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Commodities lideram volume das exportações em julho

O saldo da balança comercial foi de US$ 4,2 bilhões em julho levando a um saldo acumulado de US$ 34 bilhões nos sete primeiros meses de 2018, inferior em US$ 18,5 bilhões em relação a igual período de 2017. 

A variação das importações em valor na comparação mensal entre os meses de julho de 2017 e 2018 foi de 49,5%, acima do resultado para as exportações, 22%. No acumulado até julho de 2018 em relação ao de 2017, as importações cresceram 22% e as exportações 7,9%.

Em julho, o crescimento das exportações está associado ao bom desempenho das commodities e o das importações foi influenciado pelas importações de plataformas de petróleo. A análise dos índices de preços e volume dos fluxos de comércio esclarecem o desempenho da balança comercial.

Os índices de comércio exterior - No mês de julho, o volume exportado cresceu 8,7% em relação a julho de 2017 e as importações 38,3% (Gráfico 1). No acumulado do ano até julho essas variações são: 2,6% para as exportações; e, 13,4% para as importações. No caso dos preços, o resultado para as exportações supera seja na comparação mensal ou do acumulado, as variações registradas para o volume, o que não ocorre com as importações.



O desempenho exportador do mês de julho é explicado pelo comportamento das commodities (Gráfico 2) que registrou alta de 16,5% nos preços e de 21,9% no volume, na comparação mensal. Destaca-se o aumento no volume exportado do complexo da soja (40%), petróleo e derivados (41,5%) e carnes (16,2%). Além disso, aumentos de preços acima de 2 dígitos foram registrados no complexo soja (11%), minério de ferro (34%) e petróleo e derivados (50%). A China tem um papel relevante para esses resultados. As exportações de soja em grão aumentaram 65%, seguida de petróleo (154%) e altas acima de 100% nas vendas de carnes bovina e suína.



Observa-se, porém, que na comparação do acumulado até julho, a variação nos preços das não commodities é superior ao das commodities e, em termos de volume, os dois agregados crescem com o mesmo percentual.

O crescimento mais elevado nos preços exportados em relação aos importados explica a melhora nos termos de troca desde maio de 2018 (Gráfico 3). Em relação a 2017, os termos de troca cresceram 3,9% na comparação mensal, mas recuaram 2,4% entre o acumulado até julho de 2017/2018. As restrições de Trump às exportações de soja da China podem ter contribuído para a elevação do preço desse produto. No entanto, é bom frisar que num cenário de acirramento do protecionismo com desaceleração do comércio mundial, o efeito sobre os preços das commodities será de queda.



Índices por indústria e categoria de uso. A variação do volume exportado por tipo de indústria (Gráfico 4) confirma o desempenho favorável das commodities em julho com crescimento de 29% na agropecuária, de 32,9% na indústria extrativa e queda na indústria de transformação. No acumulado do ano até julho, a liderança é da agropecuária (10%), com queda na indústria extrativa e avanço de 1,6% na indústria de transformação.





Nos preços, a liderança fica com a indústria extrativa no mês de julho e no acumulado do ano. Os preços da agropecuária registram a menor variação (2,3%) na comparação do acumulado do ano até julho. Logo é o desempenho favorável nos preços de petróleo e de commodities siderúrgicas que tem puxado o resultado da indústria extrativa ao longo do ano. No caso das commodities siderúrgicas, o efeito das restrições Trump podem explicar em parte esse resultado.

A variação do volume importado está descrita no Gráfico 6. O aumento de 41, 7% na indústria de transformação foi influenciado pelas compras de plataformas de petróleo. Em julho de 2017, o valor importado foi de US$ 341 mil e em julho de 2018, US$ 3,3 bilhões. Como o índice de volume considera a tonelagem importada, uma compra de plataforma influencia. Outro mês que isso ocorreu foi em fevereiro. No entanto, mesmo excluindo as plataformas, há um aumento no volume importado em outros segmentos da indústria como será ressaltado.


A análise por categoria de uso das exportações da indústria de transformação mostra queda em todas as categorias, exceto bens de consumo não duráveis na comparação mensal. Chama atenção o desempenho dos bens duráveis de consumo, com elevada participação da indústria automotiva, tendo como principal destino a Argentina. A piora nas condições econômicas do país levaram a uma retração na demanda por itens dessa indústria. As vendas de automóveis caíram 36% para esse país entre julho de 2017 e 2018. Na comparação do acumulado no ano, o destaque são os bens de capital (aumento de 21,9%), pois todas as outras categorias registraram recuo nessa base de comparação. O resultado é influenciado pelas vendas de plataformas de petróleo (aumento de 207% em valor) e máquinas de terraplanagem (40%).



O resultado do volume importado de bens de capital da indústria de transformação foi influenciado pelas plataformas de petróleo em julho (aumento de 223,5%). Observa-se pelas informações da Secretaria de Comércio Exterior que US$ 1,6 bilhões são operações oriundas do Brasil e US$ 1,6 bilhões da China e o restante de outros países (US$ 1 milhão). O aumento nas compras de bens duráveis de consumo, onde os automóveis têm importante participação, estariam associadas ao fim de restrições impostas pelo regime automotivo (INOVAR AUTO) que vigorou até o final de 2017. No entanto, registra-se variações positivas em todas as categorias, o que seria explicado pela melhora no primeiro semestre do nível de atividade e renda, pois o câmbio como veremos não está favorável.



O ICOMEX apresenta índices que são indicadores do nível de atividade. As importações de bens de capital lideram as compras tanto na indústria de transformação (antes analisada) e no setor agropecuário. No caso da indústria de transformação, o peso das plataformas deve ser considerado e atenua o sinal de um possível aumento generalizado na formação bruta de capital fixo da economia. As compras de bens intermediários no setor agropecuário recuaram, o que é compatível com a desvalorização cambial. Na indústria, mesmo com projeções de desaceleração do ritmo de atividade para o segundo semestre, as importações de bens intermediários cresceram 14,8%, em julho, o que pode ser interpretado como antecipação de compras face a uma possível escalada de desvalorização do real num cenário eleitoral incerto.



Consideração final - A balança comercial permanece numa situação favorável e, logo, o setor externo continua sendo um não problema para a conjuntura econômica do país. No entanto, algumas questões merecem atenção. A primeira se refere à evolução da taxa de câmbio real efetiva que desvalorizou 10,6 % entre janeiro e julho de 2018 (Grafico 10). Se por um lado a desvalorização é positiva para as exportações, variações acentuadas e volatilidade cambial não são favoráveis para operações de comércio exterior. Expectativas de desvalorizações adiam decisões de exportar e antecipam as de importar.



A segunda se refere ao efeito Trump. Os ganhos por desvio de comércio (caso da soja, por exemplo) não irão compensa a desaceleração do comércio mundial num cenário de acirramento do protecionismo, algo ainda incerto.

A terceira remete a uma questão de médio/longo prazo. A concentração das exportações em commodities (em julho, soja em grão, minério de fero e petróleo explicaram 41% das exportações) e, logo, a dependência do mercado chinês colocam questões sobre a agenda da política comercial para o próximo governo.

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