Por Angélica Ramos (*), especial para o Blog
Qualquer visitante desavisado que estivesse, domingo (29/10), na Passeig de Gràcia (avenida localizada no centro cultural e turístico da Barcelona modernista de Antonio Gaudi) seria testemunha de um dos capítulos mais marcantes da história contemporânea espanhola. A manifestação, convocada pela ong Societat Civil Catalana, reuniu milhares de catalães que rejeitam a declaração de independência proclamada na última sexta-feira, 27, pelo ex-presidente da Generalista, Carles Puidemont. A maré gigantesca de pessoas que invadiu a avenida barcelonesa defendia a constituição espanhola de 1978 e a permanência da Catalunha dentro do território espanhol.
Aos gritos de
“Puigdemont a prisión”, a multidão ganhou as ruas e tingiu o
centro da cidade de um colorido especial com as bandeiras espanholas,
catalãs e europeias. O número de participantes no protesto é uma
verdadeira “guerra de valores” difícil de precisar. Os
organizadores (anti-separatistas) falam de 1 milhão 100 mil
participantes. A Guàrdia Urbana (polícia local controlada pelos
separatistas) afirmam que 300 mil pessoas se manifestaram. A vista
aérea do evento revela que muito mais de 300 mil passaram pela
avenida, mas é complicado falar de números mais realistas e
oficiais.
O que ficou bastante evidente foi a contundência com que a multidão pedia a volta da democracia através do voto. O governo central da Espanha declarou nula a proclamação da nova República Catalã por ser inconstitucional e já marcou a data das próximas eleições da região, dia 21 de dezembro. A manifestação contou com a participação de vários políticos da oposição na Catalunha. O Partido Popular (PP), o Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE) e Ciutadans (C's) enviaram representação.
No palanque, o destaque foi para dois símbolos da esquerda na Catalunha e na Espanha. O discurso de Paco Frutos, ex-secretário geral do Partido Comunista Espanhol, foi um dos mais efusivos e ressaltava que “separatistas eram os verdadeiros traidores do povo”. “Os nacionalistas enganam a gente trabalhadora e criam ódio entre as pessoas … destruíram a liberdade, a democracia, e todos aqueles que não pensam igual a eles”, afirmou duramente o líder comunista.
Entre os mais aplaudidos estava o ex-ministro socialista, Josep Borrell. O ex-presidente do Parlamento Europeu criticou com eloquência a Carles Puigdemont e a todos os aliados separatistas. “Puigdemont, você não tem o direito de falar em nome de toda a sociedade da Catalunha nem em minha representação”. O socialista lembrou que “os separatistas apenas representam a metade dos cidadãos na Catalunha”.
Segundo ele, a resolução deste conflito passa por novas eleições que decidirão quem são as forças políticas verdadeiras no território catalão. E concluiu “em 50 dias, aqueles que querem a volta da democracia devem exercer plenamente os seus direitos e não podem deixar votar para a situação se normalize”.
Qualquer visitante desavisado que estivesse, domingo (29/10), na Passeig de Gràcia (avenida localizada no centro cultural e turístico da Barcelona modernista de Antonio Gaudi) seria testemunha de um dos capítulos mais marcantes da história contemporânea espanhola. A manifestação, convocada pela ong Societat Civil Catalana, reuniu milhares de catalães que rejeitam a declaração de independência proclamada na última sexta-feira, 27, pelo ex-presidente da Generalista, Carles Puidemont. A maré gigantesca de pessoas que invadiu a avenida barcelonesa defendia a constituição espanhola de 1978 e a permanência da Catalunha dentro do território espanhol.
![]() |
| Os organizadores estimam em mais de um milhão de pessoas o público da manifestação. |
O que ficou bastante evidente foi a contundência com que a multidão pedia a volta da democracia através do voto. O governo central da Espanha declarou nula a proclamação da nova República Catalã por ser inconstitucional e já marcou a data das próximas eleições da região, dia 21 de dezembro. A manifestação contou com a participação de vários políticos da oposição na Catalunha. O Partido Popular (PP), o Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE) e Ciutadans (C's) enviaram representação.
No palanque, o destaque foi para dois símbolos da esquerda na Catalunha e na Espanha. O discurso de Paco Frutos, ex-secretário geral do Partido Comunista Espanhol, foi um dos mais efusivos e ressaltava que “separatistas eram os verdadeiros traidores do povo”. “Os nacionalistas enganam a gente trabalhadora e criam ódio entre as pessoas … destruíram a liberdade, a democracia, e todos aqueles que não pensam igual a eles”, afirmou duramente o líder comunista.
Entre os mais aplaudidos estava o ex-ministro socialista, Josep Borrell. O ex-presidente do Parlamento Europeu criticou com eloquência a Carles Puigdemont e a todos os aliados separatistas. “Puigdemont, você não tem o direito de falar em nome de toda a sociedade da Catalunha nem em minha representação”. O socialista lembrou que “os separatistas apenas representam a metade dos cidadãos na Catalunha”.
Segundo ele, a resolução deste conflito passa por novas eleições que decidirão quem são as forças políticas verdadeiras no território catalão. E concluiu “em 50 dias, aqueles que querem a volta da democracia devem exercer plenamente os seus direitos e não podem deixar votar para a situação se normalize”.
__________________
(*) - Angélica Ramos é jornalista brasileira, formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), e mora atualmente na Espanha.

Comentários
Postar um comentário