Fragmentos de óleo foram encontrados neste domingo (10), na Praia de Pontal do Ipiranga, na cidade de Linhares (ES) onde há uma base do Projeto Tamar. Esta é a segunda localidade capixaba atingida pelo produto nos últimos quatro dias.
Na quinta-feira (7), pequenos fragmentos de óleo foram recolhidos na praia de Guriri, em São Mateus (ES), a cerca de 85 quilômetros ao norte de Linhares. Ou seja, após ter se espalhado pelos nove estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), o produto de origem ainda desconhecida avança pela região Sudeste em direção ao sul. A capital capixaba, Vitória, está distante cerca de 170 quilômetros de Pontal do Ipiranga.
De acordo com a Marinha, análises da substância recolhida há quatro dias em São Mateus confirmaram que se trata do mesmo óleo que atingiu praias, mangues, costões marítimos, desembocaduras de rios e outros habitats litorâneos do Nordeste.
Na praia de Pontal do Ipiranga, atingida hoje, funciona uma base do Projeto Tamar, dedicado à pesquisa, proteção e manejo de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção. No site do Tamar (http://www.tamar.org.br/) consta que, “na região caracterizada por mata de restinga razoavelmente bem conservada”, são monitorados e protegidos, em média, cerca de 200 ninhos de desovas de tartarugas-cabeçuda (Caretta caretta), cujas fêmeas, anualmente, buscam a região para construir a cama onde colocam seus ovos.
“Estamos em plena época reprodutiva, que vai até março”, contou o biólogo responsável pela base, Ciro Jardel Bérgamo, a Agência Brasil. “Já temos, até o momento, 206 ninhos de tartaruga-cabeçuda mapeados ao longo dos 43 quilômetros de praia. Além de uma desova confirmada de tartaruga-gigante, o que indica que algo em torno de 80 tartarugas-gigantes estão prestes a nascer”, acrescentou Bérgamo.
Segundo o biólogo, ao menos 60 militares da Marinha e 15 servidores do Ibama já estão no local para tentar limpar a praia, mas os pequenos fragmentos continuam chegando. “São pequenas plaquetas de 3 centímetros, quatro centímetros, que atingiram uma longa extensão de areia. O risco é que as fêmeas enterrem seus ovos junto com o produto que se misturou à areia. Ou que, se a praia não for totalmente limpa, os filhotes, ao nascerem e tentarem chegar ao mar, tenham contato com o óleo”, acrescentou Bérgamo, lamentando uma nova tragédia para o litoral capixaba quatro anos após o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco, em novembro de 2015, que lançou milhares de tonelada de resíduos tóxicos sobre o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, atingiu o Rio Doce, e chegou ao Oceano Atlântico.
“A costa capixaba está sendo castigada. Principalmente os pontos de desova das tartarugas. Ainda estávamos sob efeito do rompimento da barragem do Fundão, e, agora, isto”, lamentou o biólogo.
Antes que os primeiros vestígios de óleo fossem encontrados na praia, a prefeitura de Linhares e o Corpo de Bombeiros instalaram o Sistema de Comando em Operações para fazer frente a situação. Uma das primeiras medidas preventivas adotadas, ainda na sexta-feira (8), foi o bloqueio da foz do Rio Doce, em Regência. Segundo a prefeitura, o objetivo é evitar que o material poluente atinja e contamine o estuário da região.
“A contenção da foz é necessária para evitar que os resíduos saiam do mar e atinjam o rio, contaminando o estuário”, justificou o secretário municipal de Meio Ambiente, Fabrício Borghi Folli, em nota.
O Governo Estadual anunciou, na quarta-feira (6), que 13 órgãos atuarão de forma integrada a fim de minimizar os impactos da chegada do óleo ao Litoral Capixaba.
O governador Renato Casagrande recebeu, na manhã deste domingo (10), em seu Gabinete no Palácio Anchieta, em Vitória, os gestores federais, estaduais e municipais que participam do combate aos fragmentos de óleo descobertos no litoral do Espírito Santo. O chefe do Executivo Estadual também homenageou as empresas que doaram equipamentos de proteção individual (EPIs) e materiais para a operação de limpeza das praias, além da contenção para evitar o comprometimento de manguezais e estuários.
Durante a reunião de alinhamento, os membros do Comitê de Preparação da Crise avaliaram que o Espírito Santo está preparado para combater o óleo que começou a aparecer em pequenos fragmentos nas praias do litoral norte capixaba. O Comitê se reuniu pela primeira vez no dia 14 de outubro, quando já foi dado o primeiro passo na gestão da crise com a construção de um Plano de Ação que pudesse nortear as tomadas de decisão desde o planejamento até a execução operacional das pessoas que iriam a campo combater o óleo que se aproximava.
O governador Casagrande conheceu os atores que desenharam o Plano de Ação e parabenizou a proatividade dos órgãos que compõem o Comitê por acreditar que planejamento e ações assertivas são fundamentais para resolutividade numa crise ambiental desta proporção e que tem impactos imensuráveis e sérios à natureza e às pessoas. Ele ponderou ainda sobre o cuidado em preservar as comunidades locais e o turismo nestas regiões.
“Nos preparamos para diminuir o impacto [da crise]. O óleo já chegou de forma mais amena do que no Nordeste. Estamos há um mês nos preparando. Estamos atuando retirando o óleo do mar, atuando de forma planejada, as pessoas estão equipadas e isso tudo isso contribui. Esperamos que não afete o turismo e que o meio ambiente seja agredido o mínimo possível . Nossa primeira preocupação é com o meio ambiente, pois ainda não sabemos da dimensão, da gravidade. Estamos tirando o óleo que fica na superfície, mas não sabemos o impacto no fundo. Nossa preocupação é o estuário, a foz dos rios, os manguezais. Em segundo lugar queremos trazer segurança aos turistas e moradores”, afirmou o governador.
Na última sexta-feira (8) foi confirmada a presença de vestígios de óleo na praia de Guriri, em São Mateus. A Marinha do Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informaram, em nota, que o resíduo encontrado é o mesmo que vem poluindo as praias do Nordeste. No entanto, todo o material já foi recolhido e as praias estão limpas e liberadas para banho, sem nenhuma confirmação de reaparecimento de óleo.
O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Fabricio Machado, apresentou o panorama cronológico das ações do Comitê e salientou que o empenho dos órgãos envolvidos na etapa de preparação foi o que determinou o sucesso do trabalho. A estratégia de se antecipar ao problema, de acordo com ele, teria feito toda a diferença, o que acabou não sendo feito por outros estados atingidos pelo óleo.
“Nos antecipamos para não errar. Foram 27 dias desde a primeira reunião do Comitê, unindo vários órgãos federais, estaduais, municipais, a universidades federal, técnicos e até a iniciativa privada para consolidar um Plano de Ação e também uma força tarefa em prol do meio ambiente. Todos estavam com o mesmo propósito: proteger nossas praias, manguezais e estuários. Sabemos que o óleo é imprevisível e desconhecido, mas nosso litoral está sendo monitorado, permanentemente, para que o impacto ambiental seja mínimo”, afirmou Fabricio Machado.
Ao longo das semanas de preparação, foram capacitados multiplicadores municipais nas 14 cidades costeiras do Espírito Santo. De Conceição da Barra, no extremo norte, a Presidente Kennedy no extremo sul. Os técnicos do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) nivelaram conhecimentos que vão desde procedimentos para interdição das praias, do uso dos materiais e EPI´s, até os primeiros desenhos de comando, definindo os pontos de atuação das brigadas.
Com as capacitações, também foi possível alinhar as equipes municipais para entenderem as peculiaridades dos seus respectivos territórios (praias) e de como atuar em ambientes de difícil acesso, gerando o menor impacto ambiental possível. Foram mapeadas ainda as dificuldades em praias mais isoladas ou de trânsito restrito, por exemplo. O grau de sensibilidade e as prioridades de ação também foram explanados, dando ênfase aos manguezais que são áreas extremamente sensíveis a esse tipo de resíduo.
Além de servidores municipais capacitados, um contingente significativo de militares que também estão prontos para atuar, caso seja necessário, nas praias capixabas nas atividades de limpeza, logística e suporte. Foram disponibilizados 120 bombeiros, 120 soldados do Exército e 160 militares da Marinha.
Doações - O Comitê de Preparação da Crise se reuniu no mês de outubro com alguns representantes de empresas com atividades econômicas ligadas, direta ou indiretamente, à área portuária, petrolífera e de logística. Eles se uniram ao trabalho de combate ao desastre ambiental por meio da doação de equipamentos de segurança, de materiais para limpeza das praias, de barris e recipientes adequados para contenção dos resíduos coletados e de outros serviços ofertados pelas empresas, como transporte e logística, bem como a disponibilização de mão de obra especializada.
O governador Casagrande aproveitou o encontro para receber os diretores executivos das empresas que colaboram com a operação e agradecer a iniciativa de todos. Ele destacou a agilidade no encaminhamento dos objetos doados à Defesa Civil do Estado. As empresas que apoiam as operações são: Transpetro, ArcelorMittal, Vale, Samarco, Codesa, Portocel, Imetame, Norte Recicla, Login TVV, Jurong e Vitória Ambiental. Os equipamentos e materiais começaram a chegar nessa quinta-feira (07).
Plano de Ação - Plano está sendo dividido em três etapas: “Prévia ou atenção”, que são ações voltadas à previsão, monitoramento, comunicação e suporte logístico; “Operacional”, com a contenção, limpeza e destinação final dos resíduos recolhidos, além do atendimento à fauna oleada e início do trabalho de mensuração dos impactos nos ambientes costeiro e marinho; e “Posterior ou de Avaliação”, que consiste no monitoramento dos locais atingidos e levantamento dos danos ambientais e socioeconômicos, bem como realizar valoração monetária dos impactos.
Compõem o Comitê de Preparação da Crise: as Secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e Turismo (Setur); Procuradoria Geral do Estado (PGE); Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema); Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf); Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh); Defesa Civil do Espírito Santo; Exército Brasileiro; Marinha do Brasil; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
TAMAR - As tartarugas marinhas utilizam os oceanos durante toda a sua vida e migram em busca de diferentes locais para se alimentar e reproduzir. O ambiente terrestre é utilizado somente por fêmeas adultas para a postura de seus ovos.
Quando encontramos uma tartaruga na praia que não esteja preparando o seu ninho, é sinal de que algo a debilitou e ocasionou o seu encalhe e, em alguns casos, a sua morte. Os encalhes são causados por diversas razões: doenças, ingestão de lixo, colisão com embarcações e interação com atividades pesqueiras.
O Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar tem como missão promover a recuperação das tartarugas marinhas, desenvolvendo ações de pesquisa, conservação e inclusão social. Através do monitoramento sistemático das principais áreas reprodutivas no Brasil, a fundação realiza a marcação de fêmeas no momento da desova, o registro e o acompanhamento dos ninhos até o nascimento dos filhotes, e o atendimento de notificações de encalhes em sua área de atuação. Enquanto que as desovas são observadas principalmente entre setembro e março, as ocorrências de encalhe ocorrem ao longo de todo ano.
Em 2018, foram registradas 2148 tartarugas marinhas mortas ao longo da costa de Sergipe e Bahia. A maior parte das ocorrências foram de tartaruga-verde (Chelonia mydas) juvenis. No entanto, no estado de Sergipe, cerca de 75% dos registros de encalhes (706 animais) foram de tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) adultas em fase reprodutiva. Estudos indicam que os encalhes ocorrem principalmente pela captura incidental na pesca de arrasto de camarão. As tartarugas adultas são essenciais para o recomeço do ciclo de vida ao depositarem seus ovos na praia. No entanto, demoram entre 15 a 30 anos para atingirem a maturidade sexual e até chegarem a esta fase, passam por inúmeras ameaças (a cada 1000 tartarugas que nascem, uma ou duas chegam a idade adulta).

Da Praia do Cumbuco foram retiradas 18,5 toneladas de óleo cru de petróleo até este domingo (10)
Na quinta-feira (7), pequenos fragmentos de óleo foram recolhidos na praia de Guriri, em São Mateus (ES), a cerca de 85 quilômetros ao norte de Linhares. Ou seja, após ter se espalhado pelos nove estados nordestinos (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe), o produto de origem ainda desconhecida avança pela região Sudeste em direção ao sul. A capital capixaba, Vitória, está distante cerca de 170 quilômetros de Pontal do Ipiranga.
De acordo com a Marinha, análises da substância recolhida há quatro dias em São Mateus confirmaram que se trata do mesmo óleo que atingiu praias, mangues, costões marítimos, desembocaduras de rios e outros habitats litorâneos do Nordeste.
Na praia de Pontal do Ipiranga, atingida hoje, funciona uma base do Projeto Tamar, dedicado à pesquisa, proteção e manejo de tartarugas marinhas ameaçadas de extinção. No site do Tamar (http://www.tamar.org.br/) consta que, “na região caracterizada por mata de restinga razoavelmente bem conservada”, são monitorados e protegidos, em média, cerca de 200 ninhos de desovas de tartarugas-cabeçuda (Caretta caretta), cujas fêmeas, anualmente, buscam a região para construir a cama onde colocam seus ovos.
“Estamos em plena época reprodutiva, que vai até março”, contou o biólogo responsável pela base, Ciro Jardel Bérgamo, a Agência Brasil. “Já temos, até o momento, 206 ninhos de tartaruga-cabeçuda mapeados ao longo dos 43 quilômetros de praia. Além de uma desova confirmada de tartaruga-gigante, o que indica que algo em torno de 80 tartarugas-gigantes estão prestes a nascer”, acrescentou Bérgamo.
Segundo o biólogo, ao menos 60 militares da Marinha e 15 servidores do Ibama já estão no local para tentar limpar a praia, mas os pequenos fragmentos continuam chegando. “São pequenas plaquetas de 3 centímetros, quatro centímetros, que atingiram uma longa extensão de areia. O risco é que as fêmeas enterrem seus ovos junto com o produto que se misturou à areia. Ou que, se a praia não for totalmente limpa, os filhotes, ao nascerem e tentarem chegar ao mar, tenham contato com o óleo”, acrescentou Bérgamo, lamentando uma nova tragédia para o litoral capixaba quatro anos após o rompimento da barragem do Fundão, da Samarco, em novembro de 2015, que lançou milhares de tonelada de resíduos tóxicos sobre o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, atingiu o Rio Doce, e chegou ao Oceano Atlântico.
“A costa capixaba está sendo castigada. Principalmente os pontos de desova das tartarugas. Ainda estávamos sob efeito do rompimento da barragem do Fundão, e, agora, isto”, lamentou o biólogo.
Antes que os primeiros vestígios de óleo fossem encontrados na praia, a prefeitura de Linhares e o Corpo de Bombeiros instalaram o Sistema de Comando em Operações para fazer frente a situação. Uma das primeiras medidas preventivas adotadas, ainda na sexta-feira (8), foi o bloqueio da foz do Rio Doce, em Regência. Segundo a prefeitura, o objetivo é evitar que o material poluente atinja e contamine o estuário da região.
“A contenção da foz é necessária para evitar que os resíduos saiam do mar e atinjam o rio, contaminando o estuário”, justificou o secretário municipal de Meio Ambiente, Fabrício Borghi Folli, em nota.
O Governo Estadual anunciou, na quarta-feira (6), que 13 órgãos atuarão de forma integrada a fim de minimizar os impactos da chegada do óleo ao Litoral Capixaba.
O governador Renato Casagrande recebeu, na manhã deste domingo (10), em seu Gabinete no Palácio Anchieta, em Vitória, os gestores federais, estaduais e municipais que participam do combate aos fragmentos de óleo descobertos no litoral do Espírito Santo. O chefe do Executivo Estadual também homenageou as empresas que doaram equipamentos de proteção individual (EPIs) e materiais para a operação de limpeza das praias, além da contenção para evitar o comprometimento de manguezais e estuários.
Durante a reunião de alinhamento, os membros do Comitê de Preparação da Crise avaliaram que o Espírito Santo está preparado para combater o óleo que começou a aparecer em pequenos fragmentos nas praias do litoral norte capixaba. O Comitê se reuniu pela primeira vez no dia 14 de outubro, quando já foi dado o primeiro passo na gestão da crise com a construção de um Plano de Ação que pudesse nortear as tomadas de decisão desde o planejamento até a execução operacional das pessoas que iriam a campo combater o óleo que se aproximava.
O governador Casagrande conheceu os atores que desenharam o Plano de Ação e parabenizou a proatividade dos órgãos que compõem o Comitê por acreditar que planejamento e ações assertivas são fundamentais para resolutividade numa crise ambiental desta proporção e que tem impactos imensuráveis e sérios à natureza e às pessoas. Ele ponderou ainda sobre o cuidado em preservar as comunidades locais e o turismo nestas regiões.
“Nos preparamos para diminuir o impacto [da crise]. O óleo já chegou de forma mais amena do que no Nordeste. Estamos há um mês nos preparando. Estamos atuando retirando o óleo do mar, atuando de forma planejada, as pessoas estão equipadas e isso tudo isso contribui. Esperamos que não afete o turismo e que o meio ambiente seja agredido o mínimo possível . Nossa primeira preocupação é com o meio ambiente, pois ainda não sabemos da dimensão, da gravidade. Estamos tirando o óleo que fica na superfície, mas não sabemos o impacto no fundo. Nossa preocupação é o estuário, a foz dos rios, os manguezais. Em segundo lugar queremos trazer segurança aos turistas e moradores”, afirmou o governador.
Na última sexta-feira (8) foi confirmada a presença de vestígios de óleo na praia de Guriri, em São Mateus. A Marinha do Brasil, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informaram, em nota, que o resíduo encontrado é o mesmo que vem poluindo as praias do Nordeste. No entanto, todo o material já foi recolhido e as praias estão limpas e liberadas para banho, sem nenhuma confirmação de reaparecimento de óleo.
O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Fabricio Machado, apresentou o panorama cronológico das ações do Comitê e salientou que o empenho dos órgãos envolvidos na etapa de preparação foi o que determinou o sucesso do trabalho. A estratégia de se antecipar ao problema, de acordo com ele, teria feito toda a diferença, o que acabou não sendo feito por outros estados atingidos pelo óleo.
“Nos antecipamos para não errar. Foram 27 dias desde a primeira reunião do Comitê, unindo vários órgãos federais, estaduais, municipais, a universidades federal, técnicos e até a iniciativa privada para consolidar um Plano de Ação e também uma força tarefa em prol do meio ambiente. Todos estavam com o mesmo propósito: proteger nossas praias, manguezais e estuários. Sabemos que o óleo é imprevisível e desconhecido, mas nosso litoral está sendo monitorado, permanentemente, para que o impacto ambiental seja mínimo”, afirmou Fabricio Machado.
Ao longo das semanas de preparação, foram capacitados multiplicadores municipais nas 14 cidades costeiras do Espírito Santo. De Conceição da Barra, no extremo norte, a Presidente Kennedy no extremo sul. Os técnicos do Ibama, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) nivelaram conhecimentos que vão desde procedimentos para interdição das praias, do uso dos materiais e EPI´s, até os primeiros desenhos de comando, definindo os pontos de atuação das brigadas.
Com as capacitações, também foi possível alinhar as equipes municipais para entenderem as peculiaridades dos seus respectivos territórios (praias) e de como atuar em ambientes de difícil acesso, gerando o menor impacto ambiental possível. Foram mapeadas ainda as dificuldades em praias mais isoladas ou de trânsito restrito, por exemplo. O grau de sensibilidade e as prioridades de ação também foram explanados, dando ênfase aos manguezais que são áreas extremamente sensíveis a esse tipo de resíduo.
Além de servidores municipais capacitados, um contingente significativo de militares que também estão prontos para atuar, caso seja necessário, nas praias capixabas nas atividades de limpeza, logística e suporte. Foram disponibilizados 120 bombeiros, 120 soldados do Exército e 160 militares da Marinha.
Doações - O Comitê de Preparação da Crise se reuniu no mês de outubro com alguns representantes de empresas com atividades econômicas ligadas, direta ou indiretamente, à área portuária, petrolífera e de logística. Eles se uniram ao trabalho de combate ao desastre ambiental por meio da doação de equipamentos de segurança, de materiais para limpeza das praias, de barris e recipientes adequados para contenção dos resíduos coletados e de outros serviços ofertados pelas empresas, como transporte e logística, bem como a disponibilização de mão de obra especializada.
O governador Casagrande aproveitou o encontro para receber os diretores executivos das empresas que colaboram com a operação e agradecer a iniciativa de todos. Ele destacou a agilidade no encaminhamento dos objetos doados à Defesa Civil do Estado. As empresas que apoiam as operações são: Transpetro, ArcelorMittal, Vale, Samarco, Codesa, Portocel, Imetame, Norte Recicla, Login TVV, Jurong e Vitória Ambiental. Os equipamentos e materiais começaram a chegar nessa quinta-feira (07).
Plano de Ação - Plano está sendo dividido em três etapas: “Prévia ou atenção”, que são ações voltadas à previsão, monitoramento, comunicação e suporte logístico; “Operacional”, com a contenção, limpeza e destinação final dos resíduos recolhidos, além do atendimento à fauna oleada e início do trabalho de mensuração dos impactos nos ambientes costeiro e marinho; e “Posterior ou de Avaliação”, que consiste no monitoramento dos locais atingidos e levantamento dos danos ambientais e socioeconômicos, bem como realizar valoração monetária dos impactos.
Compõem o Comitê de Preparação da Crise: as Secretarias de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e Turismo (Setur); Procuradoria Geral do Estado (PGE); Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema); Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf); Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh); Defesa Civil do Espírito Santo; Exército Brasileiro; Marinha do Brasil; Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
TAMAR - As tartarugas marinhas utilizam os oceanos durante toda a sua vida e migram em busca de diferentes locais para se alimentar e reproduzir. O ambiente terrestre é utilizado somente por fêmeas adultas para a postura de seus ovos.
Quando encontramos uma tartaruga na praia que não esteja preparando o seu ninho, é sinal de que algo a debilitou e ocasionou o seu encalhe e, em alguns casos, a sua morte. Os encalhes são causados por diversas razões: doenças, ingestão de lixo, colisão com embarcações e interação com atividades pesqueiras.
O Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar tem como missão promover a recuperação das tartarugas marinhas, desenvolvendo ações de pesquisa, conservação e inclusão social. Através do monitoramento sistemático das principais áreas reprodutivas no Brasil, a fundação realiza a marcação de fêmeas no momento da desova, o registro e o acompanhamento dos ninhos até o nascimento dos filhotes, e o atendimento de notificações de encalhes em sua área de atuação. Enquanto que as desovas são observadas principalmente entre setembro e março, as ocorrências de encalhe ocorrem ao longo de todo ano.
Em 2018, foram registradas 2148 tartarugas marinhas mortas ao longo da costa de Sergipe e Bahia. A maior parte das ocorrências foram de tartaruga-verde (Chelonia mydas) juvenis. No entanto, no estado de Sergipe, cerca de 75% dos registros de encalhes (706 animais) foram de tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) adultas em fase reprodutiva. Estudos indicam que os encalhes ocorrem principalmente pela captura incidental na pesca de arrasto de camarão. As tartarugas adultas são essenciais para o recomeço do ciclo de vida ao depositarem seus ovos na praia. No entanto, demoram entre 15 a 30 anos para atingirem a maturidade sexual e até chegarem a esta fase, passam por inúmeras ameaças (a cada 1000 tartarugas que nascem, uma ou duas chegam a idade adulta).
As tartarugas marinhas apresentam respiração pulmonar, assim como nós humanos, e precisam subir à superfície do mar para respirar. Quando ficam presas nas redes de pesca, acabam morrendo afogadas. Para minimizar este impacto, o Projeto Tamar/Fundação Pró-Tamar desenvolve projetos de pesquisa voltados para a identificação de áreas prioritárias para a conservação.
Atualmente, o projeto REBYC com o apoio da Fundação Pró-Tamar, Instituto de Pesca/SAA/SP e CEPSUL/ICMBio estão realizando testes para o uso de dispositivos excludentes de tartarugas (TED- Turtle Excluder Device) nas embarcações de arrasto em Ubatuba - SP. No Brasil, o uso do TED é obrigatório desde 1994, mas pouco se sabe sobre o efeito deste dispositivo na pesca de arrasto no Brasil.
Compreender a eficácia e adequar o manejo pesqueiro é um dos objetivos deste projeto de pesquisa (https://www.tamar.org.br/noticia1.php?cod=924). O TED consiste em uma grade metálica que é inserida no corpo da rede de arrasto de camarão permitindo que animais pequenos, como os camarões, passem pelo espaçamento entre as grades e sejam capturados, enquanto animais maiores como: tartarugas, tubarões e raias são barrados pelo TED e conseguem ser excluídos da rede.
Além disso, as pesquisas desenvolvidas pela fundação contribuem com conhecimento técnico-científico para subsidiar a implementação do período de defeso (https://www.tamar.org.br/noticia1.php?cod=891), que atualmente ocorre entre primeiro de dezembro e 15 de janeiro ; e primeiro de abril a 15 de maio, em Sergipe.
BALANÇO - Em mais de dois meses as machas de óleo cru já atingiram dez estados (Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Espírito Santo) em 442 localidades de 107 cidades.
Com informações e foto da Agência Brasil, Agência Espírito Santo e da Agência Tamar.
Atualmente, o projeto REBYC com o apoio da Fundação Pró-Tamar, Instituto de Pesca/SAA/SP e CEPSUL/ICMBio estão realizando testes para o uso de dispositivos excludentes de tartarugas (TED- Turtle Excluder Device) nas embarcações de arrasto em Ubatuba - SP. No Brasil, o uso do TED é obrigatório desde 1994, mas pouco se sabe sobre o efeito deste dispositivo na pesca de arrasto no Brasil.
Compreender a eficácia e adequar o manejo pesqueiro é um dos objetivos deste projeto de pesquisa (https://www.tamar.org.br/noticia1.php?cod=924). O TED consiste em uma grade metálica que é inserida no corpo da rede de arrasto de camarão permitindo que animais pequenos, como os camarões, passem pelo espaçamento entre as grades e sejam capturados, enquanto animais maiores como: tartarugas, tubarões e raias são barrados pelo TED e conseguem ser excluídos da rede.
Além disso, as pesquisas desenvolvidas pela fundação contribuem com conhecimento técnico-científico para subsidiar a implementação do período de defeso (https://www.tamar.org.br/noticia1.php?cod=891), que atualmente ocorre entre primeiro de dezembro e 15 de janeiro ; e primeiro de abril a 15 de maio, em Sergipe.
BALANÇO - Em mais de dois meses as machas de óleo cru já atingiram dez estados (Maranhão, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Rio Grande do Norte e Espírito Santo) em 442 localidades de 107 cidades.
Com informações e foto da Agência Brasil, Agência Espírito Santo e da Agência Tamar.
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