*Janeiro Branco | Aumento nos casos de transtornos mentais preocupa e reforça a importância da prevenção, incluindo o local de trabalho*
Mais de um bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. É o que revelam os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgados em setembro último. Uma situação que se agravou no período pós-pandemia e já tem reflexos significativos no mercado de trabalho.
Em 2025, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) registrou um aumento de 143% nos afastamentos do trabalho por transtornos mentais. Foram cerca de 1.146.960 ocorrências. Entre as doenças que mais geraram benefícios por incapacidade temporária, se destacam a depressão e a ansiedade. Juntas, elas somam quase meio milhão de casos, o maior número em pelo menos 10 anos.
“Essas estatísticas demonstram um cenário preocupante e a necessidade de intensificarmos, com ações efetivas, campanhas que busquem fortalecer a saúde mental, a exemplo do Janeiro Branco, inclusive, nos locais de trabalho. Há legislações voltadas à essa temática”, aponta a psiquiatra da Afya Educação Médica, Susana Ramírez, ao citar a a Lei 14.556/2023, que aborda a promoção de hábitos e ambientes saudáveis para prevenir doenças psiquiátricas.
Entre os fatores que têm contribuído para este quadro de adoecimento de profissionais, segundo especialistas, estão a volta ao trabalho presencial, após a pandemia, passando por longas jornadas, baixos salários, vínculos precários, casos de assédio e relações tóxicas no ambiente laboral, que favorecem o surgimento do estresse, da ansiedade e do Burnout.
“É preciso que tenhamos políticas institucionais de acolhimento e prevenção. Não podemos ignorar os sinais de adoecimento emocional. O ambiente laboral precisa ser um espaço de reconhecimento de talentos, de cooperação. Um lugar onde nossos potenciais sejam aproveitados e nossos limites, respeitados. Precisamos promover a saúde, e não favorecer o surgimento de doenças”, afirma.
Susana alerta para o surgimento de sentimentos como irritabilidade, desânimo e perda de interesse pelo trabalho, que podem representar alertas, sobretudo quando somados a manifestações psicossomáticas, como dores de cabeça, musculares, distúrbios gastrointestinais, do sono e fadiga.
“Nesses casos, é preciso buscar ajuda, suporte profissional, evitar o isolamento. Nesse período, também é muito importante cultivar relações positivas que fortaleçam a nossa rede de apoio e praticar o autocuidado, buscando lazer, atividades físicas e práticas saudáveis”, completa.

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