e, por último, a cenoura cozida al dente. Deixe no fogo por cerca de 5 minutos, tempere com sal e pimenta-do-reino branca e reserve.

2. Hidratar o cuscuz: Enquanto os vegetais apuram, hidrate a sêmola de trigo com o caldo fervente. Tampe e deixe descansar por 5 a 7 minutos até os grãos incharem.

3. Grelhar os camarões: Em fogo alto, aqueça um fio de azeite e grelhe os camarões por no máximo 4 minutos, até ficarem dourados.

4. Montagem: Misture delicadamente o cuscuz hidratado com o refogado de vegetais, envolvendo bem os ingredientes. Acrescente as nozes picadas e misture novamente.

5. Finalização: Adicione os camarões grelhados, raspas e sumo de meio limão siciliano. Regue com bastante azeite e finalize com coentro e cebolinha picados.

Agora é só servir e aproveitar essa explosão de Cores e Sabores Carnavalescos! A Folia está na mesa.

  • Isabel Oliveira.

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