Primeiro processo voltado exclusivamente para a concorrência de juízas de carreira, o Pleno do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) elegeu e empossou, nesta sexta-feira (30/1/2026), uma nova desembargadora. Escolhida pelo critério de merecimento, a magistrada Maria Marleide Maciel Mendes (foto) era titular da 3ª Vara de Família da Comarca de Fortaleza e, atualmente, exercia a função de juíza convocada da 6ª Câmara de Direito Privado do TJCE.
A votação (aberta, nominal e fundamentada) durou aproximadamente três horas, com 49 votantes. Ao final, a nova integrante do 2º Grau do Poder Judiciário cearense, que já havia figurado em lista tríplice, somou 100 pontos, ocupando o primeiro lugar entre as 16 concorrentes.
A segunda colocada foi a juíza Ana Cristina de Pontes Lima Esmeraldo (99,50). Já a juíza Valeska Alencar Alves Rolim foi a terceira (99,17), completando a lista tríplice feminina.
A sessão foi transmitida ao vivo no Canal do TJCE no Youtube. Clique AQUI para conferir.
POSSE
Logo após a eleição, a nova desembargadora do TJCE tomou posse e recebeu os cumprimentos de integrantes da Corte, das demais concorrentes e de familiares.

A nova desembargadora, Marleide Maciel, ao lado do presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira e do vice-presidente do TJCE, desembargador Mauro Liberato
Na solenidade, Marleide Maciel ressaltou, que uma composição mais equitativa da magistratura traz diferentes experiências e perspectivas para a Justiça, tornando o Judiciário cada vez mais próximo da diversidade da população. Ainda falou sobre o significado da ascensão na carreira de quase 33 anos dedicados à magistratura.
“Hoje não é apenas um marco na minha trajetória profissional. É sobretudo um instante de silêncio interior, daqueles em que a alma revisita o caminho percorrido e reconhece com humildade, que ninguém chega sozinho a lugar algum. Rogo a Deus, nesse momento, ao ser a primeira mulher a ser escolhida na primeira lista feminina do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, pelo critério de merecimento, que me dê sempre a liberdade e a serenidade interior a entender a magnitude deste momento para toda a sociedade cearense e, especialmente, às mulheres cearenses”, salientou a desembargadora Marleide Maciel.
O presidente do TJCE, desembargador Heráclito Vieira de Sousa Neto, parabenizou a nova integrante do Tribunal e elogiou a trajetória da magistrada no exercício da judicatura. Também considerou histórica a sessão desta sexta-feira.
- Este é um dia marcante porque representa o cumprimento de uma política, que foi traçada, a partir do Conselho Nacional de Justiça, de promover a equidade de gênero. Com a aposentadoria da desembargadora Maria do Livramento Alves Magalhães, houve um desequilíbrio e atingimos um percentual aquém dos 40% na composição do Tribunal com a presença feminina, e esse percentual foi recomposto hoje. Mas, para além do percentual, significa, que o Tribunal de Justiça tem consciência da necessidade de promover essa equidade, de oportunizar igualdade em todos os sentidos”, defendeu o presidente do TJCE.
TRAJETÓRIA
Filha de Pedro Paulo e Matinha Senhorinha, Maria Marleide Maciel Mendes, em Fortaleza. Graduou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC), no ano de 1983. Tem especializações em Direito Penal, Direito Processual Civil e Direito Público. É mestre em Planejamento e Políticas Públicas, pela Universidade Estadual do Ceará (Uece); doutora em Ciências Jurídico-Sociais, pela Universidad del Museo Social Argentino; e pós-doutora em Ciências Sociais Aplicada, pela Università degli Studi di Messina, na Itália.
Ingressou na magistratura cearense em 5 de abril de 1993, na Comarca de Alto Santo. Passou pelas comarcas de Mombaça, Crateús e Aracati. No ano de 2000, chegou à Fortaleza. Passou dois anos como juíza auxiliar e depois assumiu a titularidade da 3ª Vara de Família da Capital.

A desembargadora já vinha atuando como juíza convocada do TJCE. Na última eleição por merecimento para compor o 2º Grau, realizada no dia 31 de outubro do ano passado, ela havia figurado como segunda colocada em lista tríplice.
ENTENDA
Aberta por meio do Edital nº 236/2025, a vaga para desembargadora voltada exclusivamente para participação feminina considerou as Resoluções nº 525/2023 e nº 638/2025 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O objetivo foi assegurar, que o Tribunal respeite a proporção, por gênero, de 40% a 60%. Também levou em conta a Resolução 540/2023 do CNJ, que reforça a política de paridade de gênero e de incentivo à participação feminina em funções jurisdicionais e administrativas no âmbito do Poder Judiciário.
Com a Eleição, o TJCE voltará a ter 18 desembargadoras, do total de 44 integrantes com carreira na magistratura (quanto aos quais se aplica a política afirmativa do CNJ). A nova componente da Corte ocupará a vaga aberta em virtude da aposentadoria da desembargadora Maria do Livramento Alves Magalhães, ocorrida em setembro de 2025.
Agora, do total de 55 integrantes, incluindo as(os) oriundas(os) do Quinto Constitucional, o TJCE tem 21 desembargadoras.

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