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Morre professor Helder Medeiros

 Informa o professor do Colégio 7 de Setembro, Henrique Soárez, a morte do professor Helder Medeiros:

- Sem contar o tempo como aluno, foram 64 anos de 7 de Setembro. Há umas 3 semanas ele passou lá pelo Colégio. Bateu altos papos com meu pai (Ednilton Soárez). Eu fiquei com os dois um pouco. Nunca vou me perdoar por não ter batido uma foto. Aqui abaixo um texto que o eterno senhor Helder escreveu para um jornal dos alunos do 7 de Setembro":

- O meu exame de seleção ao Ginásio 7 de Setembro

Após dois anos de instalado na Avenida do Imperador, 1330, meus pais me trouxeram para que eu estudasse no Colégio do Doutor Edilson. Não sei o que passou pela cabeça deles, pois eles eram extremamente católicos e iam colocar seu filho no colégio que se dizia protestante. Minha avó e minha tia já residiam em Fortaleza. Para que pudesse me dedicar mais aos livros, meus pais resolveram pedir à vovó para que eu ficasse em sua casa. Penso também que a localização da Escola do Doutor Edilson bem perto da casa de minha avó, os fez pensar em me matricular na tal escola. Mamãe sabia que Doutor Edilson era um educador que já se destacava na cidade por seu caráter e por aplicar uma disciplina rígida e bem orientada aos seus alunos.

Lembro-me que entramos na vivenda que era de Dona Corina Juaçaba. Gostei muito quando meus olhos percorreram o ambiente. Tinha a aparência de alguns casarões de Acaraú, minha terra. Havia muitas fruteiras ao redor da vivenda.

Subimos os batentes da entrada e logo, logo ouvimos o som de um campa de mesa que chamava para que pudéssemos chegar até a  Sala do Diretor. Meu coração batia descompassado. Lembrava-me do meu sertão, da criação de ovelhas do papai, da entrega da comida aos trabalhadores do roçado, da minha vida livre correndo pelas estradas no lombo de um cavalo que fazia de tudo para dar vazão ao meu temperamento.

E então estávamos ali, na sala do tão famoso Doutor Edilson. Sentamo-nos. Com rapidez ele estendeu a mão para mamãe e papai, fiquei tímido, mas tive que apertar a sua mão.

Sua voz era firme e forte. Eu não lhe perdia a menor ação. Fui ficando cada vez mais tímido e minhas mãos e pernas já tremiam.

– Dona Raimunda, este moço veio do sertão do Acaraú para estudar em 

Fortaleza, a senhora sendo professora? O que há com ele? 

– Doutor Edilson, eis aí o problema. Meu filho não larga os passos do pai e mesmo diante da minha vigilância, às vezes foge da Sala de ula para ficar ao lado dos trabalhadores do roçado. Eu e Jorge sentimos e decidimos trazê-lo para Fortaleza, pois longe do sertão ele deverá dedicar-se mais aos estudos.

– Qual a série que ele fez na sua Escola?

– A 3ª Série Primária, Doutor Edilson.

Nisso eu já não tremia somente as mãos e as pernas e sim meu corpo todo.

Doutor Edilson pediu para eu ficar de pé ao seu lado e abriu um livro para que eu lesse o texto.

– Leia aqui, meu rapaz.

Ler o que se eu já não enxergava nem as letras.

– Não sabe ler?

E eu balançava a cabeça afirmando que sim.

– Pois leia. Vamos, meu moço, a sua mãe está afirmando que você sabe ler.

Eu abria a boca, mas não saía uma palavra. Olhei ao redor de mim para fugir, mas, notei que a porta estava fechada.

E agora, pensava eu, como fazer?

Doutor Edilson olhou-me com firmeza e logo foi perguntando.

– Sabe somar, diminuir, multiplicar, dividir?

Balancei novamente a cabeça afirmando que sim.

– Pois então responde: 2 x 4?

Novamente me faltou a voz. Eu estava apavorado.

– Sabe conjugar algum verbo? Quer escolher algum para conjugar?

E nada. Eu estava ali parado e meu corpo parecia “uma vara verde” como se dizia lá no meu sertão.

– Dona Raimunda, (interessante, minha mãe era a mais castigada com as perguntas do  Doutor Edilson), este moço não sabe nada, me desculpe.

Em seguida abriu um livro de cor azul, de capa dura, bem maior do que eu conhecia e perguntando à minha mãe, ele ia preenchendo os espaços reservados para as anotações.

Olhou para mamãe, fitou o meu pai e afirmou:

– Vamos matricular o Helder na 1ª Série, 1ª Fase que era a Alfabetização.

Em seguida segurou a minha mão direita e no dorso dela escreveu com a sua caneta: 830.

– Este é o seu número de matrícula a partir de hoje, meu rapaz. Passem pela tesouraria e paguem a matrícula.

Olhou-me mais uma vez e me perguntou:

– Mas você fala? Sabe falar?

Eu fazia balançar a cabeça para afirmar-lhe que eu também falava.

Em seguida, apertou a mão do papai, da mamãe e me segurou pela mão, levando o meu corpo trêmulo até a ele, me dando um abraço forte.

Quando saímos da sala eu não me lembrava de mais nada, pois a vontade era imperiosa para voltar ao meu sertão, assistir à chuva caindo sobre a nossa cidadezinha e a alegria dos pássaros nas árvores do nosso quintal.

Ah! Hoje eu me recordo que aquele abraço de Doutor Edilson, selava uma vida toda de dedicação à escola onde ele me matriculava na alfabetização, mas que logo eu estava sendo promovido de série até três vezes ao ano.

Lembro-me da minha primeira professora, Dona Albaniza, que logo foi me conquistando. Quantas vezes ela ia me buscar na minha carteira, pois eu não conseguia escrever e não tinha condições, pois as lágrimas eram abundantes. Nesses momentos, ela me aconchegava ao seu colo, passava a mão nos meus cabelos. Naqueles momentos eu sentia a mão de minha mãe, tão distante, e que me fazia muita falta".

Comentários

  1. Um ser humano ímpar! Gente do bem que adorava fazer o bem. Uma grande perda para todos. Tenho certeza que o CÉU te recebeu de braços abertos! Descanse em Paz!

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