O presidente Jair Bolsonaro-PSL (foto Alan Santos) abre a 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça (24). Bolsonaro viaja nesta segunda (23) a Nova Iorque (Estados Unidos). A fala inicial do Brasil cumpre uma tradição de 1947, quando o diplomata Oswaldo Aranha presidiu a Assembleia em dois momentos.
Neste contexto, o diplomata declarou na tribuna das Nações Unidas: “Minhas decisões, mesmo que elas sejam pessoais, vão estar inspiradas na minha projeção delas em direção a vocês e na aderência do Brasil a sua tradição histórica de imparcialidade e de cultura jurídica e, por último, mas não menos importante, no apoio favorecido do meu país às Nações Unidas”.
O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Juliano Cortinhas, explicou que a decisão de o Brasil abrir a assembleia decorreu de dois fatos: a atuação na Segunda Guerra Mundial, quando o país combateu ao lado dos norte-americanos na Itália em 1945; e por não ter obtido um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é formado por EUA, França, Reino Unido, China e a Rússia (ex-União Soviética).
“No sentido de que a gente não teve esse pleito atendido, a cadeira no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente, nos é dada essa prerrogativa de fazer sempre o discurso inicial”, disse.
Para o embaixador e diretor do Departamento das Nações Unidas do Ministério das Relações Exteriores, Luis Fernando Abbott Galvão, essa tradição traz visibilidade ao Brasil. “É uma ótima oportunidade para proferir a visibilidade ao discurso brasileiro no debate geral da Assembleia. Então, é um momento em que os estados membros estão todos presentes no debate geral, os líderes”, defendeu.
Abertura da Assembleia
Nem sempre foram os presidentes do país que abriram a Assembleia Geral das Nações Unidas. Muitas vezes esse papel coube ao chanceler brasileiro, o ministro das Relações Exteriores.
Em 1974, no Governo do presidente Ernesto Geisel, o chanceler Azeredo da Silveira fez um discurso que enfatizou o pragmatismo e a responsabilidade da diplomacia brasileira a partir dos princípios do universalismo, da diversificação de parcerias e da primazia dos interesses nacionais. Onze anos antes, em 1963, no governo do ex-presidente João Goulart, outro chanceler, Araujo Castro, proferiu o discurso.
A 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou em 17 de setembro sob a presidência do nigeriano Tijjani Muhammad-Bande, realiza cinco eventos de alto nível nesta semana (segunda-23 a sexta-feira-27) e reúne os líderes para uma cúpula sobre o clima, convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Essa edição tem como tema a união de esforços multilaterais para a erradicação da pobreza, educação de qualidade, ação climática e inclusão e espera a participação de 196 membros. Uma cúpula, um fórum político, um diálogo e três reuniões de alto nível completam a semana preparada pela Assembleia Geral.
Cúpula climática - A semana começa com a Cúpula da Ação Climática, depois de um fim de semana dedicado às vozes dos jovens ativistas pelo ambiente. Na reunião de alto nível, deverão discursar, líderes políticos e organizações com planos mais ambiciosos para a sustentabilidade do mundo, o combate às alterações climáticas e para uma economia verde.
Cobertura universal de saúde - A primeira reunião de alto nível da ONU sobre cobertura universal de saúde realiza-se também nesta segunda (23) com o lema "unidos para construir um mundo mais saudável". Esta reunião, denominada "Universal Health Coverage", acontece pela primeira vez na ONU, num contexto em que todos os países se comprometeram em tentar prestar uma cobertura de saúde universal até 2030, assegurando o acesso a serviços de saúde de qualidade, acesso a medicina e vacinas seguras, efetivas e económicas e também a proteção contra riscos financeiros.
Debate geral - Nos primeiros dois dias do debate geral da Assembleia, terça (24) e quarta-feira (25), realiza-se o fórum político sobre Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este fórum é também o primeiro a analisar os progressos desde a assinatura da Agenda 2030 por mais de 190 países, há quatro anos, e da adoção de 17 ODS para um mundo mais sustentável e igualitário em assuntos de ambiente, trabalho digno, condições de vida, qualidade de serviços de saúde, igualdade social, acesso a educação e proteção da natureza.
Financiamento do desenvolvimento sustentável - Quinta-feira (26) é dia do encontro de alto nível para financiamento do desenvolvimento sustentável e também da reunião de alto nível para promover o dia internacional da eliminação total das armas nucleares, celebrado anualmente em 26 de agosto.
Num esforço para que a Agenda 2030 e os ODS sejam respeitados, a Assembleia Geral realiza o encontro de alto nível para financiamento do desenvolvimento sustentável, que deverá abordar assuntos como a utilização de recursos públicos para sociedades mais inclusivas e igualitárias, o combate à corrupção e a fluxos financeiros ilícitos ou iniciativas de ação climática para conter a dívida pública.
Sexta-feira, a Assembleia Geral realiza uma reunião de alto nível sobre o progresso dos países em desenvolvimento das pequenas ilhas pelas Modalidades de Ação Acelerada (SAMOA).
A 74ª Assembleia Geral da ONU deve ter a participação de 91 chefes de Estado, seis vice-presidentes, 45 chefes de governo, cinco vice-primeiros-ministros, 44 ministros, dois chefes de delegação e três observadores. Com a presença de 196 delegações mundiais, a Assembleia Geral vai intermediar outras 630 reuniões oficiais.
Primeiro, entre abril e maio, quando o Reino Unido solicitou uma convocação extraordinária para discutir o status da Palestina, que desde o fim da Primeira Guerra Mundial estava sob um mandato britânico. E depois, em novembro de 1947, quando esteve à frente da 3ª Assembleia Geral das Nações Unidas que discutiu e aprovou a criação do Estado de Israel.
Neste contexto, o diplomata declarou na tribuna das Nações Unidas: “Minhas decisões, mesmo que elas sejam pessoais, vão estar inspiradas na minha projeção delas em direção a vocês e na aderência do Brasil a sua tradição histórica de imparcialidade e de cultura jurídica e, por último, mas não menos importante, no apoio favorecido do meu país às Nações Unidas”.
O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Juliano Cortinhas, explicou que a decisão de o Brasil abrir a assembleia decorreu de dois fatos: a atuação na Segunda Guerra Mundial, quando o país combateu ao lado dos norte-americanos na Itália em 1945; e por não ter obtido um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, que é formado por EUA, França, Reino Unido, China e a Rússia (ex-União Soviética).
“No sentido de que a gente não teve esse pleito atendido, a cadeira no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente, nos é dada essa prerrogativa de fazer sempre o discurso inicial”, disse.
Para o embaixador e diretor do Departamento das Nações Unidas do Ministério das Relações Exteriores, Luis Fernando Abbott Galvão, essa tradição traz visibilidade ao Brasil. “É uma ótima oportunidade para proferir a visibilidade ao discurso brasileiro no debate geral da Assembleia. Então, é um momento em que os estados membros estão todos presentes no debate geral, os líderes”, defendeu.
Abertura da Assembleia
Nem sempre foram os presidentes do país que abriram a Assembleia Geral das Nações Unidas. Muitas vezes esse papel coube ao chanceler brasileiro, o ministro das Relações Exteriores.
Em 1974, no Governo do presidente Ernesto Geisel, o chanceler Azeredo da Silveira fez um discurso que enfatizou o pragmatismo e a responsabilidade da diplomacia brasileira a partir dos princípios do universalismo, da diversificação de parcerias e da primazia dos interesses nacionais. Onze anos antes, em 1963, no governo do ex-presidente João Goulart, outro chanceler, Araujo Castro, proferiu o discurso.
A 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou em 17 de setembro sob a presidência do nigeriano Tijjani Muhammad-Bande, realiza cinco eventos de alto nível nesta semana (segunda-23 a sexta-feira-27) e reúne os líderes para uma cúpula sobre o clima, convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.
Essa edição tem como tema a união de esforços multilaterais para a erradicação da pobreza, educação de qualidade, ação climática e inclusão e espera a participação de 196 membros. Uma cúpula, um fórum político, um diálogo e três reuniões de alto nível completam a semana preparada pela Assembleia Geral.
Cúpula climática - A semana começa com a Cúpula da Ação Climática, depois de um fim de semana dedicado às vozes dos jovens ativistas pelo ambiente. Na reunião de alto nível, deverão discursar, líderes políticos e organizações com planos mais ambiciosos para a sustentabilidade do mundo, o combate às alterações climáticas e para uma economia verde.
Cobertura universal de saúde - A primeira reunião de alto nível da ONU sobre cobertura universal de saúde realiza-se também nesta segunda (23) com o lema "unidos para construir um mundo mais saudável". Esta reunião, denominada "Universal Health Coverage", acontece pela primeira vez na ONU, num contexto em que todos os países se comprometeram em tentar prestar uma cobertura de saúde universal até 2030, assegurando o acesso a serviços de saúde de qualidade, acesso a medicina e vacinas seguras, efetivas e económicas e também a proteção contra riscos financeiros.
Debate geral - Nos primeiros dois dias do debate geral da Assembleia, terça (24) e quarta-feira (25), realiza-se o fórum político sobre Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este fórum é também o primeiro a analisar os progressos desde a assinatura da Agenda 2030 por mais de 190 países, há quatro anos, e da adoção de 17 ODS para um mundo mais sustentável e igualitário em assuntos de ambiente, trabalho digno, condições de vida, qualidade de serviços de saúde, igualdade social, acesso a educação e proteção da natureza.
Financiamento do desenvolvimento sustentável - Quinta-feira (26) é dia do encontro de alto nível para financiamento do desenvolvimento sustentável e também da reunião de alto nível para promover o dia internacional da eliminação total das armas nucleares, celebrado anualmente em 26 de agosto.
Num esforço para que a Agenda 2030 e os ODS sejam respeitados, a Assembleia Geral realiza o encontro de alto nível para financiamento do desenvolvimento sustentável, que deverá abordar assuntos como a utilização de recursos públicos para sociedades mais inclusivas e igualitárias, o combate à corrupção e a fluxos financeiros ilícitos ou iniciativas de ação climática para conter a dívida pública.
Sexta-feira, a Assembleia Geral realiza uma reunião de alto nível sobre o progresso dos países em desenvolvimento das pequenas ilhas pelas Modalidades de Ação Acelerada (SAMOA).
A 74ª Assembleia Geral da ONU deve ter a participação de 91 chefes de Estado, seis vice-presidentes, 45 chefes de governo, cinco vice-primeiros-ministros, 44 ministros, dois chefes de delegação e três observadores. Com a presença de 196 delegações mundiais, a Assembleia Geral vai intermediar outras 630 reuniões oficiais.
Com informações da Agência Brasil.

Comentários
Postar um comentário