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História conservada: as ruínas do Panamá Velho

“O que, um dia, já foi uma terra de pescadores, se transformou em uma terra de conquistadores, piratas e tesouros”. Essa é a descrição dada no início do passeio ao Sítio Arqueológico de Panamá Viejo. Nele, estão as ruínas da antiga Cidade do Panamá, que foi invadida por piratas ingleses enquanto ardia nas chamas de um incêndio proposital feito pelo próprio governador da região. Hoje, o Sítio é considerado patrimônio mundial pela Unesco e recebe cerca de 40 mil visitantes todos os anos.

[Atualização] A Copa Airlines decidiu encerrar suas operações em Fortaleza a partir do dia 25 de julho de 2019, não havendo mais voos diretos da capital cearense à capital panamenha.

Ruínas da antiga catedral

A convite da Copa Airlines, o Blog do Lauriberto esteve no Panamá, entre os dias 20 e 22 de agosto, para uma press trip por sua capital. 

A experiência de conhecer uma das sete maravilhas da engenharia, o Canal do Panamá, foi assunto da postagem feita na quinta passada.


Hoje vamos falar sobre o sítio arqueológico da velha cidade, Panamá La Vieja (ou Panamá Viejo), que guarda uma riquíssima história que surpreende quem o visita.

Placa da Unesco declarando o Sítio como patrimônio mundial
PARTE 4 - SÍTIO ARQUEOLÓGICO DE PANAMÁ VIEJO

Fundada em 15 de agosto de 1519 (exatos 395 anos antes da inauguração do canal interoceânico), a Cidade do Panamá fazia parte da Província de Terra Firme do Reino da Espanha. 


Por ter menos de 80 km de separação entre os oceanos Pacífico e Atlântico, a cidade era usada para transportar o ouro e a prata advindos das expedições no Peru dos navios no lado pacífico para os navios no lado atlântico, que levavam as riquezas para a Espanha. Por isso, a cidadezinha de simples pescadores era bastante rica, possuindo igrejas e outras construções ornadas com ouro.
Reconstituição da antiga Cidade do Panamá no Museu da Plaza Mayor

Claro que esse ouro todo atraía o olhar de muitos piratas do Caribe. Tanto que o corsário britânico Sir Henry Morgan, depois de invadir e saquear diversas cidades caribenhas, também tentou atacar o Panamá.

Ao saber da iminente invasão, o governador da Província de Terra Firme, Dom Juan Pérez de Guzmán, em janeiro de 1671, ordenou que explodissem os depósitos de pólvora da cidade, provocando um incêndio que a destruiu quase totalmente. 


Quando Henry Morgan chegou com seus mais de 1.400 homens, a Cidade do Panamá estava em chamas, e praticamente todo o ouro havia sido perdido. Frustrado, o corsário saqueou tudo o que pode entre os sobreviventes do incêndio que não conseguiram fugir e terminou de botar fogo na cidade. Ainda assim, saiu de lá com muitas riquezas, deixando para trás as ruínas do que já foram casas, conventos, hospitais e igrejas.

Esse saque aconteceu depois da assinatura de um tratado de paz entre a Inglaterra e a Espanha. Lendas dizem que Mariana da Áustria, a rainha espanhola, chorou muito ao saber da invasão do pirata inglês e ordenou que Henry Morgan fosse punido pelo seu ato. O rei britânico Carlos II acatou o pedido e prendeu o corsário em Londres. Porém, pouco tempo depois, ele foi solto e declarado Cavaleiro Real, se tornando vice governador da Jamaica e, ironicamente, passando a combater a pirataria na região do Caribe.



O que restou da antiga cidade se encontra preservado no Sítio Arqueológico de Panamá Viejo, protegido por um patronato próprio.

O sítio possui 28 hectares e cobra ingressos com valores de 15 dólares para adultos e de 5 dólares para estudantes estrangeiros (para nativos, os valores são de 10 e de 2 dólares, respectivamente). A visita tem direito a um guia, a um passeio em carro aberto pelas ruínas e à entrada em um museu. É recomendado usar sapatos confortáveis, pois há caminhada sobre chão de pedras, além de filtro solar, óculos escuros e boné ou chapéu, já que, por ser em local aberto, costuma fazer muito sol. 

O destaque do sítio é a Plaza Mayor, principal praça da antiga cidade, que hoje contém o museu e o que restou da imponente torre da catedral, um dos principais cartões postais da Cidade do Panamá. 
A Torre da Catedral do Panamá velho em contraste com os prédios da nova cidade
A catedral era dedicada à Nossa Senhora de Assunção, que tem seu dia em 15 de agosto, junto à fundação da cidade. Sua torre alta servia de vigilância para prevenir possíveis invasões.

O Museu da Plaza Mayor conta toda a história da região, que se inicia ainda antes da chegada de Colombo às Américas, com os grupos de humanos pré-históricos até os indígenas locais. Há em exposição ferramentas, enfeites e sepulturas encontradas em escavações no sítio.


O Museu também conta com uma maquete bem detalhada de como era a cidade na época da invasão pirata, assim como muitos artigos que foram salvos do incêndio, como quadros, esculturas e sinos que pertenciam às igrejas consumidas pelas chamas.



Mais afastado da praça, existem diversas ruínas de casas, conventos e pontes da antiga cidade. O que faz você se sentir como se estivesse viajando no tempo ao imaginar como aquelas construções eram antes de tudo o que aconteceu. 

Além, claro, de render excelentes fotos.

Algumas dessas ruínas, embora também sejam protegidas pelo Patronato do Panamá Viejo, se encontram fora do sítio arqueológico, como as que estão na região do Casco Antiguo.

Todo o conteúdo desta postagem é de autoria de Pedro Pompeu especialmente para o Blog do Lauriberto. A reprodução é autorizada mediante indicação da fonte.

SOBRE O PANAMÁ VIEJO
Classificação: sítio arqueológico, Patrimônio Mundial pela Unesco
Ingresso: US$ 15,00 (adulto) e US$ 5,00 (estudante) para turistas
Funcionamento: de terça a domingo, das 8:00 às 17:00.

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